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Visões das indústrias de fertilizantes especiais e da academia

Resumo

Mesa redonda realizada por Rosely Loiola (ICL) – Sônia Maria de Stefano (ESALQ) – Juliana Souza (Yara Brasil) – Adriel Fonseca (UEPG) – Gustavo Branco (Haifa), durante o IX Abisolo Fórum e Exposição realizado em 2022


Transcrição

Eu vou convidar aqui os nossos quatro palestrantes que vão falar conosco, vão provocar aqui um debate que tem como tema a evolução do agronegócio brasileiro e as demandas de qualificação do profissional de ciências agrárias, foco em nutrição vegetal. Então eu quero convidar aqui os nossos painelistas que é a Juliana Souza, gerente de recursos humanos e business partner, por favor, dê uma salva de palmas a ela. Ela é business partner da Iara Brasil. Obrigado, Juliana. Gustavo Branco, CEO da Raifa do Brasil e vice-presidente da Absolo, também estará conosco aqui. Aqui está. Podemos dar uma salva de palmas ao Gustavo. Sônia Maria de Stéfano Piedade, professora associada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Exalc. Aqui está a professora, já estivemos juntos. E também, o professor Adriel Ferreira da Fonseca, professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa já esteve aqui conosco mediando aqui o último debate. Podemos dar também uma salva de palmas a ele. Aqui estão os nossos panelistas. Professor, por favor, aqui é seu lugar. Aqui estão os nossos panelistas. Cada um de vocês terá 10 minutos para fazer uma exposição sobre o tema. O William ficará aqui ao centro. Nós temos ali uma câmera que está mostrando vocês aqui nos telões em cima, para facilitar, então, a visualização. O William vai estar com vocês e depois da exposição de cada um de vocês, o William vai mediar o nosso bate-papo, o nosso debate, provavelmente as perguntas da nossa plateia. A eleição aqui do primeiro a falar foi o professor Adriel Ferreira da Fonseca. Já recebeu os nomes aí, William? Já, ok. Então, o professor Adriel será o primeiro a falar. Por favor, professor, fique à vontade. Dez minutos, se puder ser cinco, será ótimo. Já cortaram 50%. Adrian, por favor. Ótimo. Muito bem. Boa tarde a todos. Boa tarde, William. Boa tarde, colegas que compõem esse brilhante painel. Boa tarde aos nossos congressistas, nossos patrocinadores. O tema é bastante polêmico. Logo, o primeiro a falar, depois da sua brilhante explanação, Eu gostaria de chamar a atenção em dois aspectos básicos que no nosso entendimento não está correto na formação do profissional, particularmente o engenheiro agrônomo, que eu acho que a maior parte do público técnico aqui é agrônomo ou das áreas correlatas em ciências agrárias. Primeira questão é a seguinte, na maioria das universidades brasileiras, os concursos, as constatações, ocorrem pela titulação. Quer ser um professor, doutor. Mas a primeira pergunta que eu faço é o seguinte, e eu senti essa dificuldade, já estou há 15 anos na academia. Escrever paper, gerar tese, é uma coisa. Ser engenheiro agrônomo é outra coisa. É possível Eu faço experimentos em vasos para explicar o fenômeno, mas eu quero fazer uma chamada. É possível fazer graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado em casa de vegetação. Como eu vou dar uma aula no campo, como eu vou falar das minhas dificuldades como profissional de nutrição de plantas, em pleno cerrado brasileiro, 5, 10 mil hectares de soja, treme na base. Primeira questão, então eu acho que o modelo de contratação de professor universitário no Brasil na área técnica, ter a formação é pré-requisito, ter um doutorado sou plenamente de acordo. Agora ele tem que ter pelo menos uns 4, 5 anos de experiência como um profissional para ele poder ensinar e ele primeiro é engenheiro e depois ele é o cientista ou especialista no determinado assunto. Essa é a primeira crítica que eu faço. Então nós estamos formando muitos profissionais nas áreas técnicas que são puramente teóricos. Aí quando chega o empresário, ele vai montar sua empresa na cidade A, B, C, no interior, vai ficar a culpa só do aluno. Não, nós temos que aceitar a nossa culpa. E como membro Ex-membro de pró-reitoria da universidade que eu me formei, eu fui diretor de pós-graduação. Conheci 44 universidades no Brasil, pública e privada, durante os quatro anos. Eu noto que as nossas universidades usam muito mal algo que ela tem, a autonomia. Qual o caminho que ela vai trilhar? Quantas universidades, às vezes públicas, que a Associação Comercial Industrial tem participação efetiva do conselho universitário, ou seja, no seu órgão mais elevado de tomagem de decisão. Então esses aí são dois fatores que obviamente concordo que o Willian falou, o nosso problema da qualidade do jovem que está chegando na universidade é indiscutível, educação, mas nós estamos falhando na contratação dos nossos professores, E nós estamos falhando também como sociedade. As universidades, nós temos USP, UNESP, UNICAMP, que são universidades extremamente importantes que renomem o país. Mas eu represento uma universidade em uma cidade de aproximadamente 400 mil habitantes, e nós temos várias universidades pequenas ou porte-média, que é o principal centro de desenvolvimento da sua região. Então as pessoas daquela região tem que interferir de modo a ter o profissional formado ali, porque condições nós temos. E a última crítica que eu faço em relação aos nossos conselhos de classe. Como ex-conselheiro federal do CONFEA, eu confesso aos senhores e senhoras que a cada dia está surgindo um curso de agronomia novo no país e nas outras áreas de engenharia. Os conselhos não são convidados, eles só ficam sabendo que surgiu mais um curso e tem que conceder crédito para quem se formou. A qualidade não é mais importante. Aliás, na área de agronomia, nós temos em torno de 120 mil vagas por ano, são ofertadas. Mais de 90% EAD, à distância. Nós só não temos mais agrônomo desempregado, porque essas vagas EADs, elas não são preenchidas. Digamos que seja um milagre isso daí, né? Perfeito? Senão, jamais nós iríamos ter um controle em relação à qualidade do nosso aluno. E finalmente, encerrando, eu acho que já passei os meus cinco minutos. Quando nós vamos comprar um... Hã? Dez. Quando nós vamos comprar um carro, nós fazemos cotação, olhamos o modelo, perfeito? Você compra o carro, se aparece um ruído, você vai na concessionária, você vai reclamar. Você utiliza os diferentes órgãos que tem de defesa do consumidor. E que garantia nós, universidade, damos ao nosso aluno, quando ele vai escolher o curso, a garantia de qualidade de inserção profissional. Ou que ele vai ter o mínimo de conhecimento para que vá disputar uma vaga em uma ou outra empresa, ele tem essa habilidade. A gente só vê um plano pedagógico, você vai ter essa disciplina A, B e C, às vezes não estão devidamente organizadas, Mas e que segurança que eu tenho? Como que eu vou comparar a instituição A com a instituição B? Então é preocupante. Nós às vezes nos preocupamos com o carro que vamos dar para os nossos filhos, mas não nos preocupamos com a universidade que ele vai passar cinco anos e vai carregar aquele título para frente. Eu gostaria de fazer essa provocação, eu acho que sou uma das pessoas que Fico até um pouco tímido a falar do lado da professora Sônia, que foi minha professora na pós-graduação, mas eu procurei, professora, fazer uma crítica em relação ao que os conselhos devem fazer para trabalhar na qualidade. Há projetos para fazer exame de ordem, por exemplo, das engenharias pelo CONFEA. Se isso vai acontecer é outra história, mas tem projetos, a gente acompanhou isso aí. E dizer que nós como universidade usamos muito mal a nossa autonomia para ter um profissional para atender a demanda do mercado. E fico extremamente preocupado com o investidor. Coloca dinheiro no país, com a insegurança jurídica muito grande e agora a gente tem segurança se teremos o profissional a altura esperada. Muito obrigado. Adriano, obrigado pela nossa ordem. Agora a Juliana, seus 10 minutos. Perfeito, boa tarde. Acho que eu trago aqui um ponto de vista um pouco diferente, um outro olhar, por