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Palestra o estresse abiótico nas relações planta-ambiente
Resumo
Transcrição
Quero convidar para vir ao palco conosco o doutor Paulo Eduardo Marchiori, professor adjunto da Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais, no setor de Fisiologia Vegetal do Instituto de Ciências Naturais. Doutor Paulo Engenheiro Agrônomo pela Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz, Isaac USP. Mestre e doutor em Agricultura Tropical e Subtropical pelo Programa de Pós-Graduação do Instituto Agronômico de Campinas. Atualmente é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Agronomia e Fisiologia Vegetal da UFLA. É presidente da Sociedade Brasileira de Fisiologia Vegetal. tem experiência na área de agronomia com ênfase em fisiologia de plantas cultivadas, fisiologia do estresse abiótico e nas relações planta-ambiente. Doutor Paulo, muito obrigado por ter aceito o nosso convite. Receba uma salva de palmas dos nossos participantes. Dois. Dois, dois. Boa tarde, pessoal. Sou Paulo Marchiori. Trabalho com fisiologia da produção, fisiologia do estresse e agradeço a organização pelo convite. Agora eu tenho um desafio maior, que é a palestra pós-coffee break. Então, vamos ver se eu consigo prender um pouquinho a atenção de vocês. O título da palestra é estresse abiótico nas relações planta ambiente, então a gente vai falar um pouquinho, tentar passar para vocês um pouquinho do que a gente considera como estresse abiótico, o que é a definição de estresse abiótico, qual que é a importância da gente entender como a planta se posiciona no ambiente, como a planta interage com o ambiente. Isso são questões fundamentais para a produtividade, para a produção e produtividade. Então, para começar, só para relembrá-los que para uma planta crescer e se desenvolver, e quando eu falo crescimento eu falo de acúmulo de biomassa, quando a gente fala de desenvolvimento a gente fala de alteração de estágio fenológico, ela precisa ter acesso a diversos fatores. Dentre eles, alguns fatores abióticos são os que a gente considera como principais, como luz, temperatura, água, CO2 e nutrientes. Só que todos esses fatores que compõem a vizinhança da planta, que compõem o ambiente no qual a planta está inserida, eles precisam estar de forma equilibrada. A gente não pode ter A gente não, né? A planta, a partir do momento que algum desses fatores saia da faixa ótima, ela começa a tender a entrar em situações de estresse. É o que acontece com a gente também. Se algum fator que está ao nosso redor começa a fugir do nosso controle, fugir do ótimo, a gente começa a ficar ansioso e estressado. E com a planta é a mesma coisa. Então, a ideia é que a gente entenda, a gente passe um pouquinho por esses... fatores ambientais e lá no final vou tentar mostrar alguma coisa pra vocês de como a gente pode tentar atenuar isso. Mas por que é importante a gente pensar nesse envolvimento da planta com o ambiente? Simplesmente porque, como foi dito agora há pouco, o ambiente ele não é estático. As produções que a gente alcança hoje, não são as mesmas que a gente vai alcançar no que vem, possivelmente, não foram as mesmas que a gente encontrou no ano passado. Porque um monte de coisa muda. E o ambiente mudando, aquele genótipo vai responder de alguma forma. E geralmente é de modo diferencial. Então, isso aqui é uma representação da área impactada pela seca, é uma projeção aqui feita pelo Semaden, em janeiro de 2022 e setembro de 2021. Então em questão de 4 ou 5 meses, a gente observa que grande parte do nosso país enfrentava situações de seca, Agora em janeiro teve uma movimentação dessas áreas de seca, de falta de água. Outras áreas que antes estavam sob seca, hoje tem água. E isso vai acontecendo ao longo de todo o ano. Então o ambiente é estático. Até alguns anos atrás, algumas décadas atrás, essas variações ambientais sazonais elas eram muito mais marcadas. Mas atualmente a gente encontra dados que mostram que o ambiente está mudando, o clima está mudando. E clima é diferente de ambiente. Então o clima vem mudando e quando o clima muda a planta