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A liderança em tempo de grandes transformações

Resumo

Palestra realizada por Luiz Felipe Pondé – Filósofo, durante o IX Abisolo Fórum e Exposição realizado em 2022


Transcrição

Nós vamos seguir com o nosso painel, que o painel não terminou. Na verdade, nós terminamos aqui um debate, terminamos aqui uma mesa redonda de... Obrigado, William. Um grande abraço para você, sucesso. Nós terminamos aqui uma reflexão a respeito deste tema, mas isso não foi o final. O nosso painel vai seguir adiante e dentro deste mesmo tema, a liderança em tempos de grandes transformações, Para fazer aí a conclusão do nosso painel, eu queria convidar para vir ao palco o Dr. Luiz Felipe Pondé, escritor, diretor do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP. professor da FAAP, comentarista do Jornal da Cultura e colunista da Folha de São Paulo, e ele vai compartilhar conosco a sua visão sobre liderança em tempos de grandes transformações. No final da palestra, nós vamos reservar aqui uns 15 minutos para nós fazermos perguntas para o Pondé, ele se dispôs a responder. Por favor, vamos dar uma salva de palmas. Bom, boa tarde. Eu agradeço o convite para vir aqui conversar com vocês. Foi muito bom escutar o debate anterior, porque, de fato, tem a ver com a minha pauta aqui com vocês. A ideia é falar um pouco sobre liderança mas principalmente vinculado ao tema das mudanças. E um dos tópicos que foi levantado aqui, o William apertou bem o parafuso na hora que ele perguntava isso, foi o tema dos jovens. E esse é um tema que tem muita literatura sobre isso, especializada. Eu acredito, como colegas aqui que estiveram antes da academia, da área de agronomia, eu sou da humanas, como dizia o William, apesar de que antes de decidir ser filósofo, eu passei pela medicina, mas resolvi não ser médico, na última hora. Então, eu trago para vocês um pouco a reflexão de alguém que está há mais de 25 anos na docência, na pesquisa, na área de comportamento e também no debate público. Então, eu diria, primeiro, é muito fácil falar de liderança, eu tenho certeza que vocês já escutaram muito isso, é normalmente falar que existem, você tem que ser inspirador, você tem que ser transparente, Você tem que ser entusiasmado. Uma das coisas que mais fazem as pessoas sofrerem hoje é porque todo mundo tem que ser muito otimista o tempo inteiro. O otimismo é uma obrigação mortal. Se você não for otimista, você quase não tem espaço em lugar nenhum. Então, eu diria que um dos desafios para alguém que precisa liderar, precisa ser responsável por um grupo, precisa enxergar mais longe, é reconhecer que uma das coisas que faz as pessoas sofrerem hoje, dentro desse universo de mudanças que estamos vivendo, é justamente a obrigação de você ter sucesso o tempo todo. Todo mundo sabe muito bem o que estou falando. Você tem que acertar o tempo inteiro, Você tem que buscar informação o tempo todo. Você tem que chegar primeiro antes do que todo mundo o tempo todo. E além disso tudo você tem que ser super pai, super mãe, além de ser também muito bem sucedido na cama. Certo? Quer dizer, você tem que ser uma pessoa que sabe que está sendo medido por certas métricas o tempo todo. E isso está aí. Isso é uma coisa que está aí na frente de todo mundo. E é uma das questões que afetam muito os jovens, e eu já já vou falar disso, E, como eu falei para vocês há pouco, tem muita literatura especializada, analisando muito do que os parceiros aqui anteriores falavam. Muita literatura especializada em sociologia, psicologia, antropologia, apesar de que muita dela, principalmente produzida em língua inglesa, muita dela ainda não tem tradução aqui, mesmo para quem trabalha na academia. sobre o comportamento das novas gerações, apesar de que tem muito material sobre isso. Então, você vê, por exemplo, e aí é o primeiro tópico que eu queria falar, mudanças. Existe uma exaustão generalizada. Tanto é que quando vem alguém e faz um discurso motivacional para você, às vezes você quer pular pela janela, de tanta exaustão que é. Alguém que... Imagina... Eu sempre uso essa imagem quando essa é a minha pauta. Imagina você tem que... Sei lá, a pessoa com quem você vive, com quem você é casado ou casada, fala para você de manhã que ela quer que você a surpreenda no final do dia. Que é uma surpresa. Você vai provavelmente passar o dia inteiro com essa ideia atormentando na cabeça. Com medo de não conseguir surpreender a pessoa. Por isso que só amadores ou iniciantes investem na ideia de uma noite surpresa para o parceiro ou para a