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Fertilizantes organominerais fosfatados no cultivo de milho: resposta da cultura e bases conceituais para o aumento da eficiência agronômica dos fertilizantes
Destaque entre os cereais mais importantes na agricultura brasileira e mundial, a safra brasileira de milho terá produção total estimada em 106,4 milhões de toneladas, o crescimento é de 3,7% sobre a produção de 2019/20. São produzidas 24,7 milhões de toneladas na primeira safra, com previsão de 79,8 milhões na segunda safra e 1,9 milhão na terceira safra (Conab, 2021). A tendência de aumento e consumo do grão segue conforme seus preços no mercado internacional estimulando seu cultivo entre os agricultores brasileiros. Desta forma, com o mercado aquecido e preços atrativos, o cultivo de milho vem seguindo a aderência do setor pelo emprego e melhora da ferramentas tecnológicas, e busca constante de maiores patamares produtivos.
É consenso que o uso integrado e racional dos recursos disponíveis nas propriedades rurais, juntamente com a introdução de novas tecnologias, permite aumentar a estabilidade dos sistemas de produção, com redução de custos e aumento de produtividade. A geração e adoção de informações e novas tecnologias é uma das molas que impulsiona a evolução da agricultura, aperfeiçoando as práticas agrícolas e o desempenho produtivo das áreas cultivadas, visando eficiência produtiva e sustentabilidade dos recursos naturais.
O manejo nutricional, principalmente a adubação fosfata tem apresentado grande impacto nos tetos produtivos e oportunidade de aumento de seus patamares. Por um lado, o fósforo está diretamente ligado ao crescimento e desenvolvimento radicular, atividade fotossintética e, consequentemente, formação e enchimento de grãos, por ser fonte de energia metabólica nas plantas. Em outro ponto apresenta dinâmica “desfavorável” em solos tropicais, geralmente oxídicos, com elevados teores de hidrogênio, alumínio, e baixa Capacidade de Troca de Cátions (CTC). Alguns trabalhos mostraram que uma vez em contato com o solo, a disponibilidade de P pode diminuir pela metade em um breve período de 15 a 20 dias. É possível entender que dentro desse período após a germinação, as plântulas não estão completamente estabelecidas e com sistema radicular efetivamente absorvendo os nutrientes do solo. Desta forma, é comum observarmos baixa eficiência no fornecimento do nutriente, que média varia em média de 20 a 40% do total aplicado.
Nesse contexto, têm crescido o emprego de fertilizantes com tecnologias associadas para aumento da eficiência agronômica, com maior suprimento de fósforo para as plantas e manutenção de sua disponibilidade no solo. Pesquisas experimentais e resultados a campo estão elucidando oportunidades tecnológicas no setor com uso de polímeros orgânicos ou sintéticos, alteração da velocidade de liberação no fertilizante, ácidos orgânicos (húmicos, fúlvicos), composto orgânico humificado, bioestimuladores, indutores de crescimento/resistência, e agentes biológicos como solubilizadores de fosfato, por exemplo.
A proposição do texto tem por objetivo ilustrar resultados de pesquisas que apontam os efeitos da utilização de fertilizantes organominerais fosfatados no cultivo de milho, e conceitos estabelecidos sobre a alteração da dinâmica do fertilizante em relação aos minerais, do nutriente no solo, sincronia do fornecimento com o desenvolvimento, status nutricional e respostas em produtividade da cultura.
De acordo com a legislação brasileira, fertilizante organomineral é definido como o produto resultante da mistura física ou combinação de fertilizantes minerais e orgânicos. Em média, para produzir 1000 kg de fertilizante organomineral se adicionam de 400 a 600 m3 de composto orgânico, o que é comumente denominada de matriz orgânica de fórmulas organominerais. Tais valores variam em função dos resíduos utilizadas na matriz orgânica e aditivos orgânicos adicionados às formulações de acordo com os processos industriais e companhias produtoras dos fertilizantes.