tem que estar naquele ambiente e ela tem que lidar com aquilo ali. Porque ela é um organismo céssio que não consegue sair correndo e ir para outro lugar. Ela se movimenta, mas ela é céssil. Então aqui nesse quadro a gente vê o aumento do CO2 nas últimas décadas. A gente observa que tem uma tendência de aumento. E nesse outro quadro ao lado, uma representação das anomalias de temperatura global. Desde 1880 até 2020. O que esse quadro mostra pra gente? que até, a gente vai ver ele quando ele estiver pronto, mas que a partir da década de 70 começa a ter um aumento da temperatura global. Anomalias na temperatura começam a ser identificadas a partir da década de 70 e fazem com que a temperatura do globo tenha aumentado. Ah, professor, mas você está falando de coisa de 1 grau. É, 1 grau. no globo, na massa, considerando a massa do globo, é muita energia que tem aqui dentro retida. E que pode ter uma relação, ou que tenha uma relação, e aí independente do motivo, se é ambiental, se é antrópica, isso não importa, nesse momento. O que importa é, a gente observa um aumento de CO2, e observa associado um aumento de temperatura. Qual a consequência disso? Como tem mais energia, eventos extremos ficam mais frequentes. Então, aquela chuva que aqui na nossa região terminava em março, finalzinho de março, já não termina mais no finalzinho de março. Vem um pouquinho para abril, chega um pouco em maio. Aquela chuva que retomava em setembro, já não retoma mais em setembro. Ela pode retomar em outubro. Então, esse ambiente vem mudando. E grande parte disso, desses eventos extremos de secas prolongadas em locais que a gente não tinha, ondas de calor, ondas de frio, excesso de chuva em alguns ambientes onde não tinha, podem ter sido causados ou são causados por essas alterações. E aí? E aí que a planta está ali no meio. E aí que a gente tem que continuar plantando. A gente não pode esperar o ano perfeito para plantar, a gente tem que plantar. Então, por que eu estou falando disso? Porque para a gente conseguir prever ou para a gente conseguir corrigir algum problema, a gente tem que entender como ele funciona. A gente só vai conseguir interferir na fisiologia da planta e induzir uma resposta nela se a gente souber como ela funciona. E é isso que a gente estuda na fisiologia vegetal. E quando esses eventos acontecem, a planta pode vir a entrar no estresse. Mas o que é estresse? A gente fala, agora há pouco na palestra passada foi falado também de estresse. Então tem diversas definições, bom. Mas assim, basicamente estresse é o seguinte, a planta está em uma condição, o agente está em uma condição que não está no ótimo, não está no adequado. Então a gente gasta energia para tentar compensar o problema Quando a gente gasta energia para tentar compensar um problema, a gente não investe aquela energia onde a planta precisa, que é produção de biomassa, produção de grão, produção de raiz. Esse é um esqueminha que mostra basicamente o que acontece quando uma planta é colocada em uma situação estressante. A planta, como é um ser senciente, percebe o ambiente e se Ela é plástica, então ela consegue perceber o ambiente, alterar o metabolismo para tentar compensar aquele ambiente menos favorável. Então a gente pode encontrar, imaginem que essa linha preta, ela é qualquer reação, qualquer metabolismo. Vamos pensar no processo fotossintético. Quando a planta sente o estresse, a fotossíntese diminui. ou eficiência do uso da água, que é mais fácil. Quando a planta sente um estresse, ela fecha o estômato, a eficiência do uso da água dá uma diminuída, a planta entende o que está acontecendo, entende entre aspas o que está acontecendo, aumenta a eficiência do uso da água. Só que ela aumenta a eficiência do uso da água às expensas de reserva de energia que ela já tinha acumulado. Então se a situação estressante continuar, se o ambiente desfavorável continuar, a planta pode gastar mais energia do que ela está adquirindo e aí vira entrar numa situação de declínio. E é isso que a gente encontra no campo. Então aqui eu trouxe uns exemplos também, só para vocês verem, terem uma noção da quantidade