parceira. Porque sempre vai dar errado. Quando você... Escuta aquela música tocando em casa, você chegando e você percebe que a figura vai te cobrar alguma coisa, você quer se matar. Você bateu meta o dia inteiro no trabalho e vai ter que bater meta em casa. Só que, normalmente, isso faz parte do pacote de expectativas que todo mundo tem. Então, uma das áreas onde há Às vezes, porque quando se vai falar de mudança, se fala quase o tempo todo de tecnologia? Porque é uma área fácil de se falar de mudança. Antes você tinha o iPhone 3, agora você tem o 15. É fácil. Antes você tinha computadores antes do Windows e agora você tem computadores muito além do Windows. Então é fácil. É fácil falar de mudança em tecnologia. O mais difícil é você falar de mudança que seja para além da tecnologia, porque não é muito fácil você estabelecer parâmetro, entendeu? De dizer que é assim e agora passa a ser assado. Vou dar um exemplo concreto. No começo da pandemia, muitos jornalistas perguntavam para nós, perguntavam para mim também. Isso apareceu muito no Jornal da Cultura. Muita gente tinha a expectativa de que a humanidade iria sair diferente da pandemia. Eu imagino, não sei se alguns aqui teriam essa expectativa. Era uma coisa, principalmente lá por março, abril de 2020, tinha até umas imagens de umas granfinas que faziam stories dela passando um aspirador de pó, porque ela tinha despachado a empregada, lembra? E diziam que estavam combatendo a desigualdade social fazendo isso, porque estavam usando um aspirador de pó. Naquela época, primeiro semestre de 2020, Se perguntava muito isso. Será que a humanidade vai sair mais empática, mais solidária? Ela vai sair mais preocupada com o outro? E isso você podia ouvir em todos os níveis de formação técnica. Podia ouvir de professores, não só de jornalista. Gente de alto cargo no mundo corporativo. Essa é a expectativa. Se você for à literatura especializada sobre pandemias e epidemias ao longo da história, você vai ver que nunca houve nenhum caso em que a humanidade tenha saído melhor do que era de nenhuma epidemia. Nunca houve isso. Nunca. Ela não sai pior. Ela sai o que ela sempre foi. São tantos os fatores. E pior, se a coisa pegar muito pesado, aí piora mesmo. Aí o nível da relação fica pior, fica mais violento, as tensões pioram. Então, de onde vem o fato de que, no começo da pandemia, um monte de gente, de todos os tipos de formação, inclusive com formação acadêmica, profissional, tinha uma expectativa como essa? Vem do fato de que simplesmente a gente assume que o mundo está mudando cada vez mais e ficando cada vez melhor. Não tem nenhum parâmetro para dizer isso. Você tem medicina, tecnologia, seguramente na área de agro tem. Ou seja, tecnologia e tecnologia aplicada. Mesmo se você falar em política, não há evidência disso. Porque se a gente está vivendo hoje A gente vive hoje, por exemplo, numa democracia. Não estou discutindo ideologia, estou discutindo um sistema só. A gente vive numa democracia. Não há evidente concordância sobre o que é a democracia. É um regime que começou num dado momento da história, pode acabar. Não estou falando que ele tem que acabar, pelo contrário, espero que não, mas pode. O que eu estou querendo dizer é que quando a gente alarga um pouco o ponto de vista histórico, A gente descobre que um dos vícios típicos da nossa época é achar que está tudo mudando com relação aos seres humanos, profundamente. E que a humanidade hoje passa por coisas que ninguém nunca passou antes. É claro, a gente tem mais tecnologia do que todo mundo. Graças a Deus e a ciência. Ou só a ciência, como queira. Mas, não. Olha, a humanidade ficou tão melhor com a pandemia que a gente saiu da pandemia para uma guerra. E, nesse sentido, até nesse sentido é repetido. Porque, 20 anos depois da gripe espanhola, a gente fez a Segunda Guerra Mundial. Então, assim, de onde alguém tira a ideia de que a gente sairia da pandemia mais empático, mais solidário? Eu acho que a gente tira essa ideia da imagem que a gente quer ter de nós mesmos e que a gente é legal. Então a gente tira essa ideia que não tem nenhum fundamento isso aí. Isso significa, estou dando esse exemplo para dizer o seguinte, quando você alarga um pouco o olhar, você percebe que existem coisas que mudam, normalmente associadas, são puxadas pelo efeito de cauda longa dos avanços técnicos, certo? Então tem coisas que mudam, como a invenção de vacinas com a velocidade da luz. Muita gente achava que não ia ter. E tem coisas que não são tão evidentes assim. Agora, existem transformações, desorientações que de