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Nutrição Foliar – Fundamentos Científicos e Técnicas de Campo

Resumo

Palestra realizada por Victória Fernandez – Universidad Politécnica de Madrid – Espanha, durante o VIII Abisolo Fórum e Exposição realizado nos dias 10 e 11 de abril 2019.


Transcrição

é hora de falarmos sobre nutrição foliar, fundamentos científicos e técnicas de campo. A nossa próxima palestrante é formada em ciências agrárias na Irlanda, é doutoranda na Alemanha, por cinco anos trabalhou como pesquisadora de pós-doutorado na Estação Experimental em Saragossa, na Espanha. Em 2011, juntou-se ao Grupo de Pesquisa em Genética Florestal e Ecofisiologia da Universidade Politécnica de Madrid, na Espanha. Há 19 anos, ela vem desenvolvendo abordagens de pesquisas aplicadas e fundamentais em relação à adubação foliar e à absorção de água e solutos pelas folhas das plantas. Está conosco, Márcia Onamaitra, Doutora Victoria Fernandes. Aplausos. Ela é da Universidade Politécnica de Madrid. Muito obrigado. Boa tarde. Primeiramente, a todos. Sinto não poder falar português, mas é um idioma que gosto muito. Primeiramente, agradecer ao nosso excelente apresentador a introdução que fez, ao Bisolo, por nos dar a oportunidade de conhecê-los, de vir aqui aprender com todos vocês. Foi um prazer ouvir os palestrantes anteriores, aprendemos muito de todos eles. Agradecer a Alexander que vai traduzir todas essas coisas raras que vamos comentar e que temos comentado, Mari Carmen e eu. E, bem, a todo o pessoal de Avisolo, ao nosso querido Marcelo de Omex, que se fizermos uma votação provavelmente é das pessoas mais populares neste encontro. E, sem mais, vou começar a comentar um pouco o estado de conhecimento que temos com respeito à nutrição foliar, que, como disse o apresentador, eu tenho com este tema quase 20 anos. Me dá medo pensar, mas assim é. Para isso, vou seguir esta estrutura que podem ver. Vou começar falando da importância que tem esta forma de fertilização a nível mundial. Em resumo, e como estão experimentando no Brasil, é uma forma de fertilização que vai para o alto. Está crescendo muito em todos os lugares do mundo. Farei alguns comentários semelhantes no mesmo enclave que levaram a cabo minha companheira, colega e compatriota, Mari Carmen, sobre nutrição e a importância da fisiologia das plantas. E, a continuação, vou referir-me a aspectos relacionados com como pode ser que um nutriente aportado em uma dissolução sobre uma parte aérea se absorva. O que conhecemos? e, sobretudo, o que desconhecemos, que em proporção é mais o que desconhecemos do que o que conhecemos. A continuação, falarei de alguns fatores claves que afetam as taxas de absorção, sobre os quais nós, quando damos um tratamento, podemos atuar de alguma forma e podem ser realmente claves para que esses tratamentos se absorvam ou não. e terminarei dando uma série de conclusões que podem nos ajudar a melhorar a resposta das plantas aos tratamentos foliares. Começando com a importância desta forma de fertilização, primeiro apresentar um capítulo do livro que acabamos de escrever um colaborador meu argentino e eu, Hector Bahamonde, e também apresentar o livro em si mesmo que é um livro de nutrição que está editando o professor Ted Rangel da Universidade de Western Austrália, e então ele juntou um monte de pesquisadores de diversas zonas do mundo, vai ser um livro parecido ao livro de Maschner, o Mineral Nutrition of Higher Plants, famoso, o que acontece é que este livro tem um carácter muito mais aplicado e se supõe que vai estar à venda a partir de novembro. E nós, para dar uma ideia, somos o capítulo 29, e como têm um carácter muito aplicado, há até um capítulo em que falam sobre o uso de águas recicladas para contribuir à nutrição sustentável de cultivos. Então, eu acho que vai ser muito interessante. Bem, neste capítulo temos uma visão do que é a fertilização foliar, mas tentando falar de coisas que não falamos em reviews anteriores. Este livro, que aprendi que Fernanda, nossa colega de Avisolo, que nos está fazendo host de uma forma super amável e carinhosa, que contribuiu a revisar a versão que Avisolo publicou em português, E também, já que estamos, vamos nos lembrar do nosso colega Ricardo Melgar, do INTA Argentina, que aprendemos, lamentavelmente, que faleceu há pouco, que é o que traduziu o livro para o castelhano, mas também está a versão primigênia, que publicamos em inglês. Algumas das coisas que comentarei as refletimos aí. E em alguns outros artículos, realmente este é um, o primeiro que começamos a escrever com meu amigo e colega Thomas Eichat, Este review é uma passada, o que acontece é que é mais denso a nível científico e também, se vocês se interessam nesses temas, os recomendo, mesmo que seja mais difícil de compreender. Então, vamos começar pensando o que pretendemos quando damos um fertilizante foliar. Por um lado, temos que ter alguma forma de nutrientes, podem estar, como pongo, por exemplo, na diapositiva, em forma sólida, ou podemos ter uma botelha, por exemplo, com uma suspensão, ou uma dissolução concentrada. Esta forma de nutrientes, em forma sólida ou líquida, vamos misturar com água em certa proporção e, realmente, do que preparamos, a maior parte será água. Em geral, pode ser até 95% ou 98% do que aplicamos é água com uma proporção X de nutriente, de matéria ativa. Além disso, como vou comentar depois, podemos adicionar alguns produtos químicos adicionais chamados adjuvantes e esses tipos de produtos químicos podem nos ajudar, por exemplo, a melhorar a taxa de penetração foliar. Tudo isso nós vamos agitar, sobretudo se prepararmos uma suspensão, nos convém agitar bastante bem. E vamos aplicá-lo com algum método, por exemplo, um sprayer convencional ou um aplicador eletrostático. Vamos pulverizar esta dissolução ou suspensão sobre as folhas da planta e nosso desejo seria que a planta absorva a parte aérea. Então, não parece muito complicado todo esse processo, mas espero persuadir-vos de que sim, é complicado que esses nutrientes penetrem através de um fruto ou uma folha, porque vamos ver que se pode dar bastante tipo de fenômenos, sobretudo interações físico-químicas entre esse líquido, essa folha, etc, que podem fazer que o contato, por exemplo, dessa gota e essa matéria ativa seja limitado e então haja baixas tasas de absorção. Então vamos falar de todos esses processos ao longo destes minutos. A relevância desta forma de fertilização é grande e durante os últimos anos cresceu um monte e suponho que quando estivermos capazes de compreender melhor todos os mecanismos relacionados vai ter maior desenvolvimento ainda. Não venho aqui a persuadir-vos de deixar de dar tratamentos à raiz e aplicar todos os nutrientes por via foliar, não creio que isso seja o objetivo, mas mais bem utilizar esta forma de fertilização como ferramenta complementar para o uso racional de fertilizantes. Eu acho que essa é a clave do sucesso. Além disso, pode nos ajudar a reduzir os custos de fertilização e a limitar, por exemplo, a contaminação do chão e do nível freático. Também, além de que podemos usá-lo rotinariamente como complemento à nutrição radicular, podem dar-se situações em que haja problemas na rizosfera e esta aplicação de nutrientes seja a única opção que temos para aportar nutrientes à planta. Por exemplo, estou falando em climas temperados, como podemos ter na Europa, chega a primavera ainda há baixas temperaturas, o chão está frio, a raiz não pode absorver bem. Então, se aportarmos nutrientes à parte aérea, esses nutrientes vão se absorver. É, basicamente, uma das poucas opções que posso ter. Casos típicos, por exemplo, zonas mediterrâneas, temos zonas de suelos alcalinos, temos uns pH de 7,5, por exemplo, no sul de Portugal, Algarve, tem pH de 9 no suelo Maricarmen nos ensinou há pouco o diagrama típico de estabilidade e bioassimilação dos elementos com o pH. Nesses pH, de 7,5 para cima, temos problemas de disponibilidade de todos os micronutrientes. Então, se aplicamos à parte aérea, esse 5, etc., se o aplicarmos como sal, o aplicamos ao chão, precipita no ato, em cambio, o aplicamos pela parte aérea e vai poder absorver. E como vantagem deste método de fertilização é que esses nutrientes que vamos pulverizar como um spray na parte aérea podem penetrar diretamente, por exemplo, através da ponta de crescimento, que é o lugar onde se requerem maiores concentrações. Então também isso é vantajoso. mas a realidade às vezes é outra e se aplicarmos os fertilizantes em condições muito favoráveis com altos volúmenes de aspersão, pode dar-se a situação de causarmos queimaduras, por exemplo. Um caso que se vê comumente é que damos algum tipo de tratamento foliar e não vemos nenhum tipo de resposta à planta, o que também pode resultar