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O Futuro é Agro
Resumo
Transcrição
E aí Muito bem, bom dia a todos. Sejam bem-vindos e bem-vindas mais uma vez. Bom dia! Aí, assim a gente começa o dia mais animado, não é? Muito bem, segundo dia do nosso oitavo Fórum Internacional Exposição Absolo 2019. Mais uma vez aqui estamos reunidos para trocar conhecimentos, para adquirir conhecimentos, para fazer bons negócios e lógico para estar juntos encontrando amigos que por vezes a gente demora para encontrar. Deixa eu lembrar vocês, neste período da manhã de hoje nós teremos uma dinâmica um pouco diferente do que tivemos ontem. Teremos quatro pequenas palestras, quatro pequenas colocações de 15 minutos cada uma. Ao final dessas quatro pequenas palestras, nós teremos um momento de um cafezinho e, na sequência, voltaremos aqui para o nosso auditório, onde teremos um debate com os quatro palestrantes. Esse debate será mediado pelo jornalista William Wack, que está conosco hoje e estará, então, aqui atuando como mediador deste debate. As perguntas para esse debate não serão feitas no microfone, nós não... Correremos microfone na plateia em razão do tempo para que a gente possa ganhar tempo. Então eu queria pedir a senhoras e senhores a gentileza de no decorrer das palestras, na medida que for possível, já irem formulando suas perguntas e enviando as nossas assistentes vão recolher essas perguntas e vão trazer aqui para o palco onde o nosso mediador vai... tabular essas perguntas e então endereçá-las a cada um dos palestrantes. Lógico que as perguntas serão feitas ao longo das palestras à medida que as exposições forem sendo feitas aqui no palco. Muito bem, mais uma vez para aqueles que estão vindo hoje pela primeira vez e não estiveram ontem aqui, os banheiros que estão liberados, que estão dispostos aqui para a nossa utilização, são aqui à direita do auditório, nós temos que entrar pela feira, fazer todo o percurso da feira e vamos sair lá nos banheiros que estão liberados aqui para o uso de quem está conosco aqui assistindo as palestras. Muito obrigado pela presença de vocês. Temos também amigos de outros países. Então, bem-vindos a todos os amigos que vêm de países que falam o idioma latino. Bem-vindos ao Fórum Absolo. Agradecimentos ao nosso patrocinador Quarta Ouro, a Contas Minerals, empresa que nos apoia e acredita na importância desse evento para o segmento e demais empresas patrocinadoras. Mais uma vez, o nosso muito obrigado por estarem conosco nessa edição. Os nossos patrocinadores prata, Agriquem, Andritz, Forte Green, Haifa, ICC 25 Anos, Multitecnica, Univar Solutions e Wacker. Os nossos patrocinadores bronze também recebem aqui os agradecimentos da Absolo, Grape, Agrosete, Milliken, Iara, Rigrantech, Omnia, Microquímica e Croda. Obrigado a todos por estarem conosco e não medirem esforços sem a presença ou sem a participação e a colaboração desses patrocinadores. Claro que seria impossível organizar um evento dessa envergadura. Vamos começar na hora e procurar manter então o nosso cronograma de hoje para que a gente possa ter um dia bastante proveitoso. Vamos rapidamente dar início para a nossa primeira palestra. Nós começamos falando de Plano de Governo 2018-2030. O tema é o futuro é agro. O nosso palestrante é graduado em Filosofia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, é mestre em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, doutor em PHD em Economia, pesquisador científico da Embrapa há mais de Eu vou apresentar uma leve introdução sobre alguns pontos gerais do agronegócio brasileiro e depois vou entrar no plano de estado. Alguém se lembra ainda do Jeca Tatu? Nós tínhamos problemas sérios lá no negócio brasileiro e uma caricatura está aí. Um jornal hoje, a Folha de São Paulo, publica há 50 anos, e uma das reportagens era que a farinha de trigo dava só as coisas, vamos dizer, não foram tão simples, mas a ideia era que evoluímos muito nesses últimos 60, 70 anos. E