fato nos impactam mesmo. Como eu dizia logo aqui no começo da nossa fala, quer dizer, eu, uma das causas de muita ansiedade, e qualquer líder tem que saber que está lidando com seres humanos muito ansiosos. Nós somos muito ansiosos hoje em dia. Por exemplo, uma das coisas mais ansiosas que existe hoje é pai e mãe de filho jovem. É uma catástrofe. Se for criancinha, então, grupo de WhatsApp de mãe de escola de criança é uma coisa que você deve manter distância. Uma das coisas que mais atormenta a escola são os pais. tormentam, só que as escolas elas tem um beco sem saída que é o seguinte, as escolas precisam fidelizar os pais, principalmente porque você está falando de escolas privadas, porque os pais é que pagam. Existe um fenômeno hoje, essa questão dos jovens, que é um problema mesmo. Um dos panelistas falou que havia uma redução do comprometimento. Aparentemente, uma redução de comprometimento dos jovens. Existe toda uma sintomatologia que eu entendo que seja uma preocupação de vocês, inclusive, quando está falando de emprego, empregabilidade, futuro e mercado. Mas uma das soluções que as pessoas estão pensando em relação aos jovens é simplesmente não tê-los. É uma das soluções. É simplesmente não ter filho. Cada vez mais. As mulheres, normalmente, ter filhos impacta profundamente o trabalho delas. Ainda impacta. Por quê? Toda a questão da gravidez, todo o processo associado. E tem um fenômeno hoje que é muito interessante, que é o seguinte. A vida se torna cada vez mais competitiva. Ela não vai melhorar. O capitalismo não vai ficar fofo. Isso é propaganda furada. É competitivo, é agressivo, tem que ser inovador, tem que ser disruptivo e todo mundo tem que estar sempre batendo meta lá em cima. É claro que o povo vai tomar remédio. vai ter que tomar remédio para dormir, para acordar. Então, você tem uma elevação da medicação nas pessoas. Você tem pessoas ansiosas, e eu dizia há pouco, o que acontece, quando você está falando de jovens, eles chegam na universidade medicados, isso é uma coisa que a gente vê, os colegas aqui não chegaram a dizer isso, mas é um fato, tomam remédio, vêm diagnosticado, Os pais, o filho faz o risco na parede, os pais já falam que é Picasso. E tem uma coisa que é o seguinte, o comportamento desses jovens hoje está muito ligado ao fato de que cada vez eles são menos. Hoje, normalmente, só tem muito filho que não tem o que fazer. Ou então, quem é muito religioso. Isso é dado do estatístico, não estou dando minha opinião, não. Tem muito material sobre isso. Ou é gente de adesão religiosa estrita, como se fala, muito presente na vida religiosa, ou então são pessoas de classe social mais baixa, mais vulnerável, que, na realidade, não conseguem enxergar a vida dentro de um olhar estratégico. Então, não tomam decisões e muitas vezes... E tem uma coisa também que transa mais. Porque quando você tem menos coisa para fazer, você transa mais. É um fato. Então, você tem menos dinheiro, você fica mais tempo ali de bobeira, você transa. O que nos leva a crer que a humanidade transava muito mais no passado, porque tinha menos coisa para fazer. Agora a gente tem mais coisa para fazer, a gente fica mais ocupado, mais cansado. Uma das melhores formas de você fazer com que alguém não queira fazer nada nesse território é dar um celular na mão da pessoa. Porque o casal fica ocupado com o celular, cada um trabalhando. Isso tudo é material dado. Eu sei que tudo parece um pouco assim, sei lá, às vezes parece meio anedótico, mas não é anedótico. Quer dizer, a ideia de você ter menos filhos é a ideia de que os filhos são um ônus. Antes você tinha, sei lá, oito, morria quatro, você não sabia nem o nome. Agora você tem um só. Você joga sobre essa pessoa um monte de expectativa e quando ele vai bater lá na empresa, que os colegas aqui, panelistas, estavam falando, procurando emprego, Ele vai bater lá, a figura já bate lá com o universo de projeções do pai e da mãe sobre a figura, de expectativas. A pessoa tem que ser um super profissional, tem que ser uma pessoa cheia de bons sentimentos, porque hoje a coisa está assim também. Você não pode ter nenhum mau sentimento em você, você tem que amar todo mundo, amar todos os diferentes, todos os outros. Você não pode ter nenhum sentimento sombrio, Você tem que, ainda assim, ser alguém super assertivo o tempo inteiro. Você tem que procurar se informar, fazer uma pose atrás da outra. Você tem que ser proativo em relação à sua carreira. E você sabe muito bem que você não vai conseguir fazer isso tudo. Então, tem muitos jovens, eu, pessoalmente, trabalho com