frustrante. Todos esses fenômenos, em geral, se produzem ainda porque nos falta conhecimento, nos falta caracterizar bem que resposta, como se absorve esses fertilizantes que aplicamos por via foliar, quando são mais eficazes, etc. Então, quando chegarmos a um ponto em que tenhamos mais conhecido todos os fenômenos relacionados com a absorção foliar, eu acho que a resposta, poderemos lograr, digamos, melhor optimizar os tratamentos. Mas, bem, entre todos, entre as empresas de agroquímicos, pesquisadores, entre todos, eu acho que estamos avançando bastante nesses anos, mas nos resta muito caminho por recorrer. No entanto, se revisarmos a literatura, tanto técnica quanto científica, podemos encontrar centenas, digo centenas, porque há mais de 400 estudos de absorção foliar que demonstram que pode haver efeitos muito positivos em cultivos diversos, desde cultivos de flores, passando por frutais ou por cultivos extensivos. É típico, por exemplo, o tratamento de espécies frutais com fertilizantes foliares, está super utilizado nos períodos de floração, desenvolvimento de folhas, até certos períodos em que se alcança o tamanho máximo de frutos, pois se recomendam muito os tratamentos foliares. Também, por exemplo, se está recomendando muito em cultivos extensivos, por exemplo, em zonas do sul da Austrália que têm problemas de pH altos nos solos, é muito típico aportar sprays de fósforo em trigo, por exemplo. E me consta também em canha de açúcar se está aportando muitos tratamentos foliares. Então, em geral, em momentos de grande demanda de nutrientes, é recomendável dar um tratamento foliar. e há centenas de estudos que avalam o uso de tratamentos foliares. Qual elemento eu posso aplicar? Qualquer elemento da tabla periódica. Como vocês estão vendo aqui, estão bordeados com um circulo de cor ou vermelho ou azul, os elementos que se consomem a maiores concentrações ou menores, os chamados macronutrientes ou micronutrientes, dos quais a Mari Carmen nos falou recentemente. Mas, na teoria, eu posso aplicar qualquer elemento da tabla periódica, qualquer, que não seja reconhecido como um nutriente essencial. Falar sobre o que comentou minha companheira há um momento, um fator que devemos considerar para ter expectativas realistas quando damos um tratamento foliar. Então, a dia de hoje, o que se acredita do movimento dos nutrientes é em relação à retranslocação, não estou falando da absorção da raiz. que vem regido, como comentou bem Mari Carmen, pela transpiração, mas que estou falando de que um nutriente baixe de uma folha ou que se possa mover de uma folha jovem a uma velha. Então, com todos os estudos de nutrição que se levam desenvolvendo durante há quase 200 anos, foram catalogados para diferentes espécies. Isto é uma compreensão geral do comportamento dos nutrientes, mas haverá diferenças em relação ao estado fenológico, que espécie é, que variedade, etc. Mas, em geral, se considera que estes macronutrientes que vemos aqui podem se mover bem, potássio, nitrógeno, azufre, magnésio, fósforo e cloro. O boro, suponho que vocês já estão familiarizados com o tema de que se as plantas levam açúcares, álcool no floema, pode mover bem o boro. Há recentemente um estudo com canola e com trigo, que já não eram açúcares, álcool, sorbitol, manitol, etc., mas formas de sacarosa ou algum tipo de açúcar. Se o levam presente no floema, podem acomplejar de alguma maneira o boro e o boro se move. Todos estes trabalhos foram realizados por Patrick Brown nos anos 90 e 2000, mas continuam existindo grupos que estudam o boro e então se viu que as espécies que possuem este tipo de substâncias podem mobilizar bem o boro, enquanto que as espécies que não o usam no FLOEMA, o boro é imóvel. Me cabe a mim pensar que, talvez, alguns destes elementos que vemos no meio, chamados elementos com mobilidade intermédia ou condicional, pode ser que haja algum tipo de substância enfloema que descobram dentro de alguns anos e que façam com que algumas espécies se movam bem ou não se movem. Mas, a dia de hoje, não se conhece algo assim nada mais que pelo boro. Então podemos ver aqui que o ferro, o zinc, o cobre molibdeno, também colocaram o sódio, que o sódio não está reconhecido como nutriente essencial, salvo para as plantas alófitas, pois todos estes elementos, de acordo com que espécie, podem se mover, não alcançam a mobilidade de um elemento móvel, mas podem se mover. Enquanto se observa, em diversos estudos, que o manganês, o silício e o cálcio não se movem. Estas são as pautas generais que temos. Então, o que podemos pensar se darmos um tratamento foliar desses elementos? Temos que esperar esse tipo de comportamento. Não podemos esperar dar um tratamento foliar, por exemplo, de manganesso e esperar que depois de um mês esse manganesso que temos aportado chegue à ponta de crescimento. Temos esse problema fisiológico na planta que temos que reconhecer que vai ser igual quando darmos um tratamento foliar ou radicular. O bom de dar um tratamento foliar é que se é um elemento imóvel, nós nos quitamos de todos esses problemas possíveis de transporte e translocação. Essa é a vantagem. Então, os tratamentos foliares são recomendados para elementos, se pode aplicar qualquer, mas ou os de mobilidade intermédia ou os imóveis. Insistir em que tudo isso que eu digo, a mobilidade, pode variar com as espécies, com o estado fenológico, etc., e que vai haver fases em que é crucial a mobilização, por exemplo, se estão formando as sementes. De novo, e repetir, aqui já vejamos que temos adicionado alguns elementos mais com círculos, qualquer elemento pode ser aplicado, e fazer hincapié nos elementos chamados beneficiosos. Estes elementos beneficiosos, como o sílico, me consta que alguém me comentou recentemente que o sílico está reconhecido como um nutriente no Brasil, Na Europa não se incluem as listas de nutrientes, graças pelo comentário, mas sei que há muitos pesquisadores que trabalham com silício, ou alguns, vejo escepticismo. Estive em uma conferência no ano passado em Goiânia e coincidi com alguns, o Dr. Ávila e outros que faziam muitos experimentos com silício e que demonstraram efeitos beneficiosos contra a sequia, contra vários patógenos, etc. Lá na Europa se usa comparativamente menos, mas está começando a colocar bastante para ajudar a controlar diferentes fatores de estresse. Por longe, não é um nutriente essencial porque não se conhece o papel metabólico até o dia de hoje. Outros elementos beneficiosos, por exemplo, o selênio. que pode melhorar a absorção de outros nutrientes, mas o que é indudável é que se está utilizando muito para biofortificação, para enriquecer nutrientes. Alguns produtos agrícolas, por exemplo, maiz, trigo, etc., todo esse tipo de produto agrícola que nós vamos acabar por comer e tal, se o enriquecemos, por exemplo, em cinco, em selênio, etc., a saber, se está aplicando muito como foliares também. Continuamos, ademais de todos os benefícios que podem aplicar os tratamentos foliares, pois não são contaminantes no meio ambiente, porque aplicamos o tratamento na parte aérea e não tem problemas no manejo, não causam toxicidade para as pessoas que os andam preparando, etc. E isso é uma coisa que se está reconhecendo, eu acho que temos muito por fazer, a combinação de nutrientes de aplicação foliar com pesticidas, por exemplo, insecticidas, fungicidas, etc, pode nos ajudar a reduzir a dose agroquímica e obter melhores efeitos. Pouco desenvolvido, por exemplo, há alguns estudos em que misturar zinc foliar com algum fungicida magnifica o efeito dos fungicidas, etc. E eu acho que esse campo é muito interessante, o de misturar nutrientes com agroquímicos, para conseguir reduzir a dose de agroquímicos e melhorar o efeito desses produtos. Eu acho que isso é um tema que deveríamos nos dedicar, os pesquisadores, a desenvolver em um futuro, porque é um grande campo de exploração. Então, como exemplo, citar este estudo, que é uma revisão literária que a ANE fez recentemente, em que se reuniu toda a informação da utilidade de misturar silício, que insisto, não está reconhecido como um nutriente essencial, misturar silício com diferentes agroquímicos, neste caso, com diversos fungicidas. E como se vê nesta tabla, acho que está muito pequeno, acho que como não se vê, mas bem, hão misturado diferentes compostos de silício com diferentes fungicidas e, bem, há reunido aqui informação de diferentes estudos realizados por diversos investigadores e então se vê que a combinação de Sprite de silício com certos fungicidas ajuda a controlar diversas enfermedades. Vemos aqui, por exemplo, o Powdery Mildew. Este é um campo que eu acho muito interessante, o de misturar nutrientes com, por exemplo, fungicidas, como ferramenta para baixar a concentração de fungicida e obter melhores