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Alimentos Orgânicos – Inventário e Tendências no Brasil e no Mundo

Resumo

Palestra realizada por Alexandre Harkaly – IBD Certificações, durante o VIII Abisolo Fórum e Exposição realizado nos dias 10 e 11 de abril 2019.


Transcrição

Na sequência, é hora de nós ouvirmos sobre alimentos orgânicos. inventário e tendências no Brasil e no mundo. O nosso palestrante é engenheiro agrônomo pela Exalc, USP, de 1980. É especializado nas áreas de solos, agricultura, ecologia, sustentável, orgânica e biodinâmica, certificação e processos de qualidade e avaliações. Por favor, vamos dar uma salva de palmas ao Alexandre Harcali. Acertei. Você quer que dê mais tempo? É, é bom, né? Você tem facilidade de se controlar? Tenho, mas é bom dar um tempo. Cinco minutos, você sabe? Tá bom. Quer realizar antes? Não, cinco minutos é bom. Cinco minutos, tá bom. A sua água, quer que eu deixe aberta? Pode deixar, por favor. Muito bom dia a todos. Eu agradeço a Absolo, nome do IBD, pelo convite a essa apresentação. Eu gostaria de colocar aqui para vocês o cenário da produção de alimentos orgânicos mundial e brasileira. Se puder fechar a porta aí, porque a música está chegando até aqui. Então eu vou falar um pouco do cenário mundial de alimentos orgânicos, do cenário brasileiro, e vou falar também sobre a questão dos insumos na agricultura orgânica. E eu também preciso alertar vocês que a agricultura orgânica no país é bastante nova. O conjunto de leis que regulamenta a agricultura orgânica foi editado ao longo dos anos 2000 e foi lançado e entrou em validade em 2011. Então nós temos relativamente pouco tempo de agricultura orgânica no país e no mundo a gente poderia dizer que nós temos algo em torno de 40 anos de história, onde nos últimos 20 anos a coisa tomou um corpo bastante interessante. Como é que eu defino um produto orgânico? Como que eu consigo trabalhar com produto orgânico? No sentido moderno da palavra, no sentido de mercado, o produto orgânico é definido através da certificação. Sem certificação, você não pode dizer no mercado, basicamente, que você tem um produto orgânico. Claro que existe todo um universo de produtores que provavelmente produzem de forma orgânica e dizem que é orgânico, mas se eles não tiverem a certificação, do ponto de vista legal, do ponto de vista jurídico, do ponto de vista de mercado, você não pode, não deve ou não é correto falar que o produto é orgânico. Se você tem a sua horta em casa no fundo do quintal e você faz tudo orgânico, ótimo. Mas do ponto de vista legal de mercado, sem a certificação, ele não vai ser considerado um produto orgânico. E para vocês terem uma ideia, nós temos não somente uma norma, uma lei de produtos orgânicos, nós temos hoje mais de 60 normas. porque as normas de produtos orgânicos são definidas por legislações dos respectivos países de produção. Então, nós temos aqui a norma em torno da lei 10.831 no Brasil, mas nós temos também as normas que devem ser seguidas e respeitadas nos seus respectivos países de produção ou de destinação do produto. Então se eu sou um produtor brasileiro e eu vou exportar para os Estados Unidos, eu vou exportar para a Europa, eu preciso seguir a norma deles e não a nossa. Porque nós não temos acordos de equivalência ou reciprocidade com esses mercados. O mês passado, de forma inédita, foi lançada a primeira equivalência de normas entre o Brasil e o Chile. É o primeiro país com o qual nós temos equivalência de normas, hoje. Significa que se eu quiser exportar algum produto orgânico para o Chile, eu posso fazer com o meu certificado brasileiro e vice-versa. O produtor do Chile que quiser exportar para o Brasil, basta usar o certificado da certificação chilena dele lá. Então o produtor, a empresa que vai exportar cereja, pêssego, qualquer fruta do Chile ou mesmo vinho, qualquer produto agropecuário certificado como orgânico no Chile, hoje vale no Brasil. Esse é o primeiro passo, é um