Em relação a dinâmica de P nos solos, a presença do composto orgânico junto a solubilização dos fertilizantes minerais se altera. Por exemplo, a decomposição da matéria orgânica libera ácidos orgânicos, que bloqueiam os sítios de adsorção de fósforo (P), diminuindo sua intensidade de adsorção (Andrade et al., 2003). Esses ácidos orgânicos também podem complexar Fe e Al presentes na solução, diminuindo a precipitação de compostos com P e tornando-o mais disponível (Guppy, 2005). Compostos orgânicos fosfatados também podem funcionar como fonte gradual de P, diminuindo o tempo de contato do P com as superfícies de adsorção, possibilitando maior absorção desse nutriente pelas plantas (Pavinato e Roselem, 2008).
Em trabalho estudando a difusão de fósforo no solo, Stauffer et al (2018) observaram que fertilizantes organofosfatados promoveram liberação mais lenta de P para a solução do solo em relação ao fertilizante convencional Fosfato Monoamônio (MAP). Os autores concluíram que mesmo entre os organominerais, a matriz orgânica com maiores teores de ácidos húmicos e fúlvicos apresentaram menores velocidades de liberação de P para a solução do solo.
Cremonezi (2016) comprovou que a aplicação de fertilizantes organofosfatados no solo gerou aumento da atividade e massa microbiana no solo. Enquanto Fernandéz R. et al (2008) concluíram que a atividade biológica no solo interfere na dinâmica, diminuindo sua a precipitação com Fe e Al. Dentro desse contexto, pode-se analisar o efeito químico de inibição a atividade biológica no solo em torno de grânulos de fertilizantes fosfatados de alta solubilidade, os chamados acidulados. Esses fertilizantes além de solubilizarem elevados teores de forma rápida na solução do solo ainda apresentam baixos valores de pH em torno de seus grânulos, que afetam tanto a atividade biológica quanto o crescimento do sistema radicular de plantas. A figura 1 apresenta com o desenvolvimento de microrganismos em meio de cultura com adição de fertilizante solúvel (MAP) e organofosfatado. Enquanto a figura 2 ilustra os efeitos da aplicação dos fertilizantes sobre o enraizamento de plantas de soja.
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| Figura 1. Desenvolvimento de colonias de microrganismos em meio de cultura após a aplicação de MAP (acima) e Organomineral (abaixo) | Figura 2. Efeito do fertilizante fosfatado no crescimento radicular de plantas de soja Super Fosfato Simples (Direita) Organomineral (esquerda) |
Em trabalhos de campo, os efeitos na dinâmica e liberação do nutriente no solo se traduzem em melhores respostas em produtividade. Para levar respostas mais seguras aos produtores e empresas do setor foram conduzidos trabalhos em 1ª e 2ª safra com aplicação na linha de semeadura utilizando fertilizantes organominerais peletizados, e milho para silagem. Os fertilizantes organominerais utilizam MAP como fonte mineral e a matriz orgânica obtida a partir de processos de compostagem de resíduos de origem animal (estercos/camas) e vegetais (tortas/serragem).
Os resultados de maneira geral indicaram mudança da resposta das plantas de milho ao fornecimento de P e aumento dos patamares produtivos com a utilização dos fertilizantes organominerais. No texto estão apresentados resultados que, em média, apontam ganhos em todas as doses utilizadas de 40 a 160 kg ha‑1 de P2O5, sendo possível ajustar o grau de investimento em função das características da lavoura e expectativa de produtividade (Figuras 3 e 4).
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| Figura 3. Espigas de milho produzidas em função da MAP x Organomineral | Figura 4. Modelos matemáticos ajustados para produção de milho em lavoura comercial em função da aplicação de fósforo via MAP x Organomineral |
Torna-se importante salientar que a maior eficiência dos fertilizantes organominerais em relação aos fertilizantes minerais solúveis trata-se do conjunto de ações e reações geradas no ambiente de dissolução do fertilizante associado ao desenvolvimento, crescimento e absorção dos sistemas radiculares das plantas. As informações apresentadas seguem uma linha de raciocínio do comportamento dos fertilizantes no solo e consequente efeito na produção da lavoura, e são necessários mais algumas páginas para elucidar todas as variáveis presentes. A interação do fertilizante ao sistema de produção somam-se às práticas adotados por cada produtor e a forma assertiva que conduz suas lavouras ao longo dos anos. Os aprimoramentos das ferramentas tecnológicas associadas aos fertilizantes compõem parte do sucesso das lavouras brasileiras.
Carlos Henrique Eiterer de Souza
2021 - Abisolo