de respostas que as plantas expressam quando elas estão em um ambiente desfavorável. Então aqui é um exemplo de seca, mas basicamente as respostas são moleculares, bioquímicas, fisiológicas ou morfológicas. Por isso que é muito difícil a gente conseguir acabar com uma situação de estresse por seca. Por quê? Porque as respostas não são de um gene só. As respostas são multigênicas. Todo o complexo planta está sendo alterado. Então a gente pode tentar interferir em alguns processos, mas dificilmente a gente vai interferir em todos. E obviamente o nível de resposta ele vai variar em função da intensidade do estresse, então pode ser uma seca leve, rápida, pode ser uma seca muito demorada, pode ser um alagamento efêmero, pode ser alguma coisa que demore muito, então as respostas vão ser diferentes. Então vamos falar um pouquinho aqui, agora que a gente definiu o que é estresse, o que eu vou chamar de estresse, vamos falar um pouquinho aqui de relação a planta ambiente, que é basicamente isso, para uma planta crescer e se desenvolver, e a gente pensando aqui em produtividade, algo tem que acontecer, alguns eventos tem que acontecer. Dentro dos processos fisiológicos, se a gente pensar em fotossíntese e respiração, são os processos, respectivamente, que fazem com que a planta absorva carbono para transformar em biomassa. E a respiração não é o único, mas é o principal processo de descarboxilação, de mandar carbono embora. Associado à transpiração, que é o movimento de água que passa pelo corpinho da planta, A gente sempre tem, sempre tem que fazer o balanço de carbono ser positivo. A gente tem que fazer a fotossíntese ser maior do que a respiração. A partir do momento que a respiração fica maior do que a fotossíntese, a planta, para sobreviver, tem que começar a consumir energia que já estava guardada dentro dela. E aí ela começa a perder massa. ela começa a perder reserva. E dependendo da intensidade dessa perda de reserva, ela pode entrar em declínio, pode morrer. É o que acontece com a gente. A gente precisa emagrecer, a gente gasta mais energia do que a gente ingere, do que a gente consome. Se a gente quer engordar, a gente ingere mais do que a gente gasta. É basicamente isso. E tudo que a gente faz, tudo que a gente faz para produzir uma planta, Se a gente quiser produzir biomassa, a gente tem que proteger a fotossíntese. A gente tem que proteger. Seja com irrigação, seja com nutrição, seja com espaçamento, seja com qualquer atividade que a gente faça para tentar mudar o ambiente, a gente está protegendo a fotossíntese. A gente tem que fazer isso para permitir que a planta receba mais carbono do que ela está mandando embora. Então, só dar uma passadinha aqui. E por que a transpiração é importante? O processo transpiratório, o processo de absorção de água, transporte de água, ele está muito envolvido com a pressão de turgor, que é o que faz a planta, se a gente pensar nessa folha aqui, que tem uma determinada estrutura, a gente sabe que essa planta não está por falta de água por causa da estrutura dela. Se ela começar a perder água, ela vai ficar murcha, ela vai encolher, a folha vai tombar. Então, o que faz aquela planta ficar com aquela arquitetura nesse momento, é a pressão de turgor nas células. Também a água, a transpiração está muito envolvida com o movimento do soluto, Então aquele potássio, aquele nitrogênio, aquele fósforo que a gente coloca lá na raiz, pra ele chegar na folha, ele vai com a cadeia transpiratória. Tá envolvido com difusão de gases, com regulação térmica e etc. E pra gente manter a fotossíntese, isso é importante, pra gente manter a fotossíntese pra fazer o balanço de carbono ser positivo, a gente tem que dar um jeito de manter esse tomate aberto. Estômatos são pequenas estruturas que tem na folha, basicamente na folha, tem em outros tecidos também, que permitem que haja troca de gases entre a atmosfera e o interior da folha. Então quando o estômato está aberto, é como se fosse uma porta. CO2 que está na atmosfera é capaz de entrar dentro da folha e quando ele entra dentro da folha ele se direciona até o sítio de carboxilação