passo inédito. É um passo que custa muito trabalho para os governos, porque você tem que ter reuniões entre os ministérios, os vários ministérios envolvidos nessa questão toda de transação internacional, para eles fazerem esses convênios. Então, por enquanto, se o produtor brasileiro quiser exportar para a Europa, para os Estados Unidos, para a China, para o Japão, para a Coreia, que são os principais mercados importadores hoje, Estados Unidos, eu digo também junto o Canadá, o produtor brasileiro precisa seguir as normas deles. São muito diferentes? Não são muito diferentes, mas há diferenças e essas diferenças importam. Eu não vou entrar nessas diferenças nesse momento com vocês. O que eu gostaria de mostrar para vocês do ponto de vista de cenário mundial? É uma atividade agrícola que envolve aproximadamente 57 a 58 milhões de hectares, envolvendo todos os países. Existem atualmente aproximadamente 2,7 milhões de produtores orgânicos cadastrados no planeta. com um crescimento de 2015 para 2016 de 12,8%, é um crescimento significativo, forte, e em termos de número de hectares houve um crescimento também em torno de 15% de 2015 para 2016, com 178 países com produtores orgânicos cadastrados. E é um mercado que em 2016 atingiu um volume de comercialização em torno de 80 bilhões de dólares americanos, somando-se todos os países. Quem que são os campeões em extensão de área orgânica. Você tem a Austrália com 27 milhões de hectares, a Argentina com 3 milhões de hectares e a China aproximadamente com 2,3 milhões de hectares. Não existe uma compilação exata do Brasil Eu pessoalmente estimo algo entre 800 a 1 milhão de hectares no Brasil de orgânico, mas isso é só uma estimativa minha, pessoal. Não existe ainda uma compilação oficial feita pelo Ministério da Agricultura envolvendo todos os dados brasileiros. Quem são Os três países mais importantes com número de produtores cadastrados orgânicos. Você tem a Índia com 835 mil produtores, Uganda com 210 mil produtores e México com 210 mil produtores. O que leva a concluir que o orgânico faz muito sucesso na agricultura familiar entre pequenos produtores. Porém, o interessante também é que faz bastante sucesso com produtores médios e grandes. Então, se nós pegarmos o Brasil como exemplo, o Brasil é hoje um país campeão em várias culturas e várias extensões de produção orgânica, como, por exemplo, cana, como, por exemplo, café, como, por exemplo, dendê, palma. Então são alguns dos exemplos onde a gente tem já vários milhares de hectares certificados. Então aqui um mapa mais detalhado com o número de produtores orgânicos. Vocês vejam em décimo lugar você tem a Itália com 52 mil produtores. E o Brasil, eu depois vou entrar em detalhe com vocês, o Brasil tem aproximadamente 17 mil produtores cadastrados. Então vocês vejam que, de novo, reforçando, que a agricultura familiar pode ser de interesse e pode soar um pouco até como decepção aqui para os senhores lidando com insumos, os senhores e senhoras lidando com insumos, mas não é bem assim. Vamos ver isso mais para frente. Do ponto de vista de evolução diária, vocês vejam que de 1999 até 2015, o crescimento foi bastante significativo, em milhões de hectares, chegando a 58 milhões até 2015, com 50 milhões de hectares. Então, a produção diária, ela acompanha mais ou menos o incremento do número de produtores e também acompanha o incremento do faturamento global com alimentos orgânicos, ou seja, sempre em números com dois dígitos, entre 10% e 15% de crescimento são os números globais conseguidos. Aqui um detalhamento das áreas por país, em milhões de hectares, onde a gente vê, então, que a Austrália, em primeiro lugar, disparado com 22 milhões de hectares, e todos os outros países seguindo bem próximo, em torno de um milhão a dois milhões de hectares. Como eu falei para vocês, eu estimo que o Brasil esteja com um milhão ou menos de hectares em orgânico. Curiosidade aqui é a China, com 1,6 milhões de hectares, e onde também