outro lado. Não venho da universidade, estou aqui representando uma empresa que contrata os profissionais que saem da universidade. Então, estou do mercado de agronegócio, sou representante de RH. de uma empresa do agronegócio e esses profissionais que saem da universidade vêm buscar oportunidades nas nossas empresas, não só na minha, de muitos aqui hoje. Algumas das coisas citadas pelos colegas anteriores, pelo William, foi a questão de autonomia. e da baixa qualificação e sobre a autonomia eu gostaria de fazer um parênteses aqui. O quanto também cada um de nós como profissionais a gente também deveria buscar além do que a universidade oferece o conhecimento disponível porque hoje a digitalização que está presente no campo também está presente em todos os setores e é muito mais de fácil acesso hoje a informação para todos nós. o quanto a gente deveria, cada um de nós como profissionais, ser capazes de buscar outros conhecimentos, conhecimentos diferentes que complementem o que vem da universidade, que complemente o que vem da nossa educação básica, que como já citado aqui anteriormente, é precária hoje no país. o quanto a gente é capaz hoje de ter acesso a mais informação e complementar a nossa formação. E aí vem o que é muito buscado hoje pelas empresas, que é essa competência, essa disponibilidade do acesso, de ir atrás de mais informação. O empreendedorismo e o intraempreendedorismo dentro das empresas vem da capacidade de identificar problemas, identificar oportunidades e encontrar soluções para esses problemas, que é o que muito, o que as empresas buscam hoje. Profissionais capazes de identificar esses problemas, propor soluções, identificar oportunidades, de ter um pensamento diferente, de trazer visões novas, trazer múltiplos saberes. Então, a informação está disponível, vai além dos muros da universidade, vai além do que a gente teve acesso na informação básica. Então, acho que isso é um ponto importante, o quanto a gente está indo atrás dessa informação que hoje está aí para a gente ter acesso. Outro ponto que eu gostaria de destacar é a questão de uma visão holística. Aqui, a gente vai na universidade e aprende uma universidade técnica, quando a gente fala da engenharia agrônoma e a gente aprende coisas fundamentais para a nossa profissão e essa é a base, sem dúvida nenhuma. Além disso, quando a gente vai para uma empresa, a gente passa a ter contato com vários outros processos, de várias outras áreas muito importantes da sociedade. Então, o quanto é importante essa visão fim a fim. O quanto é importante uma visão holística dos processos da empresa onde a gente trabalha, que vai muito além da função que a gente desempenha hoje. Então, eu como profissional de recursos humanos, Não deveria conhecer apenas os processos relacionados à minha área. Como é que é para as pessoas do campo? Como é que é para a área comercial? Estar frente a frente com os nossos clientes. Quais são as dificuldades que a área comercial enfrenta? Quais são as necessidades do cliente que eu atendo? Porque, no final das contas, o meu cliente não são só meus clientes internos. São os clientes que estão no campo. Então, o quanto é importante a gente ter essa visão mais ampla, que vai muito além da nossa área de atuação. E isso cada um é responsável por buscar. Eu preciso saber como é a cadeia logística da empresa onde eu trabalho. Quais são as dificuldades logísticas que eu tenho para que a matéria-prima chegue à minha empresa, que eu possa produzir meu produto e finalmente possa entregá-la para os clientes num país de dimensões continentais que nós estamos com vários desafios também da parte logística. Então essa é outra questão, a possibilidade de a gente ter uma visão holística do mercado, da necessidade do cliente. Quando a gente passa a ter isso, a gente possivelmente vai começar também a ser mais crítico, fazer mais perguntas. Que essa é outra característica fundamental, no meu ponto de vista do profissional hoje. Uma visão crítica, fazer perguntas, questionar, não aceitar que as coisas são como elas são e assim deveriam ser. o quanto a gente vai conseguir mudar e transformar o mercado se a gente simplesmente aceitar as coisas como elas são. Então, essa capacidade de questionar, de fazer perguntas, é o que muitas vezes a gente espera que a universidade desenvolva, a educação desenvolva, e se não for dessa forma, o quanto nós, empresas, também devemos estar abertas para isso. Porque o intraempreendedorismo só acontece se a gente também é aberto para o erro. O erro está diretamente ligado a um processo de inovação, que é o que a gente espera no empreendedorismo. Então nós, como organização, também temos que ter espaço para o erro. Ter espaço para questionar, como é feito hoje, tentar de uma forma diferente. E quem sabe errar. E o mais importante é aprender rapidamente com os nossos erros. Então, eu acho que todas essas questões são bem importantes hoje no mercado de trabalho, fundamentais para serem observadas, um pensamento crítico, uma visão holística, a capacidade de questionar. De ser empreendedor das nossas carreiras e dentro das nossas organizações. Ir atrás de informação. Ter essa iniciativa. Então, eu acho que são características fundamentais do profissional hoje, que muitas vezes não vêm desenvolvida da educação. E que a gente como empresa também tem responsabilidade de desenvolver, não só quem está chegando, mas quem também já está no mercado de trabalho, quem já está com a gente há muito tempo. O mercado está mudando muito rapidamente. E se a gente não se transformar junto com ele, a gente é atropelado. É atropelado por novas empresas, é atropelado por novas tecnologias, é atropelado por outros países que vêm com questões diferentes. e chegam aqui no Brasil trazendo um ponto de vista muito diferente do que a gente está acostumado a viver aqui. Então, acho que são os pontos iniciais aqui que eu gostaria de contribuir para a nossa discussão. Obrigado, Juliana. Pela minha ordem, agora é a Sônia. Você, Sônia. Não sei se está assim. Bom, inicialmente eu queria agradecer a oportunidade de estar aqui. Eu venho como coordenadora do curso de engenharia agronômica da Exauc, uma escola que hoje, amanhã, completa 121 anos. Ela é mais antiga do que a Universidade de São Paulo e uma escola cheia de tradições. Eu estou na coordenação há quatro anos e achei que devia falar um pouquinho do nosso curso e do que ele vem fazendo para acompanhar as tecnologias, agricultura digital, atualização, achando que nós cumprimos, sim, com o nosso dever. Colocar jovens no mercado de trabalho é uma responsabilidade muito grande. E nós docentes, eu me formei na mesma escola, já tenho 41 anos de formada, esse ano eu completo. Eu não acredito que os nossos alunos saiam de lá incapazes de assumir algumas profissões e algumas atividades dentro da área da engenharia agronômica. Eu ainda acredito nesses profissionais. Claro que não depende só do docente, depende do aluno também. A universidade vai fornecer condições para que ele desenvolva tudo isso, mas as pessoas são diferentes. Uns são mais atirados, outros são menos e desanimam fácil. O jovem hoje é muito imediatista, ele acha que tudo tem que ser rápido e nós estamos assim em função da vida que levamos, tudo tem que ser rapidinho o retorno de tudo isso. Bom, eu acredito que aqui muitos passaram pela Exauc, ou na graduação ou na pós, eu já encontrei alguns alunos ali, o que é muito bom. E sabem que nós, na Universidade de São Paulo, a primeira turma de engenharia agronômica da Exauc saiu em 1903? E sempre buscando a excelência. Nós continuamos assim. E excelência em ensino, pesquisa e extensão. Então, nós não fazemos diferença nisso. Claro que o Adriel comentou, falou na sua fala, citou um comentário e eu acho extremamente importante. Nós temos que prezar pelas nossas contratações e eu venho batendo muito nisso. O indivíduo que exerce uma profissão numa universidade, antes de mais nada, ele tem que gostar de ser professor. Ele tem que ser docente. A universidade existe porque é docente. A Exauque existe porque o Luiz de Queiroz, que