resultados. Já está a foto. Vamos prosseguir falando agora um pouco da relação entre fertilização foliar e fenologia e o estado fisiológico do cultivo. Minha companheira acabou de falar sobre a importância das fases de desenvolvimento de um cultivo e também o que devemos considerar quando vamos dar um tratamento. insistir, como muitos ponentes que falaram nesses dias, na importância da fotossíntese para que as plantas desenvolvem todos os produtos químicos que têm. Então, aqui vemos a equação simplificada, as plantas são o que se dizem organismos autótrofos, com o CO2 do ar, com água, evidentemente com a luz, Elas são capazes de generar açúcares e a partir deles elas sintetizam aminoácidos, proteínas, ácidos grassos, etc. Tudo a partir dos açúcares, são uma verdadeira fábrica de produtos químicos. Então, nós, como cultivadores, nos convém que essa fábrica funcione bem, que haja um área foliar adequada, que se sintetizem açúcares e, desta forma, nos asseguramos que venham a produzir frutos ou que desenvolvem grãos, etc. Então, temos que manter um área foliar adequada e, se o que nos interessa é, por exemplo, coletar o grano ou o fruto, temos que manter um equilíbrio entre quantas folhas permitimos que haja e que se generem flores e frutos. Temos que manter um equilíbrio no crescimento. Então, aqui um exemplo, a famosa canha de açúcar, que é um cultivo muito importante neste país. É um cultivo que tem um tempo de desenvolvimento de vários meses e passa por várias fases. No início, me convidaram recentemente para Guatemala, em janeiro, e tive a oportunidade de me enfrentar a esta coseca, que na Europa é rara de ver, não cultivamos muita canha, na verdade. Então, tive a oportunidade de ver como era uma planta de canha recém-plantada, e pude comprovar que as folhas dessa canha eram folhas repelentes ao água, tinham propriedades completamente diferentes de folhas em estados mais desenvolvidos. Então, além de como vão ser as folhas, coisa que a mim vai me interessar saber quando de um tratamento foliar, vai ter, como bem disse Mari Carmen, uma demanda de nutrientes diferente ao longo de todas essas fases de desenvolvimento e, além disso, essas plantas no campo vão estar sometidas a estresse, sequia, inundação ou muita irradiação. Lá em Guatemala, parece ser que tinha muitos problemas de alta irradiação. Então, haverá uma série de interações entre a fisiologia da planta em cada estado fenológico e as condições ambientais. E em cada fase haverá diferentes necessidades de consumo de nutrientes. Então, a cena é bastante complexa. Em geral, quando podemos recomendar dar um tratamento foliar? Número 1, se temos um problema no chão que faz com que a raiz não possa absorver bem esses nutrientes. E o típico caso que eu disse, por exemplo, ter um pH muito alto, aqui eu sei que vocês têm problemas contrários, vocês têm pHs muito ácidos, por exemplo, no Mato Grosso, e aí vocês têm problemas de excesso de alumínio, etc., e problemas de disponibilidade de outros nutrientes. Em cada zona do mundo nós temos nossos problemas, e então, em essas condições, pode ser interessante aportar foliarmente os nutrientes que não vão estar disponíveis, por exemplo, a um pH muito ácido. Ou, no nosso caso, no Mediterrâneo, pH muito alto. A forma típica de recomendação de um nutriente por via foliar era sempre quando víamos síntomas de carência nas folhas. Estamos comprovando ultimamente que quando já vemos síntomas nas folhas, quando damos um fertilizante foliar, a folha vai absorver pior que se está sana. Então, a eficácia dessas pulverizações, se vemos síntomas, pode ser menor que se a folha está sempre sana. Estamos tendo a reconhecer que é melhor sempre manter as plantas bem nutridas ao longo do estado de desenvolvimento. Mas a recomendação tradicional dos foliares era quando víamos sintomas nas folhas. e a grande ocasião de aportar nutrientes por via foliar é em momentos em que a planta não é capaz de absorver todos os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. Eu acho que essa é a grande... A recomendação que podemos fazer é dar tratamentos foliares quando a planta tem um grande desenvolvimento vegetativo, reprodutivo, etc. Então, a raiz não dá abasto em absorver nutrientes. Então, se darmos um tratamento foliar, ajudaremos-a a se desenvolver melhor. Provavelmente, podemos adicionar a este listado algum outro tipo de recomendação adicional em um futuro, quando conhecermos melhor como é o mecanismo de absorção e assimilação desses nutrientes por via foliar. Aqui vou colocar alguns exemplos. É um artigo que publicamos de divulgação recentemente com um colega da Universidade Politécnica da Faculdade de Agricultura. Se chama Rubem Moratiel. Em geral, isso foi extraído do livro que estudamos com o Patrick e o Tomás Sotirópolos. São exemplos de quando convém dar um tratamento foliar, por exemplo, se temos uma situação em que a raiz não pode absorver todos os nutrientes que a planta precisa, por exemplo, há sequia, se não há água, como acabou de dizer Mari Carmen, não pode absorver, etc. Ou se a planta está em um período já se aproximando da senescência, a raiz também não vai funcionar bem. Então, é conveniente dar um tratamento foliar. ou se temos condições de baixa umidade ou temperatura, como comentava, que nos passa em zonas temperadas, a raiz não funciona bem e não pode absorver nutrientes, então é recomendável dar um tratamento foliar. em ocasiões de, por exemplo, grande desenvolvimento vegetativo, ou de floração, ou de desenvolvimento de frutos, a planta não dá abasto a transportar nutrientes. Já não é só absorver, mas transportar os nutrientes para as partes aéreas, que é um mecanismo muito complexo também. Então, se aportamos por via foliar, ajudamos o desenvolvimento de folhas e de frutos, etc. e em ocasiões em que tenha limitações de tipo estrutural, por exemplo, devido à arquitetura da raiz, etc., isso pode fazer com que não haja suficientes raízes absorventes e que não se produza um bom transporte. Então, a aportação de fertilizantes foliares também pode ser muito beneficiosa. Agora vamos falar do que sabemos sobre a absorção e o que podemos fazer para melhorar esse processo. Então, o primeiro, insistir e repetir, a absorção, igual a absorção radicular que nos falou agora a Mari Carmen, se dá quando tenho uma dissolução, há absorção quando há um líquido, quando não há líquido, se acaba. O mesmo problema temos quando depositamos um tratamento sobre um fruto, ou uma folha, ou um talho. Tudo o que vou falar é extensível para um pétalo de uma flor, uma gema, um talho, deixando a parte os troncos dos árvores, as zonas com o que se chama de uma peridermis, que isso não está bem estudado, parece que vão ser permeáveis também, mas não há estudos. Então, tudo o que eu vou falar é extrapolável a qualquer órgão que não seja um órgão com crescimento secundário. Então, aplico um tratamento, aplico um líquido, esse nutriente pode ir em suspensão Quando essa gota se seca, acaba o processo de penetração. Então, o que acontece? Que nos interessa que o processo de secado dure o mais possível, porque quando há um líquido, quando há uma gota, o nutriente pode penetrar. Quando essa gota se seca, acaba a penetração. Mas temos que considerar também que aqui se produz condensação por noite, se alcança o ponto de rocio, se reumedecem os corpos vegetais, etc. E então se produz uma condensação de água, se vai reidratar o depósito, a gota vai se tornar, vai se tornar uma suspensão ou dissolução e vai haver um processo de penetração. Então, não só no momento em que aplicamos, mas quando aplicamos, olhamos as previsões do tempo e vemos que não vai chover em cinco dias, então, nesses cinco dias, pode haver penetração por noites. Mas quando o depósito seca, acaba a penetração. Então, por onde pode penetrar um fertilizante foliar? Pongamos um fertilizante de cálcio. Aplicamos um fertilizante de cálcio a uma planta de canha de açúcar. Onde pode penetrar? Por exemplo, consideramos uma folha. A primeira via que penetra através da cutícula, que é essa capa que cobre todas as partes aéreas das plantas, que tem um alto contenido em grasa. A parte externa é cera. que penetra através destes poros de tamanho microscópico, chamados estomas, que em plantas C3, costumam estar na parte de baixo das folhas, mas muitas plantas C4 estão em ambos os lados. Por exemplo, em canha temos estomas por ambos os lados, no trigo, em muitas gramíneas, podemos observar estomas por ambos os lados da folha. Por exemplo, se a nossa folha tem cabelos, os chamados botâmicamente tricomas, vai ter cabelos que são umectáveis e vão absorver os tratamentos. Mas, por outro lado, pode haver cabelos que sejam hidrófobos, que repelem o água. Pode haver cabelos de todos os tipos. Mas alguns poucos estudos demonstram que