é curioso que a China já esteja em quarto lugar ocupando o quarto lugar como país em tamanho de mercado. Atrás somente de Estados Unidos, Alemanha e França como maiores mercados para produtos orgânicos. E a China deverá, nos próximos 10 anos, atingir a primeira colocação em tamanho de mercado também. tanto para exportação como para importação, a China está se mostrando um país extremamente dinâmico e pujante em agricultura orgânica. Onde que você pode encontrar as legislações, as normas que definem o que é um produto orgânico? Você tem que ir lá no site de cada país de destinação do produto que você vai querer exportar ou no site do ministério da agricultura ou então no site do IBD, você pode ir lá e clicar em diretrizes e legislação no menu e acessar então os pontos específicos de cada legislação, clicando em cima a gente já remete vocês diretamente para a página que concentra todas as informações de normas dos mais diferentes países. Então é muito importante que uma empresa produtora de produtos orgânicos esteja muito bem preparada com relação a norma que ela vai seguir. Eu vou falar um pouquinho aqui sobre o mercado americano, norte americano, porque é um mercado que é interessante para o Brasil, primeiro porque ele é bastante significativo, é o principal mercado do planeta. e ele é bastante interessante para o Brasil pela natureza das operações e pela proximidade comercial. Então, o que nos mostram os americanos? Que 82% dos lares americanos compram produtos orgânicos. Isso é uma concentração bastante grande de produtos orgânicos dentro da preferência dos lares americanos. 5,3% dos alimentos no varejo são orgânicos e 14% de todas as frutas e verduras são orgânicas nos Estados Unidos e 8% dos lácteos são orgânicos nos Estados Unidos. O que mostra também que em certos países o orgânico já está saindo dessa esfera de nicho e passando a ser realmente uma parte importante do mercado, uma fração importante do mercado. A produção nacional norte-americana não é suficiente para atender a demanda. Consequentemente, eles são os maiores importadores de produtos orgânicos. O Brasil exporta muito produto para os Estados Unidos de forma orgânica e muita matéria-prima. Como que é a divisão de mercado de varejo nos Estados Unidos? Vejam que existe uma concentração bastante forte do Whole Foods, que é a principal rede de supermercados nos Estados Unidos. Só o Whole Foods sozinho, por exemplo, é maior do que a rede em termos de faturamento do pão de açúcar no Brasil. E a segunda loja Trader Joe's, a segunda rede Trader Joe's também é muito importante. Uma terceira loja se chama Sprouts, com 6%, e todo o resto do mercado, 48%, se divide em todos os negócios, todas as lojas, todos os supermercados do resto dos Estados Unidos, dividem, portanto, 48% do mercado. Pode se chamar de concentrado? De certa forma é um mercado concentrado, mas você tem uma série de outras redes menores, aqui eu enumero algumas que vão de 250 lojas até as menores com 20 lojas, que também já são especializadas em venda de produtos orgânicos, ou seja, se você é um produtor que não tem volumes muito grandes, que não tem ambição de fornecer nacionalmente, globalmente no mercado americano, Você também pode atuar de uma forma menor e mais dirigida a esses mercados. E é interessante também entender que 45% dos produtos orgânicos, portanto, são vendidos nas redes específicas, nas redes de lojas e supermercados naturais, mas os outros 50% são vendidos na rede convencional. num supermercado normal em que você entra e já consegue comprar uma variedade bastante interessante de produtos orgânicos. E 5% é vendido pela internet, o que também é bastante surpreendente. Então, vocês podem estar se perguntando, mas espera aí, nós estamos aqui falando de insumos e ele vem falar de mercado americano nos Estados Unidos, de orgânicos, o que isso tem a ver comigo? Tem a ver com vocês porque qualquer aumento de demanda do mercado americano por qualquer produto produzido