era um visionário, doou a fazenda São João da Montanha para que fosse montado um curso de engenharia agronômica. E se esse curso não existir, a escola não existe mais. Os sete cursos de dentro da escola, os outros seis saíram de dentro da engenharia agronômica. Então, o nosso curso é o carro-chefe da Exalc, com certeza. Os outros cursos estão dentro e dentro do curso de engenharia agronômica, se a gente formar um aluno generalista, ele tem opções hoje. Além do bacharelado, ele tem a licenciatura em ciências agrárias, ele pode escolher uma das sete áreas de concentração e a produção vegetal é uma delas. Ele pode fazer intercâmbio no exterior, fazer estágios no país. estágios curriculares ou não, estágios intercâmbios com outros países. Nós temos convênio a universidade com 81 países. Além disso, fornecemos a dupla diplomação para aquele que quiser ir para a França e ter os dois diplomas. Então, as universidades, as oportunidades que nós temos dentro da Universidade de São Paulo, eu estou dizendo mais dentro da Exau, que estou aqui para isso, é muito grande. Nós somos um curso de cinco anos e durante esses quatro anos de coordenação, e vou ficar mais dois, fui reconduzida agora, nós temos que nos atualizar sempre. Essa grade é revista periodicamente. Então, uma tecnologia nova, o processo digital, tudo isso está incluído na nossa grade. dentro de disciplinas específicas, mas sempre atualizando e melhorando o que a gente tem. Isso não quer dizer que eu vou mudar a grade. Não, eu vou adaptar para acompanhar a evolução do mercado. Bom, eu queria comentar com vocês o seguinte, se eu pudesse voltar e escolher uma profissão, eu faria de novo engenharia agronômica. Por quê? Porque a carreira é ampla, o mercado é aquecido e os profissionais são capacitados sim. Os que treinam e os que estão aí para serem treinados, eles têm que ser motivados. O que eu estou dizendo isso? Eu dou aula de cálculo e de estatística. Eu dou aula de uma disciplina básica que o aluno chega lá falando assim, eu queria fazer biologia e não matemática, eu não gosto disso. Mas ele foi fazer engenharia agronômica e ele tem que aprender primeiro as disciplinas básicas. Se eu lançar no mercado um profissional que tenha uma especialização, mas não tenha base, Esse profissional não funciona. Ele tem que ter base sim na matemática, na biologia, na física, na química e eu faço uma aula numa disciplina do curso de engenharia agronômica sobre ciências básicas. Não tem como tirar isso deles. O indivíduo que não que quer continuar, por exemplo, ele saiu generalista, mas ele quer fazer uma especialização, ele vai fazer uma pós-graduação, ele vai embora fazer um pós-doc em algum lugar. Então, eu ainda acredito nos nossos alunos. Claro que nós temos que ter essa interação. Aluno, professor, empresa. As empresas que têm convínio conosco, que são muitas, eu até perguntei para alguns aqui, já andei conversando, os nossos alunos, vamos buscar estágio com eles sempre. E chega para mim como coordenador, eu divulgo, nós temos um jornalzinho que chama Exalcnet, onde sai todas as vagas para esses alunos. Claro que depende do interesse dele também ler o jornal, não adianta eu colocar isso lá se ele não vai atrás. Então oportunidades não faltam. Desenvolver o pensamento crítico, a gente tem que provocar e ele tem que ter interesse. O que eu sinto hoje, e eu tenho filho nessa idade, eles são acomodados, eles fazem o suficiente para sobreviver. E imediatista. Então, se aquela área não deu certo, aí eu vou trabalhar em outra coisa que eu gosto, que não é exatamente isso. E eu fico brava com isso, porque eu acho que se você passou cinco anos estudando aquilo, agora mudar de área, o que é isso? É um pecado. Então, eu sou a mãe ruim lá em casa, porque eu que cutuco. O que mais que eu tenho que conversar com vocês? Eu acho assim, o papel da universidade é formar sim e com consciência disso. O indivíduo vai trabalhar na pesquisa, na docência, na empresa, não importa. Eu dou aula de estatística experimental, o professor Adriel assistiu as minhas aulas de estatística experimental da POS. O pesquisador, ele tem que gostar do que ele faz. É bonito dizer eu sou pesquisador. Não, ele tem que pesquisar de fato e entrar dentro daquele problema pra poder saber o resultado. E não fazer o experimento meia boca e depois correr pra fazer análise lá comigo pra que eu dê um jeito naquilo que ele fez. Não é isso. A principal aula de uma estatística experimental é planejar o experimento. Então, eu tenho preocupações, mas acho que estamos fazendo o nosso papel. Tivemos uma fase difícil, a pandemia, passamos dois anos sentados numa cadeira, os que foram meus alunos aqui sabem. Eu vou pra lousa, eu gosto de matemática na lousa. Eu tinha três disciplinas quando nós entramos na pandemia e eu tive que fazer slide, eu não tinha um slide. Eu dava estatística experimental da pós, cálculo 1 para os ingressantes da engenharia agronômica e estatística climatológica da outra pós-graduação da Exauc. Disciplinas diferentes, que eu ia para a Lousa para as três. Então foi muito difícil. Eu acho que nesses dois anos a gente Não vou dizer que fingiu que ensinou, a gente ensinou, a gente se empenhou pra isso. Mas sabe que não é a mesma coisa, eles não aprenderam a mesma coisa. A nota subiu, a reprovação abaixou, mas o aprendizado também abaixou. E o reflexo disso vem vindo agora. O cálculo 2 vai mostrar o que aconteceu no cálculo 1 no semestre passado. Então, graças a Deus, voltamos para a sala de aula, usando os slides que fizemos na pandemia. Eu detesto slide, eu escrevo tudo na luz e depois mostro o slide, para ele saber duas vezes o que a gente tem que aprender. Então, eu sou um pouco otimista, acho. Eu sou entusiasta. Eu acho que aquilo que o professor Adriel comentou, Quatrocentos, mais do que isso, eu não sei o número exato, mas temos mais de quatrocentos cursos de agronomia no país. Como é que eu ensino agronomia à noite ou à distância? Então a gente tem também pressionado os nossos representantes lá no MEC, porque como é que aprova um negócio desse? Eu não sou contra a escola, quem está dando aula, mas é impossível ensinar agronomia. A noite ou online, eu não consigo imaginar. Agora, ainda tem gente fazendo coisa certa. Nós estamos primando pela excelência no tripé, ensino, pesquisa e extensão. Eu acho que nós temos que fazer hoje com essa história da pandemia, tem muito aluno com problema Não vou dizer, não sei se esse é o termo correto, mas o William disse que ele é da área de humanas. Tem muita gente com problema psicológico, tem aluno largando o curso à toa. Eu como coordenadora de curso, só para vocês saberem o que eu faço, na primeira semana eu faço recepção dos alunos. No fim do mês agora eu vou participar da feira de profissões da USP. Eu dou para os ingressantes da Exalc o meu WhatsApp para todos. Eles escrevem, eles ligam, eles fazem o que eles precisam. Então, o que falta hoje é proximidade. Além de ser um docente, eu tenho que ser um exemplo. Eu tenho que estar lá mostrando pra ele o que ele tem que aprender. Eu não posso ter uma postura errada, uma atitude errada, um professor não pode fazer isso. É imperdoável um aluno se basear num professor desse tipo. Então, talvez eu discorde um pouquinho de algumas coisas. Eu acho que nós temos um mercado extremamente aquecido. A Exalc libera 200 engenheiros agrônomos por ano. E o período deles na escola é cinco anos, e uma coisa que tem acontecido muito ultimamente, eles esticam esses cinco anos até sete, porque eles podem fazer mais estágio, mais intercâmbio, eles aproveitam mais a escola. No começo a gente ficou, será que é reprovação? Não, a gente vai olhar, não, o bom aluno tá ficando. Quer dizer, é ali que ele vai aprender, que ele vai aproveitar. E eu acredito, nós temos pessoas muito diferentes. O bom aluno, ele sozinho, ele caminha. Você orienta, você ajuda, mas ele vai. Alguns não têm interesse. Outros, o que eu tenho sentido ultimamente, o ingresso é pela FUVEST e pelo ENEM. Alguns escolhem pelo Enem, porque vocês já devem ter acompanhado como funciona. O número de pontos