aí tem algumas conquistas básicas, eu destaco aqui a ciência e tecnologia, que está na Abissolos também, as indústrias estão envolvidas aí, uma série de tecnologias na área de grãos, biotecnologia, agricultura no Cerrado talvez seja grande conquista do agronegócio brasileiro, extensão de nitrogênio, plantio direto da palha e muitos outros. E aqui estão alguns resultados, eu só coloquei aqui porque dá uma introdução ao que nós conquistamos nesses anos, em termos de grãos, o crescimento, a produtividade, em termos de produção de carnes, e também foi espetacular, particularmente em frangos crescer... ...toda a indústria, inclusive, na compra com recursos para produtos industriais, E as exportações. Queria ver quanto estaria o dólar sem o superávit do agronegócio. Provavelmente cinco a seis reais por dólar. Bom, o mundo mudou. E aí estamos com umas grandes transformações em curso, e nesse mundo novo, é que, liderado pelo ex-ministro Roberto Rodrigues, com a participação de todas ou das maiores instituições do agronegócio brasileiro, FIESP, FGV, CNA, e de técnicos de universidades, professores, aqui está o nosso amigo PNASA, inclusive, o ministro Roberto Rodrigues liderou um plano de ação para os próximos 12 anos. E aí estão, vamos dizer, a racionalidade. O que o Brasil quer ser? O Brasil quer ser líder em segurança alimentar global, integrando rural e urbano, que já está em processo avançado. Esse é um plano de Estado, não é um plano de governo de quatro anos, que nós acabamos de fazer em junho, julho do ano passado. E também importante é uma proposta republicana e não corporativa do setor. O que nós queremos é o desenvolvimento do Brasil de uma forma geral, tendo o agro como protagonista. Os objetivos eram entregar um documento aos presidenciáveis, integrar as entidades nacionais do agronegócio para se posicionarem perante a sociedade e os próximos mandantes, posicionar o Brasil como o maior supridor de alimentos do mundo, identificar políticas que concretizem o objetivo até 2030. As reformas necessárias. O primeiro ponto, o grupo se posicionou, as entidades se posicionaram para reformas globais, macros, necessárias como a política, a reforma previdenciária, reforma tributária, trabalhista e segurança no campo. E o cenário, nós tomamos uma projeção do agronegócio até 2030, com oferta e demanda mundial brasileira, maiores fornecedores e o papel do Brasil nesse cenário. O primeiro bloco de propostas foi sobre política agrícola ou política de renda. E com uma série de propostas para os presidenciáveis e para a sociedade brasileira. Eu destacaria aqui, seguro rural. Essa foi uma forte proposta do grupo e aceita pelas instituições. E outra, política agrícola estável a longo prazo, a questão das cooperativas, turismo rural, questão fundiária e segurança no campo, que vai ser um assunto específico. Outro item, o primeiro talvez seja o mais importante, o segundo é infraestrutura e logística. Nós que trabalhamos já junto com esse grupo há quatro, cinco propostas de governo, na época não de Estado, essas propostas, logística e infraestrutura entram como investimentos necessários, a questão de parcerias público-privadas e também a distribuição dessas empresas regionalmente. Outro ponto importante é a tecnologia para o agronegócio. Se nós observarmos dados de 75 a 2016, o crescimento da produção é mais da metade devido à tecnologia. mão de obra e trabalho passaram a ser secundários a partir da década de 70, 80. Então nós temos que ver o que está acontecendo no mundo. Mais de 80% dos conhecimentos, inclusive em agricultura, são gerados no mundo e não nos países em desenvolvimento. Nós temos que ter contato próximo desses desenvolvimentos tecnológicos. A questão também do comércio internacional. O Brasil está voltado no seu agro muito para o crescimento da demanda internacional. Não podemos esquecer isso, não podemos tratar mal esse aspecto. China, volta a Índia, escrevemos um artigo agora sobre a Índia, a