impacta no Brasil diretamente. Eu vou dar um exemplo para vocês. Digamos que os americanos tiveram um tremendo sucesso e a produção de orgânicos, a venda de orgânicos, de leite orgânico salta de 8% para 15%. O que significa que vai ter mais leite no café da manhã? vai ter mais iogurte no café da manhã, vai ter mais queijo. Só que o americano não vai só comer iogurte, leite e queijo no café da manhã orgânico. Ele vai comer o que? Ele vai tomar o que? Café, vai tomar chocolate, vai precisar de um cereal que ele vai querer compor no mix de orgânico dele no café da manhã. Ora, cada por cento de aumento de produção e venda de orgânicos nos Estados Unidos impacta diretamente na demanda de orgânicos no Brasil. Impacta na demanda de açúcar, impacta na demanda de cacau, impacta na demanda de café e impacta na demanda de várias outras frutas e cereais etc. Então, este é um mercado que atende ao mercado brasileiro. Tanto que o IBD, que é a empresa que eu trabalho, trabalha há 30 anos certificando produtos orgânicos, somente nos últimos 10, 12 anos que eu trabalho certificando produtos orgânicos para o mercado brasileiro. O IBD cresceu e atua em 26 países como certificadora, trabalhando para o mercado global. Tanto em produtores brasileiros, como em produtores em outros países, inclusive na China. Trabalhamos certificando produtores orgânicos na China também. Então, eu interpreto a importância de entender como que funciona o mercado global brasileiro para a gente entender e começar a dirigir os olhos Para onde está o potencial comprador do produto brasileiro? Está cada vez no Brasil? Está. Daqui a pouco vocês vão ver que o mercado brasileiro ainda ele é relativamente pequeno nos orgânicos. Mas o mercado global não é mais e o Brasil é um dos principais fornecedores de produtos agropecuários no mundo e um dos principais fornecedores inclusive de produtos orgânicos para o mundo. Então, se vocês derem uma olhada aqui no que eu chamo de mapa da mina, como que era esse mapa da mina em 2005? Vocês vão ver no lado em cima, esquerdo, até a Coca-Cola em 2005 já participava do mercado orgânico, como a empresa de sucos orgânicos. Então, hoje você vai em qualquer loja de conveniência, em qualquer supermercado nos Estados Unidos, se quer comprar um suco orgânico, você abre lá aquelas gôndolas resfriadas de sucos orgânicos, está lá a Aldoala, é uma empresa Coca-Cola. E, surpreendentemente, aí também tem Pepsi, tem Kraft, tem Heinz, tem Danone, tem Unilever, tem Kellogg's, tem Cargill. Ou seja, em 2005, essas empresas já exploravam, de forma tentativa, de forma exploratória, o mercado orgânico. E já em 2005, a empresa Odwalla, da Coca-Cola, já tinha um valor de 180 milhões de dólares. Não era uma empresa pequena, experimental, de um milhão de dólares. Era uma empresa já relativamente robusta, de 181 milhões de dólares. Então vamos ver como é que esse mapa ficou em 2015. Então vocês vejam aqui, talvez esteja muito distante, mas é um mapa realmente bastante recheado de informações, mas vocês vejam aqui que o Manestler, que não estava em 2005, está visível agora em 2015 nos Estados Unidos, não com uma, mas com duas empresas de produtos orgânicos. E vocês vejam que a Coca-Cola, que tinha uma, agora tem quatro. Logo acima da Nestlé aqui está a Coca-Cola, com quatro empresas. várias empresas brasileiras já vendem para esse pessoal nos Estados Unidos. Vários exportadores de produtos orgânicos vendem volumes bastante razoáveis, para algumas não, para várias dessas empresas nos Estados Unidos. Então, se vocês um dia estiverem trabalhando em uma empresa que exporta alimentos e estão interessados em explorar o mercado orgânico, esse é o mapa da mina. Esse é o mapa da mina para começar a consultar e começar a perguntar onde estão as cotações e por quanto anda a cotação e qual o volume de demanda, etc. Então, como eu tinha falado antes para vocês, em 2018 nós temos aproximadamente 17.381 produtores cadastrados no mapa, no Ministério da