jovens há um pouco mais de 25 anos, na graduação, inclusive, e eu percebo tudo o que os panelistas estavam falando aqui mesmo. Você tem mais gente deprimida, essa gente, às vezes, vai para o mercado de trabalho, se eles têm pais que têm dinheiro, eles desencanam mesmo, não gostam de uma coisa, troca de emprego, troca de trabalho. A gente precisa encarar o fato, eu não acho que necessariamente a gente vai encarar, mas eu acho que um dos problemas da nossa época é que a gente coloca muita meta que não vai dar certo, mas a gente coloca e acha que porque colocou já está certo, não vai dar certo. Mas eu acho que a gente precisa encarar o fato de que grande parte dessa geração de jovens é mais depressiva mesmo, é mais melancólica. eles trazem algumas qualidades importantes, por exemplo, eles tendem a ser mais tolerantes com coisas que outras gerações eram menos tolerantes. Mas, ao mesmo tempo, eles são muito mais duros. Sabe, tipo, não trabalha com fulano porque a chefe é sexista. Então não trabalha mais. Porque falou tal frase. Então não quer mais trabalhar lá. Se essa pessoa tem uma renda, tem uma família mais segura, é claro que ela pode chutar esse emprego. Então, às vezes, é mais fácil resolver esse problema contratando gente que vem de classe social mais baixa. Porque quem vem de classe social mais baixa, normalmente, precisa investir mais no trabalho. Mas quem tem pai, mãe e patrimônio, apresenta, nas melhores universidades, normalmente, apresentam esse tipo de perfil. Que é esse perfil que, algum tempo atrás, chamava de milênio. Que não é mais milênio. Milênio... Eu não sei se vocês sabem, mas essas gerações, esse conceito de geração, foi inventado pela publicidade americana. É a invenção do marketing. Não sei se todo mundo aqui sabia disso, mas é a invenção do marketing americano. Para identificar objetos de consumo e comportamentos de consumo e tendências. Por isso que os limites mudam. Por isso que agora toda geração está remitida a celular, a internet. Por quê? Porque são objetos de consumo que vão determinando certos comportamentos. Então, hoje você usa a palavra milênio, mas milênio hoje é alguém que nasceu entre 80 e 95, mais ou menos. O que você quer dizer quando você está falando de novas gerações? Você está falando de pessoas que vêm de famílias mais solitárias, muitos pais separados, têm muito mais acesso à informação fragmentada, Tem uma... Eu vou contar para vocês uma coisa. Há poucos anos atrás, a gente fez, quando eu ainda trabalhava na Rádio Bandeirantes, a diretora pediu o programa com jovens. Então, a gente fez uma seleção de jovens, três meninos, três meninas. Isso há coisa de quatro anos atrás. Veja que hoje a seleção já se é mais complicada. Quando eu falo três meninos, três meninas, hoje talvez essa divisão já não fosse tão simples de fazer quando você está querendo pegar um espectro maior. Hoje essa discussão é muito acirrada entre eles. Isso é um tema bastante acirrado, que eu acredito que, na área de engenharia agronômica, não sei o quanto isso impacta, porque, normalmente, as áreas de engenharia são áreas mais conservadoras, em termos de hábitos e comportamentos. Mas, quando você está falando na produção audiovisual, no universo de conteúdo, de mídia, isso está todo dia. E é esse universo que produz o conteúdo da maior parte de vocês o tempo todo. Onde vocês veem notícia, onde vocês veem novela, vocês veem filme, assistem séries de televisão. O universo de produção de conteúdo é o universo hoje saturado sobre essas questões de identidade. E isso extravasa para os seus filhos. Extravasa para as escolas, onde seus filhos estão. Então, a grande parte daquilo que seu filho ou sua filha fará ou será, por mais que você fique ansioso, Você não vai ter controle sobre isso. Aliás, é isso que gera ansiedade em grande medida. É você querer controlar todas as variáveis. Então, a ansiedade que a gente vive hoje é uma ansiedade, esse tipo de ansiedade é uma ansiedade que vem do universo social. Olha, isso, o aumento da ansiedade É uma mudança de certa forma, apesar que a gente não sabe se as pessoas eram ansiosas no ano 1200. A gente sabe que a alimentação era muito pobre e que a gente passou fome, quase a história toda da humanidade a gente passou fome. Prehistória, história, a gente passava fome até ontem. Hoje você escolhe glúten, sem glúten, lactose, vegano, carne. Isso tudo significa que você é rico. Até ontem a gente passava fome. Vocês, aliás, estão diretamente ligados ao negócio de fazer comida. Diretamente ligados a isso. Mas a ansiedade hoje, aparentemente, é muito