que ele fez, ele pode jogar para cursos que ele consegue fazer com aquele número de pontos. Mas, às vezes, ele não tem afinidade nenhuma com aquele curso. Então, temos algumas evasões que são muito poucas no curso de engenharia agronômica, mas o indivíduo entrou para fazer engenharia agronômica e queria design. Então, ele tem que ir embora mesmo, eu também acho que ele tem. Então, eu oriento nisso. Enfim, eu sou entusiasta, eu acho que otimista, eu ainda acho que estamos fazendo o nosso papel. Eu dou aula, além do conhecimento, com o coração. E vou conversar com vocês sobre isso. Muito obrigada pela oportunidade. Obrigado, Gustavo. Seus dez minutos. Não tem muita coisa para se falar depois de tanta informação muito bem colocada, mas eu queria trazer aqui um pouquinho do que nós estamos vivendo hoje. Todo mundo está falando bastante de uma palavrinha chamada disrupção e tudo isso traz questionamentos sobre como a gente deve enfrentar a necessidade de se adequar e criar essa condição de flexibilidade e velocidade de adaptação. É Darwin já falava, a evolução é aquele que melhor se adapta, não o mais forte. E nesse sentido a gente está percebendo isso na pele depois de uma pandemia, depois de vários problemas que não tem absolutamente nada a ver com o nosso dia a dia, que estão nos afetando diretamente. E como representante do empresariado aqui na discussão, eu queria dizer que as empresas passam pela mesma coisa. Nós temos que ser flexíveis, adaptáveis, temos que criar tecnologia, a gente tem que crescer cada vez mais e melhor, gerando riqueza para a sociedade, para os acionistas, para os funcionários e, no final do dia, todos somos seres humanos. E, no final das contas, a gente reúne toda essa informação numa situação única e simples, comportamento. Nós questionamos tantas coisas, se a universidade vai fazer, se a gente vai ter o conselho, se a pessoa vai buscar a informação que nem sempre é transformada em conhecimento, sendo conhecimento se transforma em resultado, se transforma em alguma coisa que foi efetivamente utilizada para gerar algum bem. No final das contas, tudo isso está vinculado ao que eu quero fazer. Como é que eu quero trilhar a minha vida? E nesse sentido, a pressão que a gente recebe hoje, da vida como um todo, todos nós estamos recebendo essas pressões, questões que às vezes não fazem sentido pra gente, a gente traz pra profissão e tenta entender como é que nós solucionamos isso. Então, vem aquela máxima que diz o seguinte. Tentar fazer a mesma coisa tentando o resultado diferente é loucura. Nós temos que ser diferentes. Nós temos que começar a pensar o que a universidade tem que entender com a velocidade que a área de implantação de tecnologia está demandando. O que todas as indústrias que estão trazendo tecnologia para o mercado tem que dar de subsídio para a universidade entender o que nós estamos inventando. Todo esse sistema tem que dar condição para que essa informação seja disseminada. Chegue a todas as pessoas, dando capacidade de escolher. Realmente, é difícil a gente chegar e tomar uma decisão sem ter base, sem ter condição prévia de capacidade do que realmente vai acontecer. Porque nós somos livres para tomar qualquer decisão, mas prisioneiros das consequências. Viu essa frase? Adorei. E é verdade. Pode até terceirizar o resultado, mas a consequência vai chegar. Então, nesse sentido, eu acho que a gente precisa pensar juntos, todos os segmentos, da mesma forma com que a gente entende a nossa posição nessa cadeia. Então, o empresariado está tentando, claro, sempre buscar protagonismo, excelência, pioneirismo e a maior faixa possível do market share. Não somos culpados também. Com esse tipo de provocação e imposição, a gente exige às vezes coisa que o candidato chega, que não tem nada a ver com a profissão dele, mas ele tem que saber. Se ele não souber, vai ser complicado a gente dar continuidade com uma série de pressões que nós estamos, com redução de custo, com informatização, com problemas de qualidade de prestação de serviço que vem de outra parte da cadeia, onde eu tenho que subir e puxar para ser melhor que o meu concorrente, senão eu fecho as portas. Eu entendi interessante que você falou da questão do erro. Errar é humano, já diziam os filósofos. Só que na agricultura, você pode perguntar para qualquer produtor, se ele errar, ele perdeu a safra. Ele tem que ser o mais preciso possível para fazer aquilo que ele, e dizia um amigo meu, agricultor, um herói que enterra dinheiro e reza para chover na hora certa e na quantidade certa. Óbvio, as tecnologias vieram para diminuir esse risco. Agora, como é que eu administro a capacidade de cada um que vai tentar fazer toda essa cadeia funcionar, sendo que a cada dia que passa nós temos um distanciamento entre expectativa e entrega? Eu quero contratar uma pessoa que tenha doutorado, que saiba falar cinco línguas, que tenha todas as condições específicas de especialização para conseguir discutir com um cientista da NASA e quero pagar cinco mil reais por mês para ele. Existe uma série de questões conjunturais que a gente ainda precisa resolver. Ele falou muito bem, o profissional no Brasil é muito caro por uma série de circunstâncias, mas às vezes por falta de opção. Nós estamos crescendo muito rápido no setor água. Claro, está faltando mão de obra, com certeza. Por quê? Porque nós precisamos melhorar a profissionalização para receber as novas tecnologias que provaram e nós estamos num congresso justamente para isso, para justificar que a tecnologia traz resultado para toda a cadeia, só que Quem é aquele ser humano, aquela piscina, mesmo na época da videoconferência ainda existe aquela pecinha que fica entre o teclado e a cadeira. Quem é esse cara que vai fazer tudo isso funcionar? Como é que a gente vai conseguir dar condições adequadas para ele se formar, para ele interpretar o que ele quer fazer em termos de profissão, como é que ele vai continuar o conhecimento que ele recebeu na faculdade, porque a faculdade em cinco anos não é suficiente para passar toda a informação que a gente recebe. Nós, empresários, pessoas, jornalistas, O Willian acabou de falar, ele fica 24 horas ligado, o que aconteceu no outro lado do mundo tá aparecendo no celular dele agora, o tempo inteiro sendo bombardeado de informações que nem sempre são conhecimento, nem sempre são úteis, mas nos incomodam em saber, o que eu faço com isso? Então a gente está passando por uma época de disrupção que traz uma necessidade que a gente precise integrar toda a cadeia de conhecimento para transformar isso em resultado. E aí todos os atores precisam se envolver. Seja a academia, seja a iniciativa privada, seja o governo, seja a população. Muito bem, a população precisa se envolver. O que a gente sofre hoje, a consequência daquilo foi escolhas. De novo, somos livres para tomar as decisões, mas somos prisioneiros das nossas escolhas. Eu acho que nós estamos passando por uma época de disrupção muito forte, onde nós temos que pensar o que fazer diferente. Nesse sentido, existem algumas alternativas que já estão sendo feitas. E eu acho que a gente pode tentar maximizar. Algumas associações estão criando universidades para ajudar a transformar a informação em conhecimento. Associações estão se aproximando do governo para justificar criação de marcos regulatórios e entendimento do que significa essa evolução, mitigando o risco de adoção de alguma coisa que possa não trazer aquilo que a gente quer, que é geração de riqueza. E as universidades criando parcerias cada vez mais próximas. O professor Assuna falou muito bem, as universidades estão se ligando. Ótimo! Como é que a gente transforma isso em resultado da melhor maneira possível para mostrar de fato e de direito o protagonismo que o Brasil tem no setor agro do mundo? É um desafio muito grande. Não tem resposta certa. Não tem uma fórmula de bolo. Não tem dizer o currículo mais interessante para mim é esse. Porque no final das contas pode ser que eu contrate uma pessoa que não tem nada a ver com isso e ele seja interessante. Acho que muitas pessoas me conhecem, mas