do arrubisco. Quando o estômago se fecha, só que ao mesmo tempo a água sai, o vapor de água sai por esse estômago e aí faz a cadeia transpiratória acontecer. Por uma questão biofísica sai muito mais água Saem muito mais moléculas de água por unidade de tempo em relação a quantidade de CO2 que entra. Aí tem a ver com diferença de concentração, com diferença de concentração e com o tamanho da molécula. Mas a questão é que quando falta água, o estômago se fecha. O estômago se fecha porque a planta precisa preservar a água que tem dentro dela. Só que ao fazer isso, ela limita a entrada de CO2. E quando ela limita a entrada de CO2, todo esse processo que vocês estão vendo aqui, de fotossíntese, que eu não consigo apontar para vocês porque tem uma televisão aqui só, ele é impactado. Como a água, ela está muito envolvida com a regulação térmica, por causa do calor latente dela, e na transpiração ela abaixa a temperatura da folha, que é o mesmo processo que acontece com a gente, quando a planta fecha o estômato, a temperatura do interior da folha aumenta. Porque está batendo sol naquela folha, mas não tem estômato aberto. Então esses aqui são dados da região aqui de Campinas. Esse aqui é um experimento que a gente fez com soja aqui no Instituto Agronômico. E tudo igual. A única diferença é que uma planta estava sob seca e a outra planta estava hidratada. E a gente observa o aumento de 5 graus de temperatura em uma folha. O que é muita coisa. Se elevar a temperatura interna de 32 para 38 graus em uma folha, é muita coisa. Por que que é muita coisa? Porque todos os processos são bioquímicos. E bioquímica é temperatura. Quando a gente aumenta a temperatura, a gente altera todos os processos bioquímicos. Para vocês terem uma ideia, a principal enzima da fotossíntese, que é a rubisco, trabalha, a velocidade máxima dela, a temperatura ótima, é em torno de 28 graus. A gente eleva para 38 quando fecha o estômato. E ao fazer isso, a gente pode observar nesse quadro primeiro aqui, nesse desenhinho, que o CO2 está entrando pelos estômatos, está chegando ali num círculo, está escrito Calvin-Benson, que aquilo ali é o círculo de Calvin. Naquele momento, que a planta vai pegar o carbono que estava na atmosfera e vai transformar ele num açúcar. Então a energia do sol, da luz, incide aqui nessa cadeia, nessa membrana do tilacoide, que é esse desenhinho colorido aqui embaixo com as flechinhas, desencadeia um processo de transferência de elétrons, e aqueles elétrons que estavam na água, eles vão ser incorporados num NADPH e no ATP, que são moléculas que depois vão ser utilizadas lá no ciclo de Calvin para fazer a simulação do CO2, para converter o CO2 de um composto inorgânico para um composto orgânico. Beleza, mas a gente fechou o estômago, porque faltou água, ou por qualquer outro motivo, ou porque sobrou água. Alagamento é um estresse terrível para a planta. A planta fecha o estômago mais rápido do que quando está faltando água. E aí o que acontece é isso. Então aqui é a nossa cadeia de transporte de elétron. Quando falta CO2, como não vai ter? Então o que acontece é basicamente isso. A luz chega, começa a desencadear um processo de transferência de elétrons entre os fotossistemas. Esse elétron que está circulando aí, essa bolinha vermelha, vai reduzir o NADPH. Com isso, tem outros processos que acontecem que vão ser produzidos ATP. Esse NADPH e esse ATP vão ser utilizados no ciclo de Calvin para reduzir o carbono e formar um carbono orgânico. Beleza, mas a gente fechou o estômago. Então não tem mais ciclo de Calvin. Quando não tem ciclo de Calvin, os elétrons continuam circulando porque aquela folha está no sol. E esse processo de transferência de elétron é um processo biofísico. A planta não regula muito. A planta não pode ficar no sol e falar assim, agora eu não vou excitar minha clorofila. Tá no sol te excitando clorofila, não tem jeito. E aí então, a planta começa a não ter pra onde mandar esses elétrons. Por quê? Porque como não tem consumo de NADPH e nem de ATP, não tem substrato pra fazer mais ATP e mais NADPH. Começa a sobrar elétron. A planta começa a emitir