alguns cabelos absorvem. Esses cabelos estão cobertos de cera e cutícula. O que acontece é que, pelo que eu vi no microscópio, há zonas dos cabelos que não estão bem cobertas de grasa e, por aí, vai penetrar pela parede celular, vai penetrar a dissolução. Não está bem caracterizado. Um estudo que realizamos recentemente dedicamos-nos a aplicar gotas de cloruro de cálcio nas venas, por cima das venas, em folhas de uma planta que ficamos um pouco longe, os que somos agrônomos, que são as alhas, o Fagus sylvatica, e então vimos que penetrava pelas venas, não penetrava pelas zonas do limbo da folha, de lado, por aí não observamos que havia penetração de cálcio, mas vimos quando havíamos aplicado gotas nas venas. Com isso, fica provado que pode ser que as venas sejam zonas mais permeáveis. Mas é a primeira vez que isso se demonstra. E um estudo recente de uns colegas da Universidade de Queensland, na Austrália, demonstrou que as venas menores, não tenho uma foto aqui, a venação menor, que se observa em algumas plantas que se chamam de extensões da vaina de laz, também podem penetrar. Eles aplicaram sulfato de zinc. e nanopartículas de zinc. Estas são as vias pelas quais poderia entrar um fertilizante. Como vejam, estamos adicionando mecanismos. As venas e as extensões da vaina de laz são moderadamente novas. E aqui os colegas da Universidade de Queensland aplicaram sulfato de zinc e umas nanopartículas, uns óxidos de zinc, de 200 nanômetros de largura. Então, o aplicaram em folhas de girassol e aqui podem ver a topografia que tem uma folha de girassol, é muito entretenido porque tem muitas estruturas, tem vários tipos de cabelo, tem cabelos glandulares que secretam substâncias, cabelos não glandulares de dois tipos. por baixo da cara tem tomas, então é muito entretenido, como eu disse, e depois tem tensões de LAS. Então, esses pesquisadores tinham acesso a um sincrotron, que já sabem que um sincrotron é um acelerador de partículas, não sei se vocês têm em América algum, vocês têm? No Brasil? Que sorte vocês têm, que bom. Em Campinas? Bem, me gratulo por saber. Bem, então, lá na Europa, parece que tem um em Barcelona, mas o que temos de uso público está em Grenoble, está em França. Essas pessoas, usando o sincrotron e a microscopia de raios X, foram capazes de ver como penetrava o zinc, aplicado como sulfato ou como óxido de zinc, na folha do girassol. Estas são as famosas extensões da Baína de Láz, que são um tipo de estrutura anatômica que vai de lado a lado, cruza a folha e divide a folha em aerólogos. Muitas folhas são o que se chama heterobáricas e têm o mesófilo dividido em compartimentos com estas extensões. Então, o senhor que descreveu estas extensões da Baína de Láz é um tal Wiley, de 1950, e já propôs que esta estrutura nos ia permitir o transporte de água e nutrientes de forma vertical e horizontal nas folhas. E tinha razão, e estes australianos acabaram de demonstrar. Então, o que viram os australianos? Aplicando umas gotas de sulfato de zinc ou óxido de zinc, viram que penetravam através destes cabelos. Vejam que há outro tipo de cabelo, isto que parecem bactérias, pois são cabelos glandulares. e havia outro tipo de cabelo não-glândular, pois haviam visto que os que absorviam o zinc eram estes, este tipo de cabelos. E depois comprovaram que esse zinc se transporta através da extensão da vaina de laz de forma horizontal e vertical. Então, se conclui que para a hoja do girasol não viram que havia absorção pelos estômagos, que o que contribui à absorção desse fertilizante de zinc eram os cabelos não-glândulares. Lamentavelmente, cada hoja que trabalhamos, cada espécie, em algumas pode ser o estômago o que mais contribui, em outras os pés não-glandulares, em outras os pés glandulares, em outras a cutícula, etc. Isto é um verdadeiro jaleio, um lio. Então, pode variar o mecanismo de absorção predominante com a espécie, com a variedade e, inclusive, com a idade. Então, vou falar agora um pouco mais a detalhe de que se sabe, de como penetra o água e os solutos. Soluto, estou tentando falar de substâncias que se ionizam, que têm mais carga polar que polar. Mas também vou falar um pouco de substâncias que sejam mais apolares. Nos últimos sete anos venho trabalhando com um físico de membranas. Tive que estudar a termodinâmica, a físico-química e tudo isso, mas não quero fazer vocês loucos. Mas temos que levar isso ao campo da termodinâmica para tentar entender algo. Então, vou fazer uma simplificação muito burda poder transmitir um pouco como cremos que se transporta, cremos, porque não está bem demonstrado, como vais a comprovar, as substâncias. Então, simplesmente, de toda esta classificação, que foi feita por um investigador chamado Jörg Schoenherr, que não morreu, ele continua vivo, que era da Universidade de Hannover, que fez o mestre na Universidade de Michigan nos anos 70, e já que estava lá, ficou para fazer o doutorado, e entrou no grupo de investigação de um professor que era um croata, Martin Bukovac, que começou a desenvolver muito o tema da penetração foliar, já havia um antecedente, um alemão, o professor Wittblatt, então havia vários pesquisadores que, com a Guerra Mundial, foram para a América do Norte, alguns foram para Davis e outros foram para Michigan, e começaram com todo este tema, mas este tema já vinha da Alemanha de antes. Então, eu vou comentar um pouco como organizaram isto e, em concreto, esta forma de organização, a penetração cuticular, a desenvolveu todo o professor Schoenherr. Por um lado, vamos falar da cutícula. Nós recordamos que mostramos antes uma foto de uma superfície mais ou menos plana e eu disse que a parede celular externa dos órgãos, essa parede se chama cutícula e se comprovou que tem bastante componente de grasas. Nossos estudos, nos últimos anos, nos dedicamos a desfazer a cutícula de alguma espécie de modelo. Hemos comprovado que, retirando as ceras e a cutina, que é um polímero de ácidos grassos de 16 ou 18 carbonos com algum grupo hidroxilo, vimos que, retirando a grasa debaixo, isso havia que ver, não basta com um análise químico, temos que olhar a estrutura. Então, cortamos com um microtomo ultramicrotomo e o olhamos com um microscópio eletrônico de transmissão, então vimos que, tirando a grasa, ficava debaixo de uma parede celular. Igual que uma parede qualquer, temos comprovado que debaixo da cutícula havia, tirando a grasa, uma parede celular. A parede celular significa polisacáridos, celulosa, pectina hemicelulosa e todos esses compostos são muito polares e têm boa interação com o água. Então, a efeitos, vamos ter um material com polissacáridos e na parte mais externa, para o exterior, vai haver ceras metidas por dentro, ácidos grasos esterificados, é a chamada cutina, e no alto vamos ter uma capa de ceras epicuticulares. Então, o que acontece se nós colocamos aqui uma gota de uma substância mais bem apolar? Por exemplo, um óleo. O óleo tem uma componente apolar importante, as ceras são bastante apolares, têm boa interação termodinâmica, se querem, podem estar juntos porque têm boa interação, então se vai produzir o típico processo de difusão e dissolução de qualquer substância em qualquer membrana, porque há boa interação Quem tem uma boa interação termodinâmica com a cera e as grasas da cutícula? Os insecticídios, que têm umas componentes apolares enormes, fungicidas, todo esse tipo de produtos agroquímicos, insecticídios, são muito apolares, então têm muita afinidade com a cera e com a cutina, com o qual vão ter muita persistência. Têm facilidade para penetrar. Este é o caminho fácil. Fácil, mas não tão fácil, porque os estudos desenvolvidos pelo professor Schoenherr e seus doutorandos, que são professores na Alemanha, e outro também, que é o diretor de IMASD, de Clariant, uma enorme empresa de surfactantes, Então, todos os estudos desses pesquisadores demonstraram que não era tão fácil, mesmo que sejam substâncias apolares, há limites no tamanho das moléculas, uns limites bastante importantes. Então, hámos catalogado limites de que a molécula não pode ser superior ao tamanho de 0,5 nanômetros a... Bom, ultimamente, estudos de Thomas Seichert têm subido um pouco o rango até os 5 nanômetros, mas com tudo isso é bastante pequeno. Para dar uma ideia, um ferro EDTA, tem um nanômetro. Isto sem contar que vai ir solvado, que pode haver água aderida a esta molécula, pensando que é só a molécula, um nanômetro. Não é muito grande, mas qualquer coisa que nos ponhamos a olhar pode que tenha um tamanho bastante grande. Então, este caminho vai ser impossível de seguir. O que acontece com a permeabilidade de uma cutícula? Há centenas de estudos que demonstram que a água e as substâncias polares penetram pelas cutículas. Quando eu comecei a estudar, eu também estava trabalhando com o