tem muita gente que não me conhece. Eu tô no agro desde 2008, eu sou engenheiro aeronáutico, apaixonado pelo agro. Mas tive que me reinventar. Ou seja, se a pessoa olhasse pra mim e falasse, o que você tá fazendo aqui? Você não tem nem informação. Como é que eu chegaria a ser hoje o senhor de uma multinacional? A gente tem que saber utilizar a informação que a gente recebe pra gerar resultado com ela. Mas, de novo, isso é comportamento. E, infelizmente, o comportamento da sociedade é questionável hoje em dia. Parece, mas não é difícil encontrar um denominador comum entre essas quatro interessantíssimas colocações. O denominador comum está em torno do que vocês abordaram em cada, praticamente em cada frase, que é o peso das transformações que vêm, sobretudo, pela inovação tecnológica. Se nós temos aqui quase que dividido como uma trincheira, sem querer, quem emprega e quem forma quem vai ser empregado. A pergunta óbvia que está parada no alto, no de pé, é a seguinte, começando por você, Sônia, e não é à toa. A gente ouviu os relatos dessa demanda fortíssima do mercado de trabalho, diga-se empresas, por alguém que seja capaz de fazê-las acompanhar a inovação tecnológica, sem o que elas não sobrevivem. Ao mesmo tempo, a gente ouve de quem vem da academia a reiteração de que muito depende do esforço individual, coisa que faltou também. Mas depende também de uma, digamos, orientação institucional que leve em consideração o que a empresa barra mercado considera que é essencial para a sobrevivência, que é a capacidade de adaptação à transformação tecnológica, que é hoje a grande explicação para quem fica e tem sucesso neste segmento especificamente e quem não sobrevive. Em que medida você considera que o trabalho que a academia faz, Sônia, atende a essa demanda das empresas e do mercado por profissionais ou, digamos assim, por egressos de instituições acadêmicas que sejam capazes de atender essa demanda? Eu vou falar até com certa comodidade sobre esse assunto, porque como eu comentei com vocês, por ser uma escola centenária, nós temos inclusive uma associação de ex-alunos da Exauc, da Luiz de Queiroz. E nós temos cadastros de egressos, chamamos egressos, fazemos incorporação desses egressos em disciplinas. E, além disso, os nossos docentes, aqui tem alguns, eles estão se capacitando sempre em contato com empresas. Então, logo que eu cheguei na coordenação do curso, eu não sou uma pessoa que dou assessoria, não sei, assessoria estatística para análise de dados, mas eu tenho colegas que trabalham diretamente com empresas e eles trazem isso para as disciplinas deles. Então, quando eu comentei a interação universidade, docente, aluno, empresa, é extremamente importante. Nós não podemos viver separados. Nós temos que lançar no mercado os indivíduos motivados, capacitados e que gostem do que faz. Sônia, essa é a proposta teórica, doutrinária, que eu acho que qualquer um aqui nesse ambiente endossa. A pergunta é, isso está acontecendo? Está acontecendo. Está, Juliana? agora não não está acontecendo na academia né eu peguei o que eu tô abordando a integração na minha empresa e acontece nós temos um setor de estágios de bolsas estágios a exau que tem convênio eu não sei o número exato mas era 80 coisas de empresas trabalhando junto com a universidade então oferece bolsa Eu sou um exemplo disso. Eu fui estagiária desde o primeiro ano da ISAUC de uma instituição, onde eu fui contratada e trabalhei seis anos antes de vir para a ISAUC. Eu acho que a universidade dá uma base e, claro, existem academias melhores e aquelas com oportunidades de melhoria. Mas, de novo, a professora falou uma coisa muito interessante sobre a motivação. E motivação é algo intrínseco. Nem a academia nem a empresa é capaz de dar motivação para as pessoas, porque a gente depende que as pessoas tenham essa motivação. Sobre a digitalização, as mudanças são muito constantes. Dificilmente universidades ou empresas conseguirão acompanhar a velocidade que as coisas estão se transformando hoje em dia. Eu acho que isso é uma ilusão. E aí de novo vem a importância de uma atualização constante da academia, das empresas e do profissional de ir atrás dessas informações. Eu acho que sempre existe oportunidade para melhoria. Então, acho que essa relação, essa conversa é fundamental e deve continuar acontecendo. Acho que a gente não está no melhor que a gente pode ser. Talvez em algumas universidades a gente seja melhor, em boa parte delas a gente ainda tem muita oportunidade de melhoria para que as pessoas cheguem preparadas para esse mundo que a gente está vivendo hoje, constante transformação. O ponto da nossa conversa agora é o seguinte, é estabelecer em que medida a formação daquele que vai para o mercado de trabalho atende o que as empresas esperam que ele seja capaz de fornecer. Eu gostaria de ouvir a sua avaliação a respeito dessa questão, que é um pouco mais abrangente, mas já levando em conta perguntas que chegaram em relação a capacidade ou não das instituições que você citou na sua palestra inicial de darem esse conhecimento específico considerando a dificuldade que muitos dos que perguntaram aqui tem três perguntas de sentido constatam de se conseguir formar pessoas nesse campo específico à noite à distância. Nós trabalhamos em uma instituição, Universidade Estadual de Ponta Grossa, ela está situada nos campos gerais do Paraná. Então, os nossos alunos têm uma facilidade muito grande de praticar os seus conhecimentos, não apenas na universidade, como no seu entorno. Isso acontece quando? Durante o dia. A preocupação nossa é quando você tem esses custos enxutos que temos até na próxima região e no estado diversos locais onde há custos de agronomia noturno. Com aulas práticas agendadas nos finais de semana, considerando que não chove no final de semana, para poder ocorrer aulas práticas. É possível você abrir uma universidade de agronomia sem ter laboratório, fazendo contratos com o laboratório de algumas empresas para administrar a aula prática. Ou seja, esses alunos que a gente acabou de elucidar, eles passam pela instituição, mas eles não vivem o dia-a-dia de uma instituição. Para viver o dia-a-dia de uma instituição está interagindo com os alunos de mestrado, de doutorado, está interagindo com os pesquisadores visitantes, está interagindo com os representantes das empresas que tem parcerias com os diferentes docentes, as pessoas precisam fazer o seu curso, cinco anos, no formato regular, viver a universidade. Mas a outra preocupação que nós temos e que a gente sente que falha é o seguinte, nós formamos o aluno para trabalhar de empregado em uma determinada empresa ou formamos ele para ser pesquisador. Mas nós particularmente na instituição que eu trabalho e boa parte das escolas de agronomia não formo aluno empreendedor. Então eu acho que a gente não está cumprindo o esperado dentro do que foi elaborado. Essa deveria ser a função da academia, Sônia? Não sei se a câmera pegou o sinal de cabeça que ela fez sete. A afirmação do Adrial foi, nós formamos pesquisadores, nós formamos empregados, nós não formamos empreendedores. E a minha provocação foi a Sônia que representa uma centenária instituição acadêmica. Devia ser essa. E Gustavo, a pergunta vai para você também, tá? Devia não é esta também. Formar o empreendedor. Sim, ele tem que formar indivíduos que possam atuar em qualquer área. Agora, depende do indivíduo que ele quer fazer. Não adianta a gente, aquilo que ele comentou e que eu comecei a provocar, não adianta a gente fazer o indivíduo falar pra ele olha você devia não ele tem que ter condição pra isso tem que ter vontade pra isso né mas que o nosso papel nós temos que fazer nesse sentido também com certeza eu só queria fazer um comentário em relação à conversa anterior eu venho de uma eu sou agrônoma fiz pós-graduação em estatística experimental e hoje tenho visto cientistas de dados Porque é muito dado, é um conjunto de dados enorme que nós estamos gerando e temos que trabalhar. Nós temos pessoas que trabalham com computação, mas que tem que saber estatística, antes de mais