mais fluorescência, que é uma técnica muito importante pra detecção de estresse. E os elétrons começam então a escapar da cadeia de transporte de elétrons, reagem com oxigênio, porque aqui tem muito oxigênio, porque está tendo hidrólise da água, então o oxigênio está sendo liberado e forma espécie reativa de oxigênio. A tão famosa espécie reativa de oxigênio. O processo fotossintético é um dos principais processos que acontecem na planta de formação de espécie reativa. É o único, não. Tem mil processos que formam a espécie reativa de oxigênio. Mas as plantas, sob estresse, produzem muita. E esse é que tá o problema. Porque quando elas produzem mais do que elas têm capacidade de consumir, começa a sobrar espécie reativa de oxigênio. E quando começa a sobrar espécie reativa de oxigênio... Olha, eu tô apontando aqui pra TV. O metabolismo antioxidante, ele pode não dar conta E aí começa, então, a ter redução de compostos celulares. Um dos principais são os lipídios, a membrana plasmática. O professor, esqueci o nome dele, que trabalhou com o que falou, mostrou bem a estrutura das membranas, que é de lipídio e proteína. Então, quando uma espécie reativa de oxigênio interage com o lipídio, rouba um elétron dele, aquela membrana plasmática se desestabiliza. E quando ela se desestabiliza, ela rompe. Uma célula que tem a membrana plasmática rompida, por definição, não é mais uma célula. Porque, por definição, a célula tem que ser compartmentalizada. Então, quando rompe, a célula, pronto, morreu. E aí começa um efeito em cascata de um monte de células começam a morrer. por rompimento de membrana, que é aquele T-bars que o professor tinha mostrado. Ele mostrou um gráfico com o T-bars aumentando. Mas as plantas elas têm, assim como os animais, têm um sistema antioxidante muito bem definido. Então tem diversas enzimas, tem diversos compostos não enzimáticos que atuam para trabalhar com com essas espécies reativas de oxigênio. Então também são bem famosas as peróxido de desmutase, a catalase, as corbatoperoxidase, são todas proteínas que a gente consegue determinar a atividade delas em laboratório e consegue então ver se aquela planta está conseguindo lidar bem ou não com aquela situação estressante. Mas como vocês viram agora há pouco, Na fotossíntese, para ocorrer a formação da espécie reativa de oxigênio, tem que sobrar luz. Concorda? Tem que sobrar luz. Porque se tem pouquinha luz, vai ter pouca cadeia de transporte elétron funcionando. Pode ser que a formação de ATP e NADPH continue fluindo. Então, excesso de luz não é um número exato. O que é excesso de luz para uma planta? O que é excesso de luz para outra planta? não dá pra gente saber, não é um número fixo. Então esses aqui são exemplos bem simples, bem bobinhos, que são uma curva de resposta da fotossíntese à luz em cana-de-açúcar. E a gente vê que tá tudo igual aqui, a única diferença entre uma e outra é que a bolinha azul são plantas que estavam recebendo bastante água, bolinha vermelha são plantas que estavam em situação de estresse. Se a gente observar, O consumo, a eficiência do uso da luz ou o uso da luz da planta hidratada é muito maior do que da planta desidratada. Quando aumenta a luz, aumenta a fotossíntese. Na vermelhinha não, aumenta a luz, a fotossíntese não aumenta. Isso significa que se a gente traçar uma linha, a gente pode considerar como excesso esse triângulo azul. Já na mesma planta, mesmo genótipo, mesma situação, só que a água era diferente, o que a gente considera de excesso, opa, esse triângulo vermelho. Qual dessas plantas tem maior potencial para produzir espécie reativa de oxigênio pelo processo fotossintético? A vermelha, que tem muito mais luz sobrando, tem muito mais elétron rodando sem destino ali. E aí é isso que a gente observa. Obviamente, isso aqui é uma folha de café, porque cana-de-açúcar é muito difícil da gente ver o dano visualmente. No laboratório a gente detecta, mas visualizar o dano é muito difícil, porque o aparato fotoquímico é muito eficiente. Mas se a gente observar nessas plantinhas de café, essas manchas marrons, excesso oxidativo, excesso de luz. Então