professor Shin, estive há dois meses, e me venderam a ideia de que a cutícula era uma capa de grasa, e eu disse, como pode ser, se é uma capa de grasa, que penetre o água e os solutos, razão pela qual, quando eu tenho mais anos fazendo investigação, me dedico a ver como era a cutícula, e afortunadamente descobri que havia uma parede celular por debaixo. Então, suponhamos, já o supunha gente desde o ano 1800, que há uma parede celular, que é a estrutura que caia debaixo da cutícula e depois se secretam gorduras, etc. Então, suponhamos que o transporte de água vai ser vinculado aos polissacarídeos que compõem a parede celular. O professor Schoenherr propôs, na primeira vez, em 1970, e depois em um par de artículos no ano 2000-2001, que haveria uma estrutura que ele chamou de poro aquoso, ele chamou de aqueous pores, e até lançou um review em 2006 de poros aquosos, de uma estrutura que nunca foi visto ao microscópio, não está demonstrado. Temos que entender que um poro deve ser uma estrutura contínua que comunicará a parte externa com a interna e até o dia de hoje, ninguém nunca viu um poro em uma cutícula. De fato, em ciência de membranas, quando se olha um corte transversal de cutícula, é o que se chama uma membrana densa, porque se vê uma estrutura muito condensada e não se observam poros de nenhum tipo. Então, se ouvir isso dos poros aquosos, por favor, lembrem-se de mim. que isso não existe, que não está demonstrado, etc. Então, o que sim, se comprovou em muitos estudos, é que antes de que haja transporte de águas insolúteis em uma cutícula, a cutícula precisa se hidratar. Primeiro se hidrata, provavelmente haverá um inchamento. Pensemos em polissacáridos, que são polares. Essa estrutura deve ser hidratada. Provavelmente, deve-se produzir um inchamento, como foi descrito, para o transporte de água em madeira. Em madeira, sim, foram feitos alguns estudos de transporte bastante bons, que acho que podem ser comparáveis a todos esses processos de difusão na cutícula. Então, uma vez isso se hidrate, provavelmente se incha, aí se vai dar o transporte de água e solutos. mas não temos bem caracterizado este processo. Uma vez mais, insistir em estas limitações de tamanho que se descreveram também para o transporte de substâncias apolares. Então, não qualquer molécula pode penetrar por este caminho, ou seja, quanto mais pequenininha seja, mais fácil terá. O que é o mais pequeno de tudo? Os íons. O íon, estamos falando de Armstrong, sim? que é mais pequeno que o nanômetro, parece-me que é 10 vezes mais pequeno, se não me engano. Então, estamos no rango dos Armstrong, mais pequenos, e se nós vamos a moléculas mais grandes, pode que acabemos tendo um problema para que penetrem. Por exemplo, algumas moléculas destes ácidos úmicos, etc., que por o que se vê, quando um olha a molécula, se vê imensa. Então, é possível que tenham restringido esta via de penetração, que não seja possível. Poderão entrar por estomas, de acordo? Então, aqui vivemos no campo da hipótese, não conhecemos o mecanismo, e o que sugerimos recentemente, baseados em outros pesquisadores, sugeriram coisas parecidas. Neste artigo que escrevemos recentemente para o livro do professor Rengel, Nós fizemos uma aproximação muito melhor, mas bom. Então, partindo da base de que como é uma parede celular, uma parede celular, por definição, está hidratada. Uma parede celular se define como um material composto de polissacáridos, etc, hidratado. Como aqui vai haver por baixo uma parede celular, é possível que tudo em um órgão intacto que esteja bastante hidratado. Outra coisa é quando pegamos e extraímos a cutícula e a isolamos, aí temos gerado um artefato e o comportamento disso pode ser muito diferente. Então, o que podemos pensar? Que se temos condições no ar de uma umidade relativa muito alta, então vai haver absorção com D de água neste material, se vão ir absorvendo moléculas de água aos polissacários que ficam expostos, e então se vai formar um contínuo, digamos, chamamos de polar. O água se vai absorver a grupos polares, então se vai produzir um contínuo polar, É contínuo, que na realidade são grupos funcionais polares, que vão se modificar sua posição com a entrada de água, tem que ter em conta que são sistemas dinâmicos, são moléculas, as moléculas vão ter certa possibilidade de movimento de grupos funcionais, então tudo isso vai ser alterado pela entrada de uma molécula polar. e que se forme algum tipo de caminho tortuoso que permita o movimento de uma substância polar e interações polares com os grupos funcionales. Mas isso tem que ser demonstrado e estamos nisso. O que tem que ficar claro para este caminho é a umidade relativamente alta, importante. Então, se depassitamos volumes muito baixos de caldo, é muito complicado que todo este sistema se hidrate. A outra via que pode contribuir muito à penetração foliar, eu, em meus estudos, sempre procuro dar os tratamentos quando os estômagos estão abertos, é a chamada via de penetração estomática, que foi sujeita a muita controvérsia há muitos anos, desde 1940, e antes já se perguntavam se era possível que tivesse fluxo em massa. Fluxo em massa. Cutícula, estava falando de difusão, e a gente se perguntava se podia haver fluxo em massa. Então, houve um estudo, precisamente da tese doctoral do professor Schoenhauer, em 1972, que postulou que era impossível que a água pura, não estou falando de colocar um surfactante que baixa a tensão superficial, mas se aplicarmos água pura era impossível que os estômagos se penetrassem. O lamentável é que, até 1972, quando esse artigo foi lançado no Plan Physiology, estava plenamente reconhecido que a penetração astomática era super importante para a absorção de fertilizantes foliares. Havia um grupo, alguns grupos muito importantes na Universidade de Davis, e tem muitos artículos desde os anos 50, 60, etc., que recomendavam a aportação de fertilizantes foliares. Então, desde que Schoenger e Bucowak sacaram este estudo em 1970, se abandonou por completo o estudo da penetração estomática, até que o valente Thomas Eichat, da Universidade de Bonn, voltou com o tema, não com pouca dificuldade, por certo. Isso se tornou um tabu. Então, os estudos realizados por Tom e seus colaboradores foram capazes de demonstrar que as dissoluções poderiam penetrar por um estômago. Estou falando de água pura. Se nós adicionarmos um agente tensoactivo, um surfactante que muda a tensão superficial do água, Qualquer dissolução, se está no estômago aberto, pode penetrar. Mas, além disso, os estudos de toma demonstraram que se aplicarmos em algumas espécies, isso vai variar muito com a topografia e a composição química do estômago, em algumas espécies se aplicou água pura com sal e já vimos que penetra. Mas, se adicionarmos surfactantes, todos os estômagos podem penetrar. Além disso, se adicionarmos surfactantes que baixem muito a tensão superficial, pensamos no grupo dos órgãos siliconados, o silhouette, o breakthrough e todos esses surfactantes, nos baixam por debaixo de 30, 24, etc. E aí, eu não sei se vocês já fizeram essa experiência, um vê que se coloca em zonas transparentes das folhas, e isso é porque se produz fluxo em massa nos estômagos. Mas os estudos que fez o Tom, com água pura e com algumas espécies, por exemplo, comprovado com alhum, com o porro, com café, folha de café, etc, colocando uma sal com água pura ou outro tipo de substâncias, pois viu que penetrava o estômago. Mas, pelas medidas que ele fez, o que ele pôde deduzir é que não é um processo de fluxo em massa, mas que se forma uma capa de água no poro do estômago e então entra naquela capa nutriente. E o último estudo, em 2008, ninguém voltou a sacar nada, ou seja, não temos nem ideia. E isso está estudado com duas espécies. Mas há muitos estudos aplicados que demonstram que podem penetrar muito o fertilizante foliar se darmos os tratamentos quando os estômagos estão abertos. Como? Ainda não temos muito claro. Então agora vamos falar de alguns fatores que nós podemos elegir ou melhorar para que a planta responda melhor aos tratamentos. O primeiro review que comecei quando eu fazia a tese, eu fiz a tese em fertilização foliar de ferro, há alguns anos. Então, quando comecei a escrever o primeiro review, eu disse, vou tentar ordenar isso de alguma maneira. Então, eu tentei agrupar, há tantos fatores que influem, que havia que ordená-lo de alguma forma. Consideramos alguns que têm a ver com a planta, por exemplo, fisiologia, como a estrutura das folhas, etc. Existem vários fatores relacionados com a planta que vão afetar a resposta da planta ao tratamento. Por outro lado, podemos ter fatores de caráter físico e químico em relação a como é o fertilizante que aplicamos, ou os adjuvantes, e de que forma aplicamos esse tratamento. Estes fatores também vão