alta. Por quê? Porque as pessoas procuram médicos, psiquiatras, psicólogos, tomam remédios. Mas aí você pode dizer assim para mim, Pondé, mas antes não existia nada disso. É, não existia, então talvez existisse, mas não tinha médico. E não tinha remédio, não tem psicólogo. Ah, então, será que não apareceu porque tem muito médico, psiquiatra e psicólogo? Talvez sim, porque tem mercado e vai gerando. Está entendendo o raciocínio? Quer dizer, você quer pensar sobre mudanças a sério? Você não pode pensar só no marketing. O marketing, a preocupação do marketing é fazer os outros acreditarem naquilo que o profissional de marketing quer. Se você é um líder, alguém que está preocupado em exercer, cuidar de pessoas, fazer inclusive com que elas produzam sem morrer no processo, você tem que olhar a realidade, não como você manda seu profissional de marketing fazer os outros acreditarem. sem que olhar de uma forma um pouco... Então, seja lá o que for, é porque tem mais psiquiatra, mais indústria farmacêutica, mais remédio, mais consumo, ou porque de fato as pessoas estão mais ansiosas, a gente não consegue responder isso, mas é muito provavelmente, de fato, você tem mais gente ansiosa e mais diagnóstico e mais medicação, certo? A ansiedade de base social que a gente vive hoje, ela é fácil de detectar, de entender a causa. Nada de tão complicado assim. É o seguinte. Como eu dizia no começo, e aqui no painel a gente viu todas as demandas e obrigações que as pessoas têm que ter para conseguir dar conta de tudo, a gente sabe, no fundo do nosso coração, que a gente não vai conseguir dar conta disso tudo. Mas uma parte talvez a gente dê, guardando-se uma série de variáveis. Mas o fato de você ter que controlar tanta coisa, tem que controlar a sua saúde, certo? E hoje se começa a controlar a saúde cada vez mais jovem, assim como se começa procedimentos estéticos cada vez mais jovem, as pessoas começam a envelhecer mais rápido, apesar de ter mais longevidade, você já tem gente com 30 anos fazendo Botox, 25 anos fazendo Botox, já tem né, a gente sabe disso. Mas você tem que controlar sua saúde, você tem que controlar sua beleza, você tem que controlar sua performance profissional, você tem que controlar sua formação. Aí se você resolve ter uma vida afetiva, você tem que controlar essa vida afetiva, controlar mesmo. Controlar para ver se ela está sendo frutífera, satisfatória, certo? O que você está entregando, não é essa frase? O que você está entregando? Você está entregando, também tem um sociólogo muito famoso, morreu há poucos anos atrás, chamado Zygmunt Bauman, que ele dizia que a cama do casal virou uma frente de trabalho. Ele escreveu isso no começo do século XXI. Então, você tem que estar batendo as metas o tempo inteiro, o resultado. Quando você percebe que você não vai conseguir controlar tudo, aí vem a ansiedade. Então, o que é essa ansiedade contemporânea que aumenta, inclusive entre os jovens, o medo, como eles falam, aquele programa que eu falei para vocês, a Bandeirantes, os jovens pediram para fazer um programa sobre medo. Certo? Três meninos e três meninas. A pauta que eles escolheram foi medo. Eles não escolheram balada, festa, o que foi. Eles escolheram medo. Medo do mercado de trabalho. Nem se falava aqui de 200 emprega um. Em algum momento se falou isso. Medo do mercado de trabalho. Medo da vida afetiva. Como é que vai ser? Se vai encontrar um parceiro, uma parceira. Se dá para confiar. Você tem um déficit de confiança cada vez maior entre os jovens em relação a relacionamentos afetivos. Déficit de confiança. Isso tudo é alimentado inclusive por muita informação. É muito importante se informar. Sem dúvida. Mas uma das coisas que produz mais ansiedade no mundo contemporâneo é a informação. Eu não estou dizendo com isso, eu trabalho com informação, eu não estaria chutando o meu próprio mercado. O que eu estou querendo dizer é o seguinte, é que o fato da informação ser importante não significa que a pressão da informação não seja ansiogênico. Isso que eu estou dizendo. Ela vem de todos os lados, o tempo inteiro. Eu não estou nem discutindo a qualidade. Isso é outra discussão. Mas a pressão é muito grande. Você tem que ser informado o tempo todo. E isso no meio, como dizia aqui há pouco no painel, no meio de que você está trabalhando 24 horas por dia. Além disso tudo, você ainda tem que ser pai e mãe. Qual é a decisão que você toma? Eu não quero ser pai e mãe. Acabou. Não quero. Eu tenho que controlar isso também? Eu vou controlar isso ou não vou ter. Filho dura muito tempo. É muito caro. Você opta