importância da Índia na Revista de Política Agrícola, a importância da Índia no futuro. A questão de acordos multibilaterais, que o Brasil não está bem nessa área, a questão da agregação de valor, promoção comercial, a defesa da agropecuária, a rastreabilidade e certificação para a questão do comércio internacional. Política industrial, particularmente do agro, a modernização do parque industrial, capacitação competitiva e interfaces da indústria com o agronegócio. Esses foram os temas principais tratados. Questão da sustentabilidade, que veio para ficar há muitos anos, mas hoje está mais presente do que nunca no programa de qualquer governo, inclusive do brasileiro, os compromissos que o Brasil tem, a questão dos biomas que nós temos que tratar, as desigualdades, as diferenças regionais, a sustentabilidade dos fatores de produção, e a questão da legislação ambiental. Outro ponto importante, e principalmente a CNA tem batido muito nessa questão, é a questão da segurança jurídica no agronegócio. As questões fundiárias, questão de invasões, de marcações, questão da criminalidade no campo, que voltou, surgiu nos últimos anos com muita força. A reforma trabalhista, legislação apropriada para o campo e a questão da mediação, uma proposta de mediação e justiça restauradora para resolver os problemas com muito mais rapidez. O último item que nós tratamos foi comunicação. É importante, vem se batendo muito tempo que nós temos que ter uma comunicação, aqui no caso, aos presidenciáveis e ao mundo político. o agronegócio, a sociedade brasileira, a sociedade internacional, a bandeira de alimentos ao mundo, essa foi uma tese do ex-ministro Roberto Rodrigues Forte, e a imagem interna e externa do agro. Em resumo, para ficar nos meus 15 minutos, nós temos pontos grandes e importantes para os próximos 12 anos, que perpassam um governo. Primeiro, a questão da política agrícola ou política de renda para o setor. Nós não podemos esquecer isso. Hoje, eu acho que estamos melhores do que alguns anos atrás com o fato de nós termos uma inflação mais baixa, mas nós temos que nos preocupar muito com a renda ao produtor. E o instrumento mais importante que foi discutido é o seguro rural. Houve uma proposta, e está nesse livro aqui, o Agro é Paz, que eu enviei aqui a coordenação, e depois eles podem, a parte eletrônica, depois eles podem divulgar para todos os participantes. Inclusive a proposta de progressivamente retirar o subsídio ou crédito e passar esses recursos ao seguro para realmente institucionalizarmos a questão de seguro. Esse é talvez o ponto fundamental da proposta de Estado que o grupo elaborou sobre a liderança do ex-ministro Roberto Rodrigues. Temos a questão da segurança no campo, temos a questão da tecnologia, a questão da defesa agropecuária, das indústrias do agro, e comunicação. Queremos, com isso, vamos dizer, ter uma visão, foi uma visão do que nós precisamos fazer daqui pra frente, para os próximos dois anos, se nós queremos realmente que o agro seja um líder e seja um promotor do desenvolvimento da agricultura brasileira e, principalmente, projete o Brasil e seja de exemplo para os outros setores também. Os outros setores também. Bom, meus 15 minutos. Muito obrigado e estaremos à disposição depois. Obrigado. Muito obrigado, doutor Elísio. Lógico que os conteúdos colocados aqui do doutor Elísio e os demais serão estendidos posteriormente, depois do nosso café, nas palestras. Eles estarão aqui à disposição para responder as perguntas dos senhores e senhoras, que as farão por escrito. O nosso próximo palestrante que estará aqui conosco vai falar sobre geopolítica, também uma palestra o rearranjo das relações internacionais e os impactos no agronegócio brasileiro. O nosso palestrante é professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Sua pesquisa lida com política externa brasileira, América Latina e pós-guerra fria e relações entre Brasil e Oriente Médio. graduado em Relações Internacionais pela