influir muito na resposta das plantas. E, por último, um fator crucial é em que condições ambientais elegimos dar o tratamento. com luz, com 40 graus, 25 graus, umidade relativa a 90%, 20%, etc. Isso podemos escolher. Olhamos a previsão meteorológica e podemos escolher em que dia e a que hora queremos dar o tratamento. E isso, como vão ver, é muito importante considerá-lo. Começando com a planta. estudos realizados desde, pelo menos, os anos 70, em Inglaterra, começaram a fazer estudos de microscopia eletrônica de barrido, de como eram as superfícies das folhas, e então, já por aquele então, dizeram que haveria uma relação em como era a estrutura da folha, e a resposta da planta ou um tratamento, seja um insecticida ou o que for. Então, existem muitos estudos que mostram a topografia da folha, o comportamento, a interação com um fertilizante foliar, desses já há menos. Poucos estudos demonstraram que se temos estresse e damos um tratamento foliar, que há baixa taxa de absorção, e em concreto os que tenho constância que existem, alguns com sequia, quando a planta tem sequia, o primeiro que vai fazer é fechar os poros, os estômagos. Se damos o tratamento, a penetração pelo estômago vai ser impossível, porque a planta tem os estômagos fechados. Também temos comprovado em quatro estudos, um com carência de fósforo, carência de boro, carência de zinc, e dando um tratamento, foliar, a planta, se a folha tem sintomas de carência, não absorve bem, absorvem mais as folhas sanas. Então, a eficácia do tratamento dessas folhas com sintomas de carência é menor comparada com uma folha sana. Então, está muito reconhecido que a abertura estomática, se os estômagos estiverem abertos, haverá mais penetração foliar, etc. Mas outros tipos de fatores não estão bem catalogados. E, muito importante, vai influir muito como é a estrutura química e física dessas superfícies que tratamos, mas também não está muito bem conhecido. O primeiro que temos que considerar, se darmos um tratamento foliar de bioestimulantes ou de fertilizante, essas gotas se vão depositar sobre as folhas de alguma maneira, vão adquirir certa forma, e uma vez essa gota se deposita, vai haver uma interação do líquido. Se a gota faz uma bola, muito pouca interação, só no ponto onde está depositada essa esfera. Se a gota é mais chata, o líquido faz mais contato. e uma vez esse líquido interagir com a superfície, pode haver penetração da matéria ativa. Então, para tentar dividir esses processos, porque isso é muito complicado, estou me centrando em, primeiro, catalogar como interagir a gota com a superfície e, em segundo lugar, como penetrar essa matéria ativa através da superfície. São fenômenos que podemos separar. Como eu disse, foram feitos estudos de ver fotos, imagens de microscopia eletrônica de barrido, e vimos que há muita variabilidade em uma folha na cara de cima, na de baixo, se a folha é jovem, se é velha, se é diferente do fruto, etc. As variedades são diferentes, a variabilidade é imensa. E como a variabilidade da topografia e da composição química é enorme, o que acontece é que a interação dessas gotas com as superfícies pode ser também muito diferente. E isso nos afeta o que chamamos de mojabilidade e se essa gota se agarra ou vai cair, que não é o mesmo que a mojabilidade. Aqui um exemplo muito desgraçado, se tentamos dar um tratamento foliar, por exemplo, um cloruro de zinc ou qualquer substância a uma hoja de trigo, sem surfactantes, com água pura. Então, o que acontece? Isto vai variar com as variedades, mas vamos andar em rangos semelhantes. Isto é como se vê lá, vejam estes pontinhos, são tricomas que são feitos de síliceo. Se damos com o dedo, rascam. Então, se tivéssemos cometido a culpa desta má interação com o água, ou com qualquer fertilizante que colocássemos em água pura, teríamos um comportamento parecido. Se colocamos a folha em plano, a pegamos a um porta de microscópio e o medimos com uma máquina, um medidor de ângulo de contato. Então, primeiro, temos que colocar uma gota muito grande para poder depositar, porque tem repelência, senão não somos capazes de depositar a gota. E, segundo, vemos que a área de contato é muito pequena. O ângulo de contato se define como o ângulo da gota com a horizontal. Então, aqui veja que temos um valor de 145, é uma barbaridade de alto. Então, como tentamos dar um fertilizante foliar a um tipo de folha assim, sem surfactante não haverá penetração, é fisicamente impossível que haja penetração foliar. Olhando a canha de açúcar, a folha pequena, eu acho que é como isto. Eu acredito porque me dediquei a tirar gotas por cima e parecia isto. A carga abaixo do trigo é um pouco menos ruim, mas não é muito mojável. Como digo, dar tratamentos foliares a trigo sem um surfactante, não o recomendo sob nenhum conceito. Por quê? É fisicamente impossível que haja absorção foliar, pelo menos por helaz. Há casos mais benévolos. Casos mais simples, todos os casos que podemos imaginar e mais, os encontramos na natureza, de acordo com as plantas. Isto seria uma folha, como dizem milho, me parece que lhe dizem ao maiz. E então, colocando um fertilizante em água pura, uma gota, o ângulo de contato é muito baixo. E o enveste também. Então, se a planta for folhada com um fertilizante sem surfactante, é possível que ela penetre. É fisicamente possível, mas, neste caso, impossível. Então, o primeiro que deveríamos fazer é catalogar bastante bem o ângulo de contato para ver com o que estamos trabalhando. Isso nos ajudaria muito a melhorar a eficácia dos tratamentos. Outra coisa que eu estou fazendo durante os últimos anos é calcular a parte polar e apolar das superfícies. Seguindo métodos de ciências de materiais, se pode calcular a energia livre superficial das folhas. Isso é usado para fazer mostradores, para fazer coating. Então, eles calculam para ver quanta parte polar ou apolar vai ter essa superfície, segundo os interesses. Então, estamos aplicando esses métodos para calcular qual é a parte polar e apolar dessas folhas. Então, neste caso que eu coloco aqui, isto tem uma energia livre muito baixa, uma parte é mais ou menos apolar. E, em cambio, neste caso da folha de trigo, tem muita polaridade. Eu acho que vão ser os cabelos, que vão ser hidrofílicos. Isso também nos dá a ideia de que se colocarmos água ou fertilizantes, isso pode ser bastante penetrável, a folha do maiz. Os fatores ambientais podem ser escolhidos até um certo ponto, quando vamos dar um tratamento. Então, devemos pensar em escolher as condições que façam com que demore mais para secar a gota. Que condições são essas? Que não haja temperaturas muito altas, que a umidade relativa ao ar seja mais alta, Eu entendo que alguns de vocês terão que tratar milhares de hectares e se aplicar os tratamentos quando possível. Mas também temos que lembrar que haverá condensação por noite, vamos alcançar ponto de rocio, se vai depositar água sobre as superfícies e volta a haver penetração. Isso pode continuar penetrando ao longo do tempo, sempre que não houver uma chuva que o lave. Mas é bom pensar em escolher condições adequadas para dar os tratamentos e que a planta tenha a ocasião de absorver esses fertilizantes foliares. Se escolhermos dar tratamento com luz, vai depender, claro, se nos metermos em aspectos de fisiologia, plantas C3, plantas C4, pode haver muitas variações, se a planta tem sequia, vai fechar estomas, etc. Mas é importante pensar que queremos escolher para dar um tratamento foliar. Como todos estamos muito claros de que não nos convém que haja vento. O vento vai levar ao spray drift e os tratamentos vão ir a qualquer parte, isso todos sabemos. Mas é conveniente pensar no resto das variáveis climáticas, porque elas vão influir bastante. Alguns outros fatores que consideramos, sobretudo neste capítulo, realmente nos temos comido bastante a cabeça, seriam, por exemplo, o efeito da temperatura e da umidade relativa tanto na planta quanto no produto químico que aplicamos. Então, a umidade relativa, como digo, se é alta e a substância que aplicamos tem a capacidade de atrapalhar a umidade relativa, demora o tempo de secado. E isso é bom, porque há mais ocasiões de que a substância penetre. Lembre-se do que falamos, do que pensamos do sistema de transporte em cutícula. A cutícula tem que ser hidratada e depois se produz o transporte de água e solutos. Então, se a umidade relativa é alta, se vai hidratar o que é a parede celular e isso parece ser o que facilita o transporte. Também é beneficioso. Então, por noite, se há ponto de rocio, condensação, etc., isso também vai facilitar o transporte na cutícula. Esta umidade relativa vai afetar uma propriedade química do fertilizante, da qual vou falar brevemente depois, chamado ponto de liquefação. e um fator que está descrito em muitos