começa, no quadro aqui da esquerda, uma manchinha marrom ali no meio da folha. Conforme o tempo passa, aquela mancha começa a ficar necrosada e no final a folha está necrosada. Essa folha vai cair. Se a gente fizer alguma coisa, se for uma ou outra folha, não tem problema. Só que isso pode acontecer com a planta inteira. E o café, que é uma cultura de extrema importância, mas que a gente faz o transplantio da muda para o campo, é muito, muito grave esse processo. Porque a maior perda de muda em cafeiro é no transplantio justamente porque a muda sai de um viveiro e se ela não tiver sido bem aclimatada, ela sai de um ambiente de sombra e vai a pleno sol. E aí, uma muda que tem 10, 15, 20 folhas, todas as folhas entram nesse processo e morrem e aí perde a muda. Então, o que a gente tem que fazer é tentar diminuir a chance de deixar isso acontecer com as plantas. E como fazer isso? Tem um monte de prática agronômica, é manter o ambiente estável, usar as recomendações que são adequadas, e como eu tinha dito agora há pouco, a gente não consegue, e foi falado também em alguma das palestras, na primeira que os ácidos úmicos não são a solução da lavoura, a suplementação nutricional também não é. Mas como a gente viu aquele quadro de resposta que tem N respostas que as plantas expressam quando elas estão sob seca, se a gente conseguir atacar uma ou outra ou algumas, a gente pode ter um benefício lá na frente. Dificilmente a gente vai conseguir resolver tudo que a planta está sentindo, mas se a gente fizer um pouquinho pode ser que melhore. Então eu trouxe para vocês aqui, bem rapidinho, já estou indo aqui para o meu tempo, dois exemplos bem rapidinhos de trabalhos recentes que nós fizemos, utilizando microelementos, não como microelementos em si, mas com a função de atenuação de estresse. Então o que a gente fez? Basicamente, esses aqui são os elementos que a gente tem trabalhado, zinco, potássio, boro, magnésio. Alguém falou hoje de elemento terra rara, o sério é um deles, a gente trabalha com sério e ele dá uma resposta muito legal. Então assim, foram dois experimentos que a gente fez, considerando soja e milho como planta modelo. Então na soja, os experimentos foram, a dinâmica foi a mesma né, então vou falar rapidinho aqui como é que foi. Soja a gente usou boro, milho nós usamos inco. E foi mais ou menos assim, então quando elas estavam ali um pouco antes de Em V3, alguma coisa assim, antes de estágio reprodutivo, a gente fez uma suplementação, isso aqui é em casa de vegetação, tá bom? A gente fez uma suplementação com esses elementos de modo foliar, esperamos um tempo e aí a gente entrou com a seca, a gente cortou a água daquela planta. Ah, professor, mas por que vocês fizeram isso? Você sabia que ia ter seca? Eu na verdade sabia porque a gente fez um experimento em casa de vegetação. Mas se a gente usar essas ferramentas que o professor Fábio vai falar daqui a pouco, de previsão do que vai acontecer, a gente sabe que estamos sujeitos, que as plantas estão sujeitas a passar por veranico, que as plantas estão sujeitas a passar por onda de calor. Então por que a gente vai ter que esperar acontecer se a gente tem ferramentas para saber que aquilo vai acontecer? Por que a gente tem que esperar acontecer para remediar? Então a gente fez uma tentativa de se precaver. Então a gente enriqueceu a planta com esses elementos, depois passamos ela por estresse, fizeram algumas coletas, enfim. E aí o que a gente encontrou é basicamente isso. Então esse aqui foi o trabalho do Paulo Cesar. ele está em doutorado atualmente, e que a gente observa que as plantas que receberam o Bortrac. Então, assim, no quadro de cima, nossa, difícil de explicar assim, no quadro, na linha de cima são as plantas irrigadas, na linha de baixo são as plantas sob seca. Nesse quadro aqui, nessa figura, nós temos a fotossíntese dessas plantas, então a gente observa que quando estava na seca, apesar das plantas estarem diferentes, se a gente vê o Bortrac na seca, na primeira dose ali de 150, a planta está muito melhor do que as outras. Mas a fotossíntese está muito baixa, então a geração, a gente