Agricultura. E o sistema brasileiro, ele permite três formas de acesso ao mercado como produto orgânico. A primeira forma de acesso, é o que a gente chama de certificação por auditoria. Então, aqui embaixo do selo orgânico, você vai ver certificação por auditoria. Quem é dono desse selo? É o governo brasileiro, somos nós. É o Ministério da Agricultura que regulamenta esse selo. Ele é regulamentado por aquela lei que eu falei no início, a lei 10.831. Então, o Brasil, o povo brasileiro é dono desse selo. E existe então todo um sistema de acompanhamento e verificação e auditoria e credenciamento das certificadoras pelo Inmetro para poderem atuar como certificadoras de agricultura orgânica. São ciclos anuais, a gente tem que visitar a fazenda, tem que visitar a processadora, você tem que visitar toda a cadeia, fazer auditorias em toda a cadeia para poder certificar o produto no final com aquele rótulo, com aquele selinho de orgânico. Como que é o sistema participativo? É a mesma norma, porém, as cooperativas e associações podem se credenciar diretamente no mapa e não precisa de uma certificadora. Uma associação, uma cooperativa, ela pode se credenciar, ela vai ter auditorias do mapa anualmente, o mapa vai fazer o mesmo tipo de controle que ele faz nas certificadoras e nos produtores vinculados as certificadoras. É o mesmo selo, é o mesmo valor de mercado. O que muda é a indicação do sistema participativo no selo. E você tem o que a gente chama de venda direta, onde o produtor vende diretamente ao consumidor em feiras, sem o selo. E esse produto de venda direta não entra numa cadeia de custódia numa cadeia de fornecimento que vai de produtor, indústria, embalador, etc. O produto orgânico tem que ser vendido diretamente, onde na barraca do produtor ele afixa o certificado dele, mas não usa o selo orgânico. O Brasil tem esses três sistemas, funciona e é uma opção bastante interessante. Tanto que nesse convênio com o Chile, O Chile também tem o sistema participativo, já há algumas tentativas de certificação participativa em vários países e esse acordo Brasil-Chile cobre tanto a certificação por auditoria como a certificação por sistema participativo também. Então aqui existe todo o detalhamento da lei do decreto 6323 e das respectivas instruções normativas editadas pelo mapa desde 2003, quando foi sancionado no Congresso a lei, e depois os decretos subsequentes, Todas as instruções normativas que regulamentam os mecanismos de controle, a produção vegetal e animal, as formas de processamento, extrativismo, o uso do selo, as normas de rotulagem, certificação de têxteis, aquacultura, cogumelos e produção de sementes também. Tudo isso demanda certificação. E tudo isso aqui demanda o que? Que os insumos usados para a produção destes produtos sigam normas e sejam insumos específicos para a agricultura orgânica. Já vou entrar um pouco mais nisso aí também. Então se nós olharmos hoje no Brasil, dos aproximadamente 17 mil produtores, nós temos aproximadamente 28% com venda direta. 31% a 32% com o sistema participativo e 39% com o sistema de certificação por auditoria. Então vocês vejam que também é um país que tem mercado e tem várias formas de acesso ao mercado orgânico dependendo da característica de cada produtor. O interessante é que praticamente Praticamente não, eu diria que todos os estados, talvez ali Roraima está um pouco fora, mas praticamente todos os estados do Brasil já contam com produção orgânica certificada. e alguns estados de uma forma bem densa com mais de 100 operações, mesmo no Nordeste, no Norte e principalmente no Sudeste e no Sul. Alguns estados com um número bastante grande de produção orgânica certificada já. E eu posso dizer para vocês que praticamente todos os produtos são certificados hoje. Desde as grandes culturas, commodities, como milho, soja, café, açúcar. Praticamente todas as hortaliças, inclusive aquelas mais difíceis, hoje, com tecnologia, você já produz batata e tomate e todas as