estudos de fisiologia muito bons, por exemplo, com Caña, há estudos maravilhosos. Então, se viu que o ar seco, o que se chama de déficit de pressão de vapor, isso faz com que a planta faça restomas também. Não é só que não tenha água na raiz, mas que o ar esteja muito seco. Esse ar muito seco, mesmo que a planta tenha muita água na raiz e esteja bem hidratada, pode causar que os estômagos se fechem. Respecto à temperatura, o efeito quanto à penetração foliar não está muito bem catalogado. Sim, tem sido visto, mas em temperaturas muito altas, por cima de 38 graus, parece ser que podem mudar as propriedades da cutícula, mas o que sim se tem visto em alguns estudos é que em temperaturas muito altas podem fazer com que os estômagos se fechem. Mas veja a casualidade, se temos um clima como o tropical, muita temperatura, muita umidade relativa, os estômagos vão abrir. Então, pode haver efeitos muito variados se interagir a umidade relativa com a temperatura. Em geral, se temos alta temperatura com baixa umidade relativa, os estômagos vão fechar-se por esse déficit de pressão de vapor alto. Então, se os estômagos fecharem e aplicarmos um tratamento, não pode haver penetração por esta via. Não nos convém. Então, algumas palavras sobre o produto químico que aplicamos sobre as folhas, em nosso caso um fertilizante foliar. Vai ter certas propriedades, se aplicamos como água pura, a tensão superficial do água é uma propriedade física deste líquido e que de próprio é muito alta. Estamos falando de 73 mililitros por metro a 20 graus. Por culpa desta alta tensão superficial, Isso faz com que os poros pequenos não se infiltrem ou que os insetos podem caminhar por cima de uma capa de água. Essa propriedade nos traz problemas em relação à interação das gotas de qualquer coisa que apliquemos em água pura. que só a adição de agentes tensoactivos ou surfactantes muda a tensão superficial do água. Se aplicarmos uma sal ou algum outro tipo de compostos químicos, pode variar, mas 1 ou 3 mN por metro. Não pode baixar 40 mN por metro, como acontece, por exemplo, aplicando um surfactante. Então, pode haver diversos produtos químicos que podemos adicionar à formulação e esses produtos podem fazer, por exemplo, que a matéria ativa penetre mais rápido ou que mude a forma da gota. E esses produtos se chamam adjuvantes. Evidentemente, a forma pela qual aplicamos os tratamentos também influi, mas, em geral, uma vez aplicamos um líquido, afinal, haverá uma interação termodinâmica do líquido com a superfície e isso é o que vai afetar. Então, quando nós consideramos uma formulação de fertilizante foliar, como nos vendem as empresas de fertilizante que trabalham bastante este tema, temos o componente que a nós nos interessa que penetre, que vai ser o elemento mineral, o nutriente, mas, em geral, se suelem adicionar outros produtos químicos que melhorem Por exemplo, a taxa de penetração ou a interação do líquido com a superfície ou a taxa de penetração. Esses produtos se chamam adjuvantes e existem de uma natureza muito diferente. Tão diferente que compõem um grupo muito heterogêneo que aporta diversas propriedades. Por exemplo, podem baixar o pH, um acidificador, ou podem ajudar a que se pegue a dissolução. Em espanhol não temos tradução, dizem sticker, faz o líquido se pegar. Em geral, qualquer raio bantequê que suba a viscosidade é um sticker. Então, o que acontece? Se podem adicionar muitos produtos químicos e nas etiquetas comerciais algumas empresas colocam qualquer coisa, qualquer nome. Por exemplo, é um penetrante. O que é um penetrante? Me pergunto a nível físico-químico. O que é um ativador? O que é um ativador? Ninguém sabe. Então, é um pouco complicado o fato de que não há nenhum tipo de regulação, pelo menos na Europa, e deveria haver. Porque isso é totalmente enganador, de acordo com os nomes que vemos nas etiquetas dos produtos aplicados por via foliar, pois são verdadeiramente fascinantes. Quase pertencem ao campo da ciência-ficção e eu acho que deveria haver um pouco de controle. Mas, bem, há algum tipo de produtos químicos que todos podemos relacionar com propriedades físico-químicas, como um acidificador que baixa o pH ou um surfactante que vai baixar a tensão superficial. Vou mencionar algumas pequenas propriedades dessa formulação de fertilizante que são importantes, tanto a nível da matéria ativa que meto, de fertilizante, como de adjuvantes. Há muitas propriedades físicas, como em qualquer substância, que são importantes. O peso molecular está diretamente relacionado com o tamanho, já disse que pode ser um problema para a penetração cuticular, qual é a capacidade de absorção de água dessas substâncias, qual é o ponto de liquefação, é solúvel, é uma suspensão, etc. Outro fator que comentou brevemente Mari Carmen, mas que é muito importante considerar quando aplicamos elementos que têm má estabilidade, que são muito propensos a mudanças em seu potencial redox, isso pode ser um problema se os aplicarmos como sal. E também estes elementos em geral, que estou me referindo aos micronutrientes, zinc, manganeso, etc., são muito propensos, mudam de estado de valência por causa do oxigênio, ou por causa de substâncias oxidantes ou redutoras no meio, ou por causa do pH. Estes elementos, se os aplicarmos tal qual, podem ser complicados porque podem precipitar com facilidade. E, nesses casos, pode ser beneficioso agarrá-los com algum tipo de substância orgânica, acomplejá-los se a união é fria ou atá-los se essa união é mais forte. Vou dizer algumas palavras sobre isso. Peso molecular. relacionado com o tamanho, com o tamanho molecular diretamente. Então, como eu disse, foram estabelecidos uns limites de tamanho muito pequenos. Pensemos, por exemplo, em distâncias entre os componentes da cutícula, porque eu já digo que poros ninguém já viu. Então, esses limites podem ir de 0,5 nanômetros a, digamos, 5, nos estudos de Tome. Então, se estamos colocando uma molécula de 10 nanômetros, ou como os investigadores da Austrália que haviam colocado óxidos de zinc de 200 nanômetros, 200 nanômetros por aí não podem passar. Poderão passar pelo estômago. Digamos que o estômago tenha, por exemplo, de 10¯⁶ a 30¯⁰. É um espaço enorme e não tem nenhum problema para a penetração de óxidos, carbonatos e tudo o resto. Mas a via da cutícula está muito limitada quanto ao tamanho. A solubilidade. É conveniente aplicar sal ou substâncias insolúveis? Bem, isso é uma propriedade um pouco controvertida. O que todos temos claro é que, se o elemento é solúvel, ele vai ionizar, voltamos ao tamanho, voltamos a um íon. O íon está em um rango de Armstrong, é um tamanho pequeno, então pode que difunda melhor pela cutícula. Mas o que é certo é que não há muitos estudos de aplicação de nanopartículas. Agora é a época da nanotecnologia, não há mais nanotecnologia do que um íon. Mas, falando sério, há alguns estudos que demonstram a penetração foliar de óxidos, carbonatos, etc., o que sim se vê que penetram mais devagar, porque se tem que liberar o íon. Tem que haver algum tipo de reação química que libera o íon e penetra. E há vários estudos que demonstram que penetram. Eu só tenho constância de 4, que demonstram a penetração estomática de partículas de carbonato, etc. Demonstram que penetram. Se você coloca um surfactante bom, demonstra que essas partículas penetram. E no apoplasto, todos sabemos, temos um pH mais ácido, então isso pode favorecer a solubilização, por exemplo, de carbonatos de cálcio, etc. Mas, se as substâncias são pequenas, é mais fácil de penetrar pela cutícula. E isso está relacionado com a solubilidade. Então, aqui, eu já disse várias vezes, se vocês me perguntarem, adjuvante é o mais importante para aplicar um surfactante. Primeiro um surfactante e depois outras coisas. porque temos o problema de que aplicamos água e a água tem essa propriedade devido à coesão das moléculas de água, que é uma tensão superficial muito alta. Então, o que acontece se temos uma superfície com muita rugosidade? e todas as superfícies vêm cobertas de cera, que é apolar, então podemos acabar, como no caso do trigo, de que se faz uma esfera que vai se tornar uma bola, vai rebotar na folha e vai cair. Então, não é possível a penetração fórea. Em contrário, se nós adicionarmos um surfactante, mudamos essa tensão, esses 73 mililitros, põe que o baixamos a 30, e então essa gota vai mojar, vai poder depositar-se na folha do trigo, e é possível que haja penetração foliar através da cutícula, estômago, etc. Então, é mais que recomendável que sempre, sempre, sempre, adicionarmos um surfactante à formulação. para evitarmos problemas. Lembre-se do caso da folha de trigo, que era mais benévola. A folha de trigo era mojável por água, aí há menos problemas. Então, se aplicarmos uma sal, pode ser que penetre, mas