nada. O cientista de dado é um estatístico. Então essa é uma preocupação minha, da minha área, não é da escola e por isso nós estamos hoje montando disciplinas e é uma preocupação do meu departamento de Machine Learning, Inteligência Artificial, Big Data. Nós temos que sair para isso aí. Já temos algumas coisas dentro de algumas disciplinas e temos que montar mais. Mas dando a consciência, assim como a ciência básica, a estatística é a base da ciência de dados. Não é só a computação, então eu tenho que saber técnica e estatística para fazer ciência de dados. Eu só posso reiterar o que você disse, eu fugi da aula de estatística. quando eu me formei na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em jornalismo lá atrás. É porque você não foi meu aluno. É, mas eu tinha brigado com a professora de matemática no secundário. E hoje, como jornalista, é impossível entender pesquisas de intenção de voto sem ter uma formação em estatística. Eu só posso reiterar o que você disse. Agora é o seguinte, Gustavo, vou passar a pergunta para você. Em que medida você espera que a instituição acadêmica forme pessoas que saiam de lá? Ao mínimo com espírito empreendedor. E vou pedir ajuda aos universitários que sumiram as perguntas daqui. Cada vez que eu tento aparece um cachorrinho e agora aparece Samsung Play está bloqueado. Play, não é play, é pay. Samsung Play está bloqueado. Eu vou pagar alguma conta aí se deixar. Enquanto você responde, Gustavo, eles vão pagar alguma conta. Ou então eles vão chamar o cachorrinho. Na realidade, assim, existe uma diferença bastante grande entre expectativa e realidade. Claro, a gente gostaria de ter sempre um profissional que fosse capaz de nos trazer o melhor resultado possível. Mas, no final das contas, a gente percebe o seguinte, né? Hoje em dia, os bons profissionais são aqueles que conseguem trazer resultados solucionando o máximo possível de problemas, com o mínimo custo e o mínimo de energia possível. E, no final das contas, isso é muito relativo. Você tocou num ponto interessante. Será que a gente está formando pessoas empreendedoras? Acho que todo mundo deveria fazer um culto de empreendedorismo na vida. Todo mundo. Mas nem todos vão ser empreendedores. O empreendedorismo é uma maneira de você mostrar que você é capaz de fazer alguma coisa sozinho. Seja com você mesmo, seja com a tua família, seja com a tua profissão, seja com algum tipo de negócio. Você vai abrir? Ótimo! Você tem capacidade. Eu consigo ir pra frente com a minha condição e capacidade de resolver alguma coisa. Só que ao mesmo tempo, não é todo mundo que tem condição de entender que isso daí vai trazer também algumas dores. Porque hoje todo mundo quer ser Elon Musk, mas ninguém viu o que ele fez lá atrás. Todo mundo quer ganhar milhões e milhões, ser day trader e fazer um monte de coisa, mas ninguém fica fazendo análise estatística para saber se aquela ação vai subir, vai descer, quem está falando a verdade, quem está especulando. No final das contas, está muito efêmera as condições de você dizer o que precisa e o que não precisa. E por outro lado, nós temos algumas camadas de avaliação dentro do nosso segmento. Nós temos a alta tecnologia. Empresas que estão trazendo tecnologia que é difícil até para os cientistas entender o que está acontecendo. Nós estamos tentando trazer para a academia condições de adaptação de como isso funciona. Tem aquilo que é o nosso dia-a-dia. Ou seja, nós estamos correndo, vamos fazer o negócio funcionar e é o que a Absolutely está ajudando a fazer hoje. É a adoção daquilo que se já confirmou como eficiente. E tem aquilo que é um ganha-pão. Todo mundo vende coisa que todo mundo compra e vai tá isso daí. E tem gente que gosta de trabalhar nesses níveis. Só que de repente a gente cria parâmetros e expectativas pra um só. E você não precisa trabalhar só nesse pra ser feliz. para dar resultado, para trazer coisas que possam gerar valor. Então a gente precisa também conhecer um pouco que as expectativas não precisam ser padronizadas. A gente sim tem que trazer conhecimento, evolução, flexibilidade. Porque é crescimento, é natural. Apesar de que o ser humano, e você que é da área de humanas pode falar muito melhor que eu, evoluiu tecnicamente, mas continua discutindo coisas que os gregos começaram 4 mil anos atrás. Infelizmente a gente precisa entender que tudo isso depende, de novo, A gente ter vontade, competência e administração daquilo que a gente quer trazer como resultado. Nesse sentido, identifique até onde você quer chegar. Se desafie para superar, mas não queira superar mais do que você é capaz de fazer. E se não é, busque melhorar. E aí tem um problema muito grande, William. Infelizmente, eu tenho que trazer isso para cá. Lindo a gente falar que nós temos que buscar conhecimento, que a gente tem que melhorar a nossa capacidade, numa época onde todo mundo está trabalhando 24 horas por dia. Literalmente. Eu posso falar só sobre essa questão do empreendedorismo, se a universidade é responsável. Porque, na verdade, eu acho que o ponto principal aqui, que eu acho que a universidade é, sim, responsável, é estimular a capacidade de pensamento crítico, a capacidade de questionar, de perguntar. estimular os alunos a fazerem perguntas e não só dar as respostas. Então, o ensino passivo, em que o aluno é passivo e só recebe a informação, é este tipo de ensino que não cabe mais no nosso mercado de trabalho. Então, eu acho, sim, que a academia é responsável por um modelo de estudo em que o aluno saia de lá capaz de questionar o que ele está aprendendo. capaz de fazer perguntas. Então eu acho que isso sim é responsabilidade da universidade e isso tem a ver com empreendedorismo, a capacidade de encontrar problemas, encontrar oportunidades e saber achar a solução. Porque só apontar problema também é muito fácil. Então isso sim eu acho que é responsabilidade da universidade fazer e é uma expectativa das empresas sem dúvida nenhuma. Subjacente a tua observação, Juliana, a uma crítica severa à universidade como não sendo capaz de formar essa pessoa com espírito crítico, ou isto é a má vontade típica de jornalista profissional cínico? Existe uma crítica severa à universidade, e não só à universidade, mas o nosso modelo de ensino, desde o ensino básico, não ser capaz de ensinar as pessoas a questionarem e fazer perguntas e ter um pensamento crítico. Então, não é só na universidade, é que vem desde muito cedo essa questão da educação. Fico feliz em saber que eu não estava sendo cínico. Mas eu engato na próxima pergunta, que veio aqui, infelizmente não tem o nome da pessoa que faz a pergunta, pelo código do celular é de Brasília. E acho que é mais um ponto em comum com o que vocês quatro colocaram aqui. Em vários momentos, mas sempre vocês voltaram a questão da vontade do indivíduo, do desejo do indivíduo de adquirir conhecimento. que não adianta criar qualquer quadro institucional ou alertá-los sobre o que são as demandas do mercado de trabalho, se não houver por parte daquele que vai em direção ao mercado de trabalho e precisa sobreviver e tem grandes dificuldades de sobreviver, se não se constatar ali uma série de características. A pergunta geral é boa. Não sei se é porque eu tenho formação em humanas e todas essas questões que são quase antropológicas, Me fascina. Qual é o impacto do comportamento das novas gerações na formação, capacitação e empregabilidade, Sônia? A pergunta é difícil, Bessa. Eu não sei se eu vou responder a pergunta, mas eu tava pensando numa linha mais ou menos. O que a gente tem sentido na universidade ultimamente, e aqui tem mais professores de início de curso, os jovens, claro que alguns não, alguns são entusiastas, felizes, eles já chegam perguntando e querendo saber. Outros são apáticos. E eu não sei se isso vem de lá de trás. O que eu sinto como disciplina básica, eles têm hoje menos conhecimento, menos formação. Então, a procura pela universidade, pelo curso de engenharia agronômica, eu tenho feito esse estudo, ele se mantém. O aluno fica próximo da casa dele numa escola noturna, numa escola de... Porque