outras hortaliças e verduras em escala bastante razoável, inclusive fora de estufa, campo aberto, você produz tomate e batata tranquilamente. Então, existe hoje um progresso, vamos dizer assim, tecnológico bastante interessante que está permitindo ao país ampliar bastante a sua produção orgânica. Surpreendentemente também, a entrada de produtos orgânicos nos lares é já bastante interessante e bastante significativo. Nós temos no sul um índice surpreendente aqui, que chega até 30%, 34%. Foi feito pesquisa em duas capitais, em Curitiba e Porto Alegre, só nas capitais. Então os pontos vermelhos indicam as capitais onde foram feitos pesquisas de mercado. E a região sudeste média, com 10% dos lares recebendo produtos orgânicos, Embora isso varia um pouco, por exemplo, São Paulo 10, Minas 18 e Rio de Janeiro 7. O Centro-Oeste, Brasil e Goiânia com 20 e 21% e o Nordeste com 15 e 20%. Isso não é de todo ruim, isso é muito interessante. Por quê? Porque apesar dos produtos orgânicos serem mais caros, eles tem uma demanda e tem uma presença efetiva nos lares brasileiros cada vez mais. Como que é o crescimento da exportação dos orgânicos? Eu preciso dizer para vocês que esses são dados parciais somente, porque, infelizmente, nós não temos uma codificação NCM específica para orgânicos. Quando você vai exportar, você tem uma codificação por produto e os orgânicos não recebem uma classificação de exportação específica. Então, do ponto de vista estatístico, isso aqui são estimativas e, no meu entender, são estimativas parciais e não completas, dando um total aqui de 150 milhões de dólares em 2017, onde eu pessoalmente acho que conseguiu-se fazer mais que isso. Mas, de qualquer maneira, são os dados que as pessoas ligadas ao setor conseguem levantar e trazer para a gente. A estimativa do tamanho do mercado brasileiro, em torno de 2017 e 2018, R$ 3,5 bilhões. ou 1 bilhão de dólar, um pouco mais, com estimativas de que em 2018 isso tenha chegado a 4 bilhões de reais, aproximadamente. Então vocês vejam que até 2010, 2011, esse mercado interno era praticamente inexistente e que em menos de 7, 8 anos você conseguiu levar de 500 milhões para quase 4 bilhões de reais. É um crescimento bastante interessante, bastante razoável e mostra até agora uma certa elasticidade, uma certa vontade, uma certa pujança de crescimento. Como que a gente pode observar essa questão das tendências? Eu fiz uma busca aqui, então o que eu posso dizer para vocês? Aquele processo de fusões, aquisições e crescimento das grandes indústrias, ele já começa no Brasil de forma incipiente, ainda em forma pequena, mas já se mostra que o Brasil vai se movimentar bastante, por exemplo, com uma empresa que provavelmente muita gente conhece, a Jasmine. Ela foi comprada recentemente por um grupo internacional, a Jasmine de Curitiba. A Mãe Terra, que também muita gente conhece, foi comprada recentemente pela Unilever. Jasmine e Mãe Terra representam hoje praticamente a liderança em venda de produtos orgânicos no Brasil, em termos de volume, em termos de faturamento também. Empresas médias como Monama e Emporio da Papinha, que é de baby food, fazendo fusões. Hortifruti e Frutos da Terra, que são redes de supermercado médios, vão investir em 12 novas lojas em 2019, onde já declararam que o orgânico faz parte do pacote, é um investimento de 80 milhões. E nós temos no Brasil a feira Biobrasil Fair, ou Biofar, porque ela é feita em cooperação com a maior feira de produtos orgânicos que fica na Alemanha e que alcançou a impressionante cifra de 40 mil visitantes em 2018 e 350 mil pessoas alcançadas com a mídia eletrônica deles. Então realmente mostra que em uma feira que dura quatro dias, você circular 40 mil pessoas em torno de um tema que se chama orgânicos e naturais, mostra realmente uma força que a gente, às vezes, não tem muita ideia do que está por trás de tudo isso. Se você não quiser falar de orgânicos, mas você quiser falar de sustentável, o caminho é praticamente