quantificou o antioxidante nessas plantas e de fato a geração de espécies reativas de oxigênio foi muito alta. Mas quando a gente reidratou essas plantas, a reidratação, a recuperação das plantas que tinham o boro suplementar foi muito melhor do que das plantas que não tinham. A planta que não tinha era deficiente em boro? Não, ela não era deficiente em boro. A gente só elevou um pouco a mais. E olha o que acontece com o processo de fotossíntese. Olha o que acontece com o processo de entrada de CO2 na planta. Ele praticamente duplica em relação à planta controle. Isso a gente está discutindo, mas possivelmente é por causa de regulação estomática, mas também não vem ao caso aqui agora. E olha o que acontece com o crescimento de sistema radicular. Então se a gente observar as nossas plantas, tanto irrigada quanto não irrigada, todas as que receberam boro, independente da fonte, independente da dose, apresentaram um acúmulo maior de sistema radicular. E na seca aconteceu a mesma coisa, porque o boro está envolvido com translocação, então o boro é capaz de favorecer a saída do açúcar da folha e a ida do açúcar até a raiz, por isso que a gente encontra esse aumento. E pensando em produtividade, tivemos também um aumento de produção, mas a gente considera, obviamente a gente sabe que não é isso que vai acontecer no campo, ou possivelmente não é isso que vai acontecer no campo, porque a casa de vegetação plantas são invasadas, o ambiente é mais ou menos homogêneo, mas de qualquer forma já nos deu grandes indícios de que a aplicação desse boro suplementar favoreceu parâmetros do componente de produção, seja com número de grãos, seja com massa de mil sementes. Então se a gente reparar no quadro F, a barra cinza escura do mock, do controle, Os grãos que tinham ali eram grãos muito leves, grãos que não encheram direito. E as plantas que receberam o boro tiveram um enchimento de grão mais adequado. E a mesma coisa a gente fez com o milho, mas utilizando o zinco. E aqui eu vou ser mais breve ainda. Foi a Ludmilla, aluna de mestrado, que já terminou o mestrado também, e ela suplementou com zinco e esse é o resultado que vocês estão vendo aí. Então a gente vê as espigas que passaram por déficit que receberam o óxido de zinco com um desempenho melhor do que as espigas que não receberam. Isso é porque o zinco está envolvido com produção de hormônio, está envolvido com crescimento, enfim, tem uma série de questões, mas a gente observa isso. Suplementação também, não eram plantas deficientes. E aí a gente fez uma brincadeira, isso aqui é uma brincadeira, de forma alguma eu estou falando que se você aplicar o zinco lá no campo você vai ter esse aumento de produção que a gente está mostrando aqui. Porque, de novo, são casas de vegetação, são plantas envasadas e tal. Mas se a gente observar, isso é uma estimativa, considerando um stand fixo e tal, a gente teria uma produtividade estimada do nosso controle de 54 sacas. Quando passa para a aplicação de zinco ela pula para 69 na irrigação. Se o produtor aplicar, perder, ele não vai. Mesmo que não entre em uma situação de estresse, ele vai ganhar e vai ganhar muito. Agora, se entra em uma situação de estresse, olha o que acontece quando ele recebeu 600mg de óxido de zinco. Não teve perda de produção. Então, de novo, eu não estou falando que a gente descobriu e que está tudo resolvido. Nada disso. Mas são indícios para a gente continuar os estudos. Bom, então só pensando nessas colocações, a gente vê esse milharal é uma realidade. Infelizmente, mas acontece, não tem jeito. Mas a gente entendendo o que que fez a planta chegar nesse estado, o que que a gente pode fazer para tentar fazer alguma coisa assim, são pequenas coisas que a gente pode ir fazendo para promover essa mudança de cenário. Então, com isso eu finalizo aqui a minha fala e estou esperando, fico à disposição para as perguntas. Devo, devo. Acabei de ser cobrado aqui, ele disse que eu devo 10 minutos para ele. Tá bom, a gente vai depois tirar no... Não, nós vamos tirar no coquetel. Absolo, por uma produtividade inteligente.
Paulo Eduardo R. Marchiori
2022 - Abisolo