PUC-Minas, Especialização em História e Culturas Políticas pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestrado em Relações Internacionais pela Universidade Estadual de Campinas. Eu quero pedir uma salva de palmas e agradecer pela presença do doutor Guilherme Casarões, da Fundação Getúlio Vargas, que está aqui conosco. Bom dia a todos e a todas. O mundo hoje tem 7,6 bilhões de pessoas. Mas há uma previsão de que, em 2050, a gente vai ter nada menos que 10 bilhões de habitantes. No ano de 2011, Um dos maiores especialistas na área de geopolítica e geopolítica dos alimentos, em particular, o Dr. Lester Brown, publicou na revista Foreign Affairs um texto chamado A Nova Geopolítica dos Alimentos, em que ele basicamente alega que o mundo do futuro vai ser marcado pela escassez e pelo aumento de conflitos por recursos alimentares. E, de fato, a gente vive num mundo caracterizado pela insegurança dos recursos. Existe um estresse crescente sobre os poucos produtores de alimentos. Hoje, a grande produção alimentar se concentra na mão de mais ou menos 20 países. Há um aumento crescente da demanda por parte, principalmente, das economias emergentes. E há, cada vez mais, em alguns lugares do mundo, uma volatilidade, tanto dos preços quanto da própria estabilidade política, o que já é impacto sobre a produção. E as consequências dessa realidade que a gente vive, e que foi antecipada pelo Lester Brown em 2011, são a ruptura na oferta, a volatilidade enorme dos preços de alimentos e as crescentes tensões políticas que caracterizam o mundo em que a gente vive. Mas sempre que houve temores de escassez de recursos, dois elementos fundamentais entraram na equação e acabaram evitando crises maiores. O primeiro são os aumentos dos fluxos de investimento, Os investimentos, sobretudo privados, em geral, resolviam, em parte, essa crise de escassez. E a segunda questão, com a qual vocês certamente estão familiarizados, é a questão da inovação tecnológica, que também sempre ajudou o mundo a superar os seus desafios em termos de produtividade. Mas hoje, em 2019, a gente vive uma dinâmica um pouco diferente. marcada, muito diferentemente aliás de 2011, por uma consolidação da China, inequivocamente como potência econômica e como um mercado insaciável de commodities. Vivemos também a ascensão da Índia, beneficiada pelo chamado bônus demográfico, a Índia que está quase superando a China em termos de população, e avanços tecnológicos que também possibilitaram a economia indiana a se elevar, a ponto de haver previsões de que ela chegue à terceira economia do mundo muito em breve. Há o crescimento também do dinamismo econômico de mercados emergentes, não só a Índia, China ou mesmo o Brasil, mas também a África, como é o caso da Nigéria, o Oriente Médio, como é o caso da Turquia e do Irã, e o Sudeste Asiático, como é o caso da Indonésia e das Filipinas. E há também, nessa nova realidade, um aumento das tensões geopolíticas envolvendo o Ocidente e o chamado mundo pós-Ocidental. Então há características importantes de uma tensão envolvendo, por exemplo, a ascensão de nacionalismos populistas ao redor do mundo, principalmente desse lado de cá do mundo. E essa nova geopolítica que a gente tem vivido, da segurança alimentar, marcada por essas novas características do mundo, ela pode ser marcada por algumas características que me parecem muito sensíveis. Esse aumento da disputa política por recursos é visível hoje. e a gente começa a vê-lo claramente nas guerras comerciais que estão aparecendo pelo mundo, talvez a mais importante delas, sobre a qual também a gente está acompanhando, é a relação entre China e Estados Unidos, que vem sendo marcada por tensões comerciais importantes e na qual países como o Brasil podem tanto se beneficiar como ser dramaticamente prejudicados. Há uma crescente preocupação, que vocês também devem estar acompanhando, sobre negociações climáticas, então existe um debate
Elísio Contini
2019 - Abisolo