o mesmo, só que não de forma tão clara e tão transparente para o consumidor ainda. Por enquanto, a certificação sustentável, então nós temos aí vários exemplos com soja, com cana, com palma, com algodão, nós temos já programas de certificação sustentável, Eu juntei aqui alguns exemplos, por quê? Porque a opinião mundial muda e 2020 é uma espécie de marco de virada, onde várias empresas multinacionais, pelo menos nesses setores aqui de palma e de café e de produtos de consumo Eles anunciam em 2020, vai ser o ano da virada, onde as multinacionais, essas listadas, estão se comprometendo a comprar produto certificado. Então, por exemplo, na Palma, É muito claro que a Unilever, a Bung, Oxiteno, Bayer, Mondelez já se declararam que a partir de 2020 somente comprarão produtos sustentáveis, certificados. Hoje em dia o McDonald's só compra café certificado pela Rainforest. Lipton também, Chás, Labrunier, uma fazenda de uva sem caroço na Bahia, que é uma das maiores, ela exporta uvas dessa empresa certificada Rainforest Alliance. Muitos comercializadores de café, eles só conseguem melhoria no preço se ele tem certificação UTZ. Então eu fiz aqui uma coleção de várias empresas multinacionais que de uma forma ou de outra já estão comunicando para os seus clientes que eles estão trabalhando com produtos certificados sustentáveis. Então, chegando no que interessa aqui, como que os produtores de insumos, como que os insumos estão sendo trabalhados no orgânico? Existem as listas positivas das normas. Então se nós fomos ali naquelas instruções normativas, principalmente na 18 para produtos processados, mas aqui para nós, para essa sala, principalmente na IN 46, você vai ter os anexos de insumos permitidos para agricultura orgânica. E é uma lista positiva. O que estiver nesta lista, vale, pode ser usado. O que não estiver, não vale. Então, o que o mercado escolheu há um bom tempo atrás? Alguns produtores de insumo, para facilitar a vida para os clientes deles, começaram a certificar esses insumos como adequados, aprovados para a agricultura orgânica. E há um bom tempo atrás o IBD lançou esse selo, e que é hoje líder de mercado em certificação para insumos, que é um programa de avaliação de insumos comerciais disponíveis no mercado, de acordo com as principais normas internacionais. Então se você vai no certificado e vai no rótulo do produto, ele te indica exatamente para quais mercados aquele produto pode ser usado. dá mais segurança, mais credibilidade, confiabilidade para os produtores e também coloca uma certificação de padrão internacional à disposição dessa empresa. Então a gente percebe um aumento na procura por grandes fabricantes de insumos em aderir ao programa de insumos do IBD. O surgimento de novas tecnologias de base biológica também tem contribuído para um aumento na procura desse sistema de certificação. Além disso, ocorre nesse momento uma aquisição de empresas com tecnologias verdes, que eu vou mostrar em seguida, por grandes empresas multinacionais, dando maior capilaridade na distribuição desses insumos no mercado. E você agrega ao conceito de certificação de qualidade desse insumo que é possível de ser usado no orgânico, você agrega um valor, um conceito de qualidade a este insumo que também vai poder ser usado evidentemente na agricultura convencional. Então existe um aumento nas vendas no mercado convencional em função da certificação. Programa de certificação específico no mercado para insumos utilizável para todos os mercados. Então a gente pode indicar com um selo quais os mercados ou todos os mercados cobertos. É muito importante a gente lembrar que não só a agricultura orgânica tem, hoje em dia, restrições a, por exemplo, resíduos de agroquímicos, limitação no uso de pecidas e químicos em geral na agricultura. Se você for falar com qualquer exportador de suco de laranja, por exemplo, existem severas restrições com relação ao tipo de resíduo que você pode encontrar nesse suco de laranja