por não tê-los, então é por isso que você tem menor, você hoje em dia tem menor atividade sexual, certo? Entre os jovens é muito louco isso aí. E você tem menos filhos e você tem mais pets. Olha a sua volta. Quantas lojas de pets abrem nas cidades? As maternidades quebram. Isso significa o que? Significa que quem trabalha em escola já sabe que tem um número de crianças cada vez menor. Se você desce no plano social aumenta, porque aquilo não tem o que fazer, não tem vida organizada, não tem muita perspectiva, então tem mais filhos. Mas quando você sobe no nível social, você tem menos. E isso daí, para quem lida com o mercado educacional, principalmente de criança, já sabe muito bem disso daí. Que é um número cada vez menor. Então você tem que agradar os pais o tempo inteiro. Você tem que agradar os pais o tempo inteiro. E agradar os pais faz com que os pais se metam na escola, produzam ansiedade dentro da escola, expectativas o tempo todo, e isso gera o fato de que as escolas, os profissionais que trabalham com educação são altamente ansiosos também. Então isso é um fator, isso é uma mudança no mundo, o mundo está mais ansioso, Possível que sim. Você até pode virar gente que trabalha no mercado. Eu trabalho em duas empresas de mídia, a Folha e a TV Cultura, então eu sei um pouco como funciona a mentalidade do mercado, não trabalho só na universidade, que também é mercado, mas é disfarçado. A universidade também é um mercado hoje em dia. A gente sabe que é, inclusive porque tem que disputar aluno. E ela tem que ser atraente. Então, o professor tem que ser facilitador, tem que ser divertido, tem que estar alegre o tempo todo. Já deu uma porrada de aula e tem que continuar animando, se informando, porque, senão, perde o emprego. Uma das mudanças cada vez maiores no nosso mundo atual, que vocês devem entender muito bem do que estou falando, é o fato que a idade de corte é cada vez mais baixa. cada vez mais você vai perdendo a perspectiva de trabalho mais cedo. Se você não der certo até uma certa idade, dificilmente você vai dar certo adiante. E quando você fala de disrupção tecnológica, por exemplo, A tendência é que isso agrave, então é muito interessante porque isso seguramente vai produzir alguma transformação que pode ser interessante, sei lá, daqui 100 anos, talvez. Que é o seguinte, menos jovens, mais pessoas vivendo mais tempo, longevidade maior, Hoje em dia, a longevidade não é acompanhada pela produção, a maior parte das pessoas que vivem mais tempo estão cuspidas no mercado de trabalho, ou são jogados em casa de repouso, que também cresce para burros, se você observar. É pet shop e casa de repouso. Pet shop dá dinheiro, casa de repouso não. Cresce, mas não dá muito dinheiro. É muito caro e tudo mais. Hoje em dia as pessoas vivem mais, mas elas são cada vez mais postas para fora do mercado produtivo. Mais cedo. Que é uma das coisas que os jovens têm na cabeça. Eles sabem que o tempo para eles darem certo é muito curto. Eles têm que dar certo muito rápido. Muito rápido. Então eles têm que acertar. Por isso, inclusive, muitas vezes eles não querem perder tempo com alguma coisa que não está dando. Porque se não está dando, se não está dando tesão, é melhor ele procurar alguma coisa que dê tesão, porque ele sabe que o tempo dele é curto. Daqui a pouco vem alguém com 12 anos para tomar o lugar dele. Mas, se as coisas não vão mudar, e quando a gente está falando de processos sociais, Você não muda a proteção social porque você decidiu mudar. Não é assim, segunda-feira eu vou mudar. Não. A diminuição do número de jovens é uma consequência necessária do modo de vida contemporâneo. Você sente com a decisão sua. Ah, eu tomei essa decisão. E tomou. Mas, na realidade, você está dentro de um contexto que te levou a chegar a essa conclusão. Você fez conta, escola, seguro-saúde, emprego, casa, trabalho. Você fez todas as contas e chegou nessa conclusão. Então, isso pode, em 100 anos, criar algum tipo de transformação significativa que é o seguinte, pela falta do número de jovens, mais pessoas com mais idade poderão ter, talvez, mais oportunidade ou ser necessário o uso delas. Isso se mecanismos de consciência, de inteligência mecânica, inteligência artificial, não tomar o lugar disso tudo, ou grande parte disso. Então você poderá ter pessoas mais velhas sendo utilizadas durante mais tempo. Mas hoje a tendência é um tempo muito curto. Então, você tendo que lidar com pessoas, ser inspiradora. Você fala para uma pessoa que ela tem que ser protagonista da vida dela. Ela tem tanta coisa que tem que ser