como trabalhamos com, por exemplo, a folha de canha de uma planta pequena, ou um trigo, ou uma cola, é impossível que haja penetração foliar, mas se aplicarmos um surfactante, sim que é possível. E, para terminar, falar deste fator, Aqui tem áreas muito secas, eu estou no Mato Grosso, que faz muito calor, por exemplo. Então, é importante que as formulações que apliquemos levem algum produto químico que demore o secado. Por exemplo, eu colaborei com o Omex, fizemos um projeto juntos e nos tornamos loucos para desenvolver uma formulação que secará mais tarde. Mas muitas empresas também o trabalham e eu, quando jogo no laboratório e faço formulações, também tento adicionar produtos químicos que demorem o secado. Que produtos químicos são esses? Esses produtos químicos são substâncias que se denominam humectantes e têm a capacidade de atrapalhar o água do ambiente. São substâncias que, a fim de contas, são higroscópicas. Têm a capacidade da umidade relativa ao ar de atrapalhar esse água e, então, mantê-la. Então, basicamente, o ponto de liquefação é uma propriedade física de qualquer sal que nos delimita por cima dessa umidade relativa ao ar, a sal toma muita água e se torna um líquido. Então, substâncias que tenham esse valor baixo, um 33 tem, por exemplo, uma tabla, Por exemplo, olhamos um caso de sales de magnésio que podíamos usar de fertilizantes foliares. Então, se elegimos o cloruro de magnésio, esta sal tem um valor do ponto de liquefação a 33%. O que significa? 33% de umidade relativa e 34% e 60% e 90%, etc. Mas a partir de 33% capta água do ar e então capta tanta água que pode se tornar um líquido. De fato, ao longo do tempo, isso acaba se tornando um líquido. E isso ocorre em uma umidade relativa de 33% em frente. Se aplicarmos, em troca, um sulfato, Então, o que acontece? Precisamos de um 90% de umidade relativa no ar para que esse sulfato de magnésio seja capaz de atrair água e se tornar líquido. Se darmos uma volta a essa interpretação, se eu aplico um fertilizante foliar de cloruro de magnésio a uma umidade relativa de 60%, por exemplo, me demora uma hora para secar a gota. Em câmbio, se aplico um sulfato a 60% de umidade relativa, evidentemente a temperatura influi em todos esses processos físicos. Então, coloque que demore 15 minutos para secar, porque não tem capacidade de atrapalhar o água. Então, os que andamos fazendo formulações e temos que trabalhar em zonas com baixa umidade relativa, nos convém tentar colocar produtos que baixem este valor. Não podemos baixar, escolhendo matérias ativas que o tenham baixo, como podemos ver no caso do cloruro de magnésio ou cloruro de cálcio, temos um 33%, mas podemos adicionar produtos químicos que o baixem, que são os chamados humectantes. E que nos conste o pão de molde que comemos, muitas bolcherias, etc. Esses produtos levam humectantes para que se mantenham frescos. Então, para terminar, espero ter convencido que é possível melhorar a resposta das plantas aos tratamentos, se pensarmos bem no contexto, que se tratamos plantas com estresse, em geral, como digo, se ha descrito para estresse hídrico e para carências nutricionales, essas folhas são menos permeáveis, o primeiro que vão assolerar as plantas se tiverem um problema é fechar os estômagos, então não haverá penetração estomática. Além disso, se tiverem estresse, serão mais suscetíveis a plagas, doenças e outros tipos de problemas. E apresentar danos, às vezes anatômicos, que não vamos corrigir, mesmo que dêemos um tratamento foliar. Por exemplo, isso vimos nós, a carência de ferro. nos dedicamos a ver como que estrutura anatômica tinha o peciolo, o advascular, e então observamos que o silema estava desorganizado e os vasos eram muito pequenos e estavam feitos de pólvora, e isso não se correge dando ferro, nem por raiz, nem foliar. Então é melhor não ver sintomas de deficiência porque pode haver danos anatômicos que nunca mais vamos corrigir, metabólicos e fisiológicos. e tentar escolher em que condições ambientais vamos dar os tratamentos. Antes de dar um tratamento, temos que olhar a previsão meteorológica e conhecer um pouco que condições de umidade relativa e temperatura vamos ter, que não chove nos próximos dias a ser, ou nesse mesmo dia, e valorizar em que estado vamos dar. Por isso, é muito pouco conhecido, mas é importante ter em conta o estado fenológico. Isso é o que tentamos refletir no capítulo. Então, sim, pudemos reunir alguns estudos que demonstram que alguns órgãos, quando são pequenos, são mais permeáveis do que quando estão plenamente desenvolvidos. Por exemplo, frutos de manzana. pequenos, como demonstraram Schlegler e Schoenhauer, eram mais permeáveis ao cloruro de cálcio que quando as maçanas já são grandes. Casos parecidos foram descritos para outros cultivos, por exemplo, para que vocês tenham ideia, para naranjos, árvores de naranjo recomendam tratamentos foliares com dois terços de expansão foliar. não com a folha plenamente expandida, mas quando a folha ainda está em expansão. E isso vai ser porque vai ter algum tipo de problema ou se vão ocluir os estômagos. Eu tomei moestras de laranjas em junho, em Valência, e vi que todos os estômagos estavam cobertos de cera. Então, vai haver algum tipo de problema que vai fazer com que os mecanismos não sejam tão eficazes. Mas isso não está, lamentavelmente, bem caracterizado. E o que sim está mais aceitado, pelo menos com cultivos frutais, que convém dar várias aplicações, por exemplo, desde floração até o desenvolvimento do fruto, é dar uma mais concentrada. Na semana passada, eu estive na Rioja, que é uma zona da Espanha onde se produz vinho de Rioja, não sei se vocês conhecem. Então, cultivam muito vinha e ali aproveitavam para dar tratamentos foliares cada vez que aplicavam tratamentos de fitossanitários. Estavam falando de 5 a 10 tratamentos por estação. E ali tem muito bem controlado o cultivo da vinha. E, sem mais, eu quero agradecer a sua atenção, espero que me tenham entendido e, bom, muitas graças. Muito obrigado por estar conosco. Bom, esta foi a nossa última palestra. Eu quero pedir a atenção de vocês apenas um instante e chamar aqui ao palco o presidente da Absuolo, que assim esteve conosco o tempo todo, mas esteve conosco aqui na abertura. Então, aqui está ele. Eu quero pedir mais uma vez uma salva de palmas ao Roberto Leivreiro, que é o presidente da Absuolo, que agora vai dar uma palavra com todos nós. Nós vamos ser breves, não vamos tomar muito tempo de vocês. Gostaria de agradecer as duas últimas palestrantes pela aula que nos deram aí, com relação, nos enriqueceram bastante com informações. A presença de todos aqui, eu espero que o evento tenha atingido o objetivo de trazer informações, proporcionar um network a vocês. aos nossos patrocinadores, mas, na verdade, um momento especial hoje, eu gostaria de chamar a equipe executiva da Absolo, para que a gente pudesse, obviamente, saudá-los, eu acho que prestigiá-los, pelo todo esforço que eles dedicaram para realizar esse evento. Não é fácil fazer um evento nesse porte, dedica muito trabalho, esse evento leva quase um ano de dedicação, de empenho, obviamente que os patrocinadores são muito importantes, Mais importante ainda é o público que vem presente, que vocês fazem, vocês na verdade são o verdadeiro motivo para que a gente está proporcionando esse evento. Mas nós temos que reconhecer as pessoas que aí estão nos colaborando e dedicando dia e noite, perdendo sono, para que vocês tivessem aí um evento com todo o conforto, com todo o conteúdo e a qualidade que vocês merecem. Por favor. Aberta. Babi. Cadê o Kleber? Você também há quatro anos faz parte do nosso time, então... Cadê o Kleber? Eu acho que o pessoal ficou com medo de vir aqui na frente. Eu acho que o medo de vocês estar ali, o pessoal não ter gostado. Em vez de aplaudir, eles vão acabar jogando papelzinho. Jogando ovo, galera. Bom, eu... Kleber? O pessoal da IEB também, por favor. Somos responsáveis pelos anuários nossos. Mais para lá, por favor. Só faltam mais duas pessoas. Nem todos poderão estar aqui presentes. Eu gostaria, se possível, não pedir muito, um aplauso de pé para essa equipe aqui. Muito obrigado pela presença de todos. Sem eles nós não teríamos esse evento com o conforto que nós tivemos. Muito obrigado. Tenham todos um bom retorno e se Deus quiser até 2021. Agradecendo mais uma vez os nossos patrocinadores. Muitíssimo obrigado pela presença de todos. Até o próximo Fórum Absolo, que será o nono Fórum Internacional de Exposição Absolo. Bom retorno às suas casas, aos seus estados, às suas cidades e também aos seus países. Obrigado a todos. Boa noite.

Victoria Fernández

2019 - Abisolo

Palavras-chave:

Nutrição foliar, fisiologia do cultivo, fertilização

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