exportado. Se você for falar com exportadores de café, você vai ver que existem, principalmente no mercado europeu, restrições com relação a resíduo que você vai poder encontrar no café exportado nesse grão verde exportado. Então, a gente percebe, eu percebo isso em vários setores da agricultura, cada vez mais. auditorias particulares, investigação detalhada, analítica, e isso tende a o que? Tende a valorizar aqueles insumos que são permitidos na agricultura orgânica. É isso que a gente sente que está acontecendo cada vez mais. Então aqui eu anexo alguns poucos exemplos, onde recentemente a Bayer adquiriu a AgraQuest, que já vende seus produtos no mercado brasileiro de forma certificada. A Coopert comprou, adquiriu a Itaforte Bioprodutos, ela aqui de Piracicaba. Então, a Coopert ela está atuando bastante fortemente no mercado brasileiro com controle biológico. e onde a Agrinus e Singenta também fizeram uma parceria, fortalecendo a parceria e investindo cada vez mais nesse tipo de produto de controle biológico. Então realmente, o que a gente percebe também, que recentemente, e eu como agrônomo formado em 1980, eu posso dizer para vocês que nunca, eu como técnico, vivenciei saltos de qualidade em controle de pragas, controle de doenças tão grande como recentemente, bastante em função da questão do controle biológico, que existe hoje até controle biológico para nematóide, coisa que há poucos anos atrás não existia. Existem dezenas de milhares de micro-organismos de todos os tipos sendo atualmente estudados por praticamente todas as empresas no planeta. Micro-organismos uma empresa atuando e pesquisando aproximadamente, por exemplo, 40 mil micro-organismos num programa. Então, existe daqui pra frente um volume muito grande de tecnologias, vamos dizer assim, que vão mais nessa direção do orgânico e isso também se reflete aqui no crescimento do número de empresas certificadas pelo IBD de insumos, o que significa que são mais de 200, chegando a 250 insumos já, tipos de insumos, marcas de insumos certificados e mostra cada vez mais essa procura. No próprio site do IBD, você também tem um campo de busca específico, onde você pode procurar por tipo de certificação, por categoria de insumo, por finalidade de uso. Então, você pode procurar no site do IBD os insumos apropriados e aprovados nesse sistema de certificação. Então hoje nós temos aproximadamente 1.800 clientes certificados, significa mais de 5.000 produtores, porque alguns clientes englobam associações e cooperativas e vários fornecedores. Então engloba hoje mais de 5.000 produtores certificados em aproximadamente 26 países. que é o trabalho todo que envolve hoje o IBD e que é uma empresa 100% brasileira e com todos os reconhecimentos de certificação para orgânico e vários reconhecimentos para certificação sustentável dentro desse nosso programa, dentro dessa empresa. Então, aqui mostra um pouco da evolução das conquistas de acreditações. Então, vocês vejam que para o mercado europeu desde 1999, que nós temos a acreditação, para o mercado norte-americano desde 2002, Significa que a partir desses anos foi quando a gente conseguiu a acreditação e acesso a esses mercados, mas já tínhamos antes porque foi quando foram lançados. Nós fomos pioneiros também, entramos nas primeiras levas de acreditação junto com as certificadoras dos países respectivos. E vocês vejam que foi a partir de 2010, 2011 que começou o programa brasileiro. e as outras acreditações para os outros programas de sustentabilidade. Era isso que eu tinha para falar para vocês. Muito obrigado pela atenção. Estou aqui, mais tarde, à disposição para vocês, junto com meu colega Álvaro Garcia, se quiser levantar a mão, para conversar com vocês e dar maiores esclarecimentos. Muito obrigado. Obrigado. Obrigado pela sua palestra, pelas suas explicações.

Alexandre Harkaly

2019 - Abisolo

Palavras-chave:

orgânico, produção vegetal, sustentável, insumos

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