protagonista, coitada. Você sabe que a palavra protagonista vem do grego agon, combate, conflito. Daí que vem a palavra. Em português é agonia. E aquele que está na frente do palco, que está na frente da cena. Então, eu diria, e eu começo a fechar aqui para ouvir perguntas, eu diria que um líder hoje, uma pessoa que quer ser responsável por pessoas com quem ele trabalha, ele precisa ir além do motivacional, ele precisa ir além do marketing, ou se ele acha que isso vai ser suficiente para dar produtividade, ele fica aí. E fica repetindo essa história o tempo inteiro, talvez dê certo. durante mais tempo. Mas se ele quiser, por exemplo, lidar com o problema que surgiu aqui no painel, por isso que eu estou dando mais atenção a ele, que é esse problema dos jovens, se eles quiserem lidar com esse problema, não vai poder só ficar no motivacional e no marketing, não. Vai ter que olhar para dentro e perceber que muito do que se observa dos jovens hoje, São consequências, eu vou usar uma expressão dramática, mas não é tão dramática assim, só para ficar claro. São consequências de um certo sentimento de diminuição da população. A população está diminuindo. Ela está diminuindo. Eles sabem, apesar de todo o esforço que os pais fazem, que eles criam problema. Por isso que eles mesmos falam que não querem ter filhos. Quando você pergunta em sala de aula, eles mesmos fazem um plano. Então, é preciso, uma coisa que surgiu aqui no painel também, que eu acho que é importante, na minha fala aqui, fechando, é assim, é preciso, eu lembro que uma painelista falou em ter uma abordagem holística, você tem que ir além daquilo que você faz no seu, daquilo que é conhecimento só pragmático, Você tem muito acesso à informação, mas ter que ter, ter que ir atrás da informação é parte hoje do problema e da solução. E aí a gente tem o cenário. As coisas são, de fato, confusas. Um bom líder, me parece alguém que não fica atrás de fórmula, não acha que vai resolver tudo no workshop, sabe muito bem que estamos em uma sociedade meio à deriva. Estamos em uma sociedade meio à deriva. Meio à deriva politicamente, não só no Brasil. Quem acha que é só no Brasil está precisando se informar mais. Uma sociedade meio à deriva politicamente, meio à deriva em termos de comportamento, meio à deriva em termos do que as pessoas normalmente chamam de valores, meio a deriva, numa sensação de, o tempo inteiro, muita coisa nova que você tem que dar conta. Então, eu diria, olha, se eu tivesse que usar algumas poucas palavras, eu diria, olha, mudanças, obrigação de ter sucesso, muita ansiedade, um olhar muito negativo sobre os jovens, apesar de não ser confessado, certo? Uma percepção de que eles estão aquém do que eles deveriam ser. Como? Eu tenho tudo para eles. Eles têm tudo de bom e do melhor. O que está dando errado? Ninguém tem muita clareza do que está dando errado. Mas, talvez fosse importante, é uma pena que grande parte das pessoas que trabalham nessa área de lidar com jovens estão preocupados com marketing e não com o que está acontecendo. Quando não com marketing pessoal. Obrigado. Vamos às perguntas. Já está na hora. Onde é que está? Podem enviar as perguntas para o nosso WhatsApp. Enquanto as perguntas chegam lá, Pondé, deixa eu mandar aqui. Já tem perguntas? Já tem? Ótimo. Então depois eu dou o recado. Vamos para a pergunta que é mais importante. Pondé. Quem mandou, hein? Que as pautas identitárias estão sendo úteis ou dividindo ainda mais a sociedade? Que é identitária? Faltas identitárias, eu entendi a pergunta. Entendeu? Entendi. Ótimo. Eu não me entendi. Bom, esse tema é um vespeiro. Esse tema é um vespeiro. Eu passei, eu tangenciei ele. Quando eu estava falando que o mundo da engenharia normalmente é mais conservador, diferente do mundo da mídia e da universidade, da universidade de humanas e de mídia, de artes. Se as pautas identitárias estão dividindo a sociedade ao seu melhor, olha, uma coisa e outra. Não tem equação, uma coisa e outra. Pense o seguinte, se você é uma pessoa que faz parte de um grupo étnico que não tinha chance de fazer uma carreira profissional e criaram um sistema X que faz com que você passe a ter, é bom, é bom para você. Mesmo que, quando se falava, por exemplo, a professora Dezal que falou, no momento, que 50% dos alunos da USP hoje vêm de escola pública, todos os incentivos e cotas e tudo mais, e muita gente achava que isso poderia derrubar a qualidade do ensino, mesmo que em um primeiro momento derrube, para a pessoa que não tinha acesso, dane-se. Ela passa a ter. A mesma coisa vale para grupos étnicos ou grupos