é mais barato estar perto da casa dele, ele fica por lá. O que vem, normalmente, ele vem animado, ele vem feliz até demais. Ele tem muita festa, ele precisa até diminuir o entusiasmo. Mas ele vem feliz. O que eu sinto um pouco é apatia. Talvez, pelo mercado do trabalho, Alguém comentou? Você comentou na seleção. Então você tem lá 200 currículos para escolher um. Quer dizer, começa a ficar de fato desanimador. Mas eu ainda acho que o agro no nosso país ainda é feliz. Você falou talvez o número sem querer, mas era essa a relação. Eu tô pensando, eu solto 200 alunos no mercado e vai entrar um lá na empresa dele. Eu tô com esse problema na minha casa, não é no agro, mas é essa situação. E você não vai falar pro indivíduo desanimar, não. Ele tem que ser animado e tem que continuar, né? Porque senão perdeu o sentido, né? Mas eu sinto em relação a esses jovens que estão chegando e agora depois da pandemia parece que pior, eles vieram assim cheio de saudade da escola, morrendo. Eu tenho aluno esse ano que assistiu aula uma semana e entrou na pandemia. Daqui a pouco ele está no terceiro ano e ele ficou dois anos em casa assistindo aula. Sentado, mentindo que tava sentado, porque quando acabava a aula, fica uma meia dúzia de carinha na tela assim, aí você fala pra ele, fulano, se tem alguma dúvida, imagine, ele não tá ali faz tempo, né? Então, você desliga e larga ele lá. Deixa eu voltar a pergunta, porque ela tem um aspecto muito sério. Na formulação da pergunta, qual é o impacto do comportamento das novas gerações, a pessoa que está perguntando está querendo que vocês digam o seguinte, quanto as novas gerações estão se ajudando ou se atrapalhando a conseguir emprego? É fogo essa pergunta, porque ela supõe que você vai falar mal dos jovens, ninguém faz isso de bom grado. Gustavo, você quer arriscar? Eu tenho uma pergunta a você também, específica a você. Sim, sim, é muito difícil. Só te ajudar a resposta. Há uma pergunta específica a você que eu gostaria que você colocasse na sua resposta. Que você defina o que é o perfil ideal de profissional buscando emprego pra você. Poxa vida. Bom, pela primeira pergunta, eu vejo com muita preocupação, com uma certa tristeza, que de fato a gente percebe que, não generalizando, mas uma quantidade significativa da juventude não está preocupada com o futuro. Tudo bem, nós temos que viver o dia-a-dia, nós temos que saber que as coisas estão acontecendo, só que você consegue ter futuro se você começar a prepará-lo agora. E isso está meio complicado de entender. Existem algumas questões que de vez em quando surgem dentro do meio empresarial de como você deve interpretar esse posicionamento de que não existe comprometimento. Não, eu sou empregado, mas se eu não gostei eu saio, vou para outro emprego, vou para outro, vou tentar isso. E no final das contas, eu quero em dois anos ter duas pós-doutorados, que se eu chegar tipo para o cara e pergunto, já aconteceu isso comigo, pessoalmente, eu fiquei até meio sem jeito de fazer uma entrevista com um candidato que tinha de fato dois pós-doutorados, e eu fiz a pergunta para ele, para que serve o tema desse teu pós-doutorado? O que você faz com isso? E ele não soube responder. Então assim, imagina jovens que hoje tem uma quantidade enorme de conhecimento, expectativas de conhecer o mundo inteiro comprando passagens baratas na internet, mas na hora de dar o resultado que depende de 99% transpiração ou outras variantes de inspiração, Tem que se trabalhar, tem que ir atrás, tem que colocar a mão na massa, tem que entender, tem que ter base, tem que começar a vivenciar o dia-a-dia do que te deixa totalmente desmotivado, do que te frustra, do que faz parte da vida. A vida não é só alegria, a vida não é só simplesmente trocar de emprego e querer subir e treinar para gerente em um ano. Não é assim. Tem uma série de questões que fazem parte do nosso cotidiano que a juventude simplesmente apagou. Eu pego o celular, dou umas três tecladas lá e tudo está na minha mão. E o que tem na cadeia por trás para tudo isso funcionar? Parece que desapareceu. Então, é um problema. Infelizmente, a gente tem uma parte significativa da juventude que vive nesse universo e que acha que vai fazer o futuro funcionar. Não sei. Não sei, pode ser, tem tecnologia suspeitiva que vai acontecer. Mas é complicado dizer, eu posso dizer com muita preocupação que isso me incomoda, bastante. A segunda pergunta, perfil ideal? Não existe. Cada ser humano é único. Se você for buscar a pessoa perfeita, você não vai achar ninguém nunca, você não vai contratar ninguém nunca. O que a gente quer são pessoas que saibam interpretar a sua responsabilidade diante daquilo que se está solicitando e se desafiar a superar as expectativas dentro da sua capacidade. Gustavo, a resposta foi brilhantemente esquivada. Por suposto. Eu vou dizer da minha perspectiva pra te dizer o que é que eu tô procurando na tua resposta. Vamos lá. Quando eu recebi um monte de currículos de jovens querendo ser profissionais, quais eram os critérios que eu usava para dizer este vai, este não vai? No meu caso específico. Sabe escrever? Segundo. Domine idiomas. Terceiro. Entende de alguma coisa, porque em geral, na minha profissão, não se entende de nada. Na tua, o que é que você privilegia? O que você está dizendo são pressupostos que hoje a gente não tem mais como discutir. Se o candidato não tiver isso na cabeça, esquece, não vai ser contratado por ninguém. São pressupostos. Você ter uma boa formação e demonstrar que você domina é pressuposto. Segundo, você ter um diferencial de comunicação, porque não adianta falar várias línguas, você não sabe falar. Eu falo, tá bom, então me conta uma história nessa língua. Aí o cara trava. Não, você tem que ter raciocínio. O que eu faço com tudo isso? Então, as habilidades, os hard e soft, cada hora eles inventam um nome diferente. Para os skills, que tem que ser falado em inglês, não sei porquê. Mas as habilidades hoje estão muito mais vinculadas ao extra do que ao básico. Ninguém vai questionar. Estou contratando um gerente comercial para a área de outro lugar. Quais são os mínimos requisitos básicos? Tem que ter formação na área, tem que ter experiência comercial, tem que falar as línguas para os países que a gente vai atender, tem que ter domínio de negociação, tem que ter domínio de persuasão em algumas questões, tem que ter iniciativa, não pode ser tímido, tem uma série de questões. Eu vou colocar isso no currículo? Não. Olha, a resposta foi objetiva, direta, Henrique. Estão satisfeitos agora com a resposta do mundo? Sobrou algo a ser esclarecido. Eu achei adequado. Eu quase estou levando o meu currículo para lá. Adriel, deixa eu voltar você com a questão anterior. Que é a questão do comportamento dessas pessoas as quais nós estamos falando que estão buscando uma oportunidade no mercado. Como que o comportamento das novas gerações as ajuda ou não? Nesse ponto o Gustavo foi bastante, discorreu com uma visão bastante crítica, inclusive. Adriel, por favor. Nós, desde o primeiro ano atuando na universidade, sempre tivemos parcerias com empresas permitia no estágio e sempre tivemos boa parte dos nossos alunos que trabalhava seja nas empresas que eram parceiras ou não. Então abrimos editais, motivávamos os alunos, falávamos sobre as pesquisas. Mas o que a gente tem observado é que eu não sei se é o jovem ou a educação que ele teve na casa. Porque Os pais, muitas das vezes, favoreceram demais esses jovens. Então, nas primeiras dificuldades que eles têm, eles querem desistir da área. Perdem o experimento, o cara entra em repressão. Faz de novo, perfeito? Então, parece que ao mesmo tempo que essa nova geração é muito rápida para ter informação, eles acham que ter noção E ter conhecimento são sinônimos. Não. Uma coisa é você ter noção do seu entorno. Outra coisa é você conhecer o seu entorno. Existe uma profundidade, um tempo, um amadurecimento. E eu acho que parte disso pode estar relacionada à educação. Não do colégio, não da universidade, mas dos pais. Perfeito? É muito comum você encontrar um aluno com 18 anos que nunca passou frustração. Então na primeira nota de cálculo que ele tira dois, está em depressão. Então eu fico preocupado se parte dessa culpa não são os nossos pais. Eu tenho uma filha com 18 anos, sempre trabalhei nesse sentido, que algum dia ela vai ter alguma frustração. Porque os nossos alunos que tinham frustração há 10, 15 anos, eles tomavam uma cerveja e faziam de novo o projeto. montava errado um experimento, claro, ficava triste, você batia, mas fazia. Hoje, depende do jeito que você fala, o cara vai embora, desiste, fica a mudar de área por causa de uma frustração num simples projeto. Juliana, existe isso? Ficou muito patente na resposta do Gustavo e agora de novo reiterada pelo Adriel, a Sônia já havia abordado isso também, que é a contribuição do indivíduo para si mesmo. Você vai nessa mesma linha, registrando ao longo da linha do tempo, na cronologia do que nós estamos falando. Uma alteração no comportamento de gerações, as gerações jovens de antes e as gerações jovens de outro, caracterizada, vou usar uma palavra muito provocadora que o Gustavo colocou na roda, caracterizada por um comprometimento, ou melhor dito, por cada vez menos comprometimento, Eu acho que é nítido uma diferença entre as gerações. Acho que a tecnologia acabou contribuindo de alguma forma por causa do imediatismo que ela traz. E concordo com a questão da educação. O quanto nós pais, e eu me coloco nesse papel também, sou mãe de duas crianças, O quanto nós também, talvez as gerações mais recentes tenham tentado liberar os filhos, fazer com que eles não tivessem frustrações. Talvez por uma culpa, inclusive, de que nós mulheres estamos cada vez mais no mercado de trabalho, o que é maravilhoso. E talvez isso tenha contribuído de alguma forma para isso, o que não é desculpa para que isso aconteça. Então, eu tento levar isso muito a sério na minha casa para que eu não haja dessa forma com os meus filhos. Mas acho que tem uma questão do imediatismo trazido pela tecnologia, uma questão, sim, da gente como pais, Pais e mães, a gente ter tentado que os nossos filhos não ficassem frustrados ao longo da educação, a gente é muito mais condescendente, talvez, do que as gerações. E que isso, certamente, traz uma consequência quando eles chegam no mercado de trabalho. Eu queria fazer um adendo sobre o que é considerado básico ou não para entrar no mercado de trabalho e o quanto isso influencia em a gente ter ou não a diversidade dentro das empresas. Porque quando a gente coloca E claramente a gente gostaria que as pessoas tivessem minimamente o inglês, ou um determinado nível de instituição de ensino superior, ou de ensino básico. E que isso é o básico para uma pessoa ingressar no mercado de trabalho. E quando a gente fala de uma sociedade como o Brasil, em que poucos, na verdade, têm acesso a esse tipo de... De privilégio, de alguma forma, de ter acesso a um segundo idioma ou outros, ou ter acesso a ensino particular, ou a universidades públicas excelentes, que no geral entram aqueles que tiveram acesso ao ensino básico particular, eu acho que a gente limita a diversidade dentro das empresas, eu acho que a gente tem que tomar um cuidado com isso, e se a gente for olhar Os algoritmos que estão por trás de várias ferramentas de busca de currículo, é um problema dos algoritmos, porque, de fato, a gente vai ter pessoas muito parecidas depois nas nossas empresas, o que não gera diversidade, lembrando que diversidade está completamente conectada à inovação. Então, se a gente quer inovar, o quanto a gente estabelecer esses pré-requisitos básicos, que na nossa sociedade não estão ao alcance de todos, o quanto a gente está limitando a nossa capacidade de inovar. Então, eu acho que algumas coisas que podem, que deveriam ser básicas, para a nossa sociedade não são. E a gente tem que tomar muito cuidado com isso na hora de selecionar. Porque os algoritmos vão a favor dessa camada da população que teve acesso a isso, e talvez nós mesmos, como os requisitantes das vagas, ou como selecionadores, também usamos as mesmas premissas. o que acaba, no final das contas, indo contra nós. Quando a gente quer inovação e pluralidade de pensamento, pessoas que têm um background diferente trazem um outro tipo de conhecimento, um outro tipo de vivência, e que é muito importante para a gente conseguir entregar, no final das contas, coisas diferentes para os nossos clientes. Então, eu só queria fazer esse adendo da outra pergunta, porque eu achei que valia a pena um contraponto. Obrigado, Juliana. Pessoal, nós estamos chegando ao final. Eu queria fazer uma perguntinha rápida para vocês responderem quase como termos de manchete, que eu acho que vai atender a uma indagação fundamental de todos que estão nos acompanhando, que é como que vocês avaliam o comportamento desse mercado de trabalho. O horizonte de tempo vocês escolhem, cada um a seu próprio critério. Qual é a perspectiva que vocês veem desse mercado de trabalho expandindo, contraindo, estagnado? Adriel, você começa? Eu vejo de uma forma muito otimista, compartilho com Uma fala da professora Sônia, no sentido, se tivesse que fazer agronomia, faria novamente. Se tivesse que fazer mestrado, doutorado, ser professor, pesquisador e também ter o próprio negócio, faria. Acredito no agro e nós temos todas as condições Já passamos por muitos desafios. Temos todas as condições de superar esse momento, reduzir essa dependência de fertilizantes externos, melhorar a formação dos nossos alunos. Está vindo aí um pós-pandemia. Como professor, nós temos que ser otimistas e todas as críticas e sugestões que a gente aprende nos eventos, levar para a sala de aula, pelo menos aquela parcela Aquilo que não está lá na grade curricular, passar para os alunos. Mantendo a ordem inicial, Juliana. Bom, o agro tem uma possibilidade de expansão no nosso país que é absurda. Então, como o mercado de trabalho, certamente eu acredito no mercado de trabalho em expansão, que tem muita condição de ainda crescer muito no Brasil, muito. Eu vou voltar a dizer que eu sou otimista. Eu acho que o Brasil é agro. Faria agronomia de novo e entro na sala de aula defendendo a minha escola, a minha disciplina e o meu curso. Eu digo meu porque moro aqui, tá dentro do coração. Eu brinco com eles que meu coração pulsa agronomia, na Exauc. Então, eu acho assim, não posso dizer que eu não acredito neles. Só para ajudar, Juliana, eu não sei se vai melhorar ou piorar, mas há dois anos a Universidade de São Paulo tem 50% de alunos de escola pública. Talvez mude um pouco a visão, não sei como, mas... Gustavo, brevemente? Super otimista. Não tenho nem dúvida. A gente precisa dar um passo para trás para olhar os outros segmentos. Quando você dá esse passo para trás e vê o que está acontecendo do lado, nós estamos super bem. Estamos crescendo, estamos caminhando e eu não tenho dúvida que esse é o caminho. Confio, acredito e estou cada vez mais intrigado de como melhorar a comunicação para a população. Porque o agro ainda sofre com uma série de constatações equivocadas por pessoas que não tem a mínima ideia do que estão falando. Por outro lado, nós estamos fazendo nossa parte e estamos crescendo. E vamos continuar fazendo, independente de outros países dizerem que a gente faz quase 300 milhões de toneladas de soja na Amazônia. Beleza, deixa ele falando lá, nós vamos seguir crescendo, fazendo o bem feito e de maneira cada vez mais profissional. A gente está praticamente começando outro programa, esse aqui eu tenho que acabar. Eu queria, em nome dos participantes, agradecer a atenção de todos vocês, o meu também muito obrigado, até logo mais quando eu vou falar boa noite. Obrigado, muito obrigado, Gustavo, Juliana, Adriel, professora. William, obrigado pela sua presença, por ter nos ajudado aqui nessa reflexão. Você é sempre muito bem-vindo, vocês todos são sempre muito bem-vindos aqui na Absolo. Muito obrigado. Absolo. Por uma produtividade inteligente.

Rosely Loiola, Sônia Maria de Stefano, Juliana Souza, Adriel Fonseca, Gustavo Branco

2022 - Abisolo

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