de orientação sexual e tal. Ao mesmo tempo, isso tem acirrado conflitos entre grupos mesmo. Isso tem acirrado o debate. Nos Estados Unidos, por exemplo, porque que os americanos acabaram com um presidente que parece beirar os 120 anos? Certo? Por quê? Que fica cometendo Biden slips, como eles falam. Outro dia ele confundiu genocídio com suicídio. O que nós podemos fazer se alguém no leste europeu decidiu cometer suicídio? Ele estava falando de genocídio. Mas assim, por quê? Porque o partido democrata americano não consegue chegar a um acordo tamanha a polarização dos grupos internos. Então o Biden foi uma opção que ninguém odiava. Então o Biden saiu. Fora ele não tinha opção. As pautas identitárias, elas são importantes no sentido de você produzir mais acesso para uma série de grupos? Às vezes paz de espírito, normalização da vida e ao mesmo tempo do plano político elas estão acirrando tensões, porque tem muita gente que não quer saber disso, vota contra isso, entende, tem medo do impacto que isso possa ter dentro da sua casa, porque é o seguinte, também não adianta dizer que é tudo lindo e maravilhoso, Não é não. Se você pegar, por exemplo, pessoas que fazem transição de gênero, elas sofrem muito. Tem muito sofrimento disso, não é uma festa. Não é uma questão de política só. É sofrimento psicológico grave. Então, uma coisa e outra. Sinto muito, mas é assim que é. Muito bem, podem continuar mandando perguntas aqui. Enquanto não chegam outras perguntas, eu vou te fazer uma pergunta. Dentro dessa reflexão que você fez aqui, parece-me um pouco torturante aos jovens que precisam ser protagonistas e sabem que o tempo é tão pequeno para isso, porque daqui a pouco chega alguém, como você disse, de 12 anos e bota ele para fora do mercado. Isso traz um desequilíbrio psicológico nessa geração que precisa, que sente a necessidade de ser protagonista? Você acha que altera o comportamento? Olha, eu acho que se a gente fizer um comparativo, é claro que pessoas de gerações mais velhas, anteriores, tinham menos luxo, menos informação, estavam acostumadas com isso. precisavam correr atrás do prejuízo, tinha menos riqueza espalhada pelo mundo. Então, quando a gente diz eram mais comprometidos, é no sentido de que eram normalmente jovens que sabiam que tinha que convencer o chefe que ele vale a pena, agradecer por ter um emprego. Hoje existe muita ingratidão entre os jovens. É muito interessante, muita ingratidão. No sentido de achar aquilo que os americanos chamam I'm entitled to. Eu tenho direito a. É o tempo inteiro essa expressão. Eu tenho direito a isso, eu tenho direito aquilo, eu tenho direito aquilo outro. Então, assim, isso eu fiz essa introdução porque, assim, o comparativo é sempre complicado. Mas quem está do lado de cá do balcão, ou seja, que já viveu um pouco mais, compara naturalmente. Eu, por exemplo, que dou aula há mais de 25 anos, eu vejo diante dos meus olhos, além de uma vasta literatura sobre o assunto. Os jovens são mais duros, mais intolerantes com ideias que não sejam a deles, tendem a julgar todo mundo. Julgam todo mundo, acham que podem resolver todos os problemas, tem medo do mercado de trabalho e do afeto, sente a pressão que eu falei e você acabou de repetir, se isso gera problema psicológico, olha, possivelmente sim, como eu dizia na minha fala, quer dizer, Eles tomam mais remédio. O nível de medicação, a medicação hoje tem quase uma função de doping. Não só entre os jovens, mas entre os jovens também. Que é uma medicação que você precisa tomar ela para você conseguir enfrentar a vida. Então, vou dar um exemplo concreto. Eu fiz muita provoral. nas duas faculdades. Muita provoral. E eu fiz muita provoral durante muitos anos com meus alunos. Nos últimos quatro, cinco anos eu parei. Por quê? Porque eles não aguentam. Eles caem no chão, choram, começam a tremer, vomitam, certo? Então, ninguém sabe direito As causas, sabe-se que tem a ver com os pais, o aumento da riqueza, um sentimento, uma cobrança muito grande, um medo de um mundo muito competitivo, que ele tem que dar certo muito rápido, famílias bem desfuncionais, redes sociais que pressionam muito, no sentido de agradar muita gente, ter muito seguidor. Então tem uma série de fatores. O sintoma está aí. O sintoma está claro. E nós, os mais vividos, eu posso testemunhar isso, eu viajo o Brasil todo trabalhando com eventos e com tantas coisas, eu encontro muito jovem competente, encontro muito jovem bem formado, competente e interessado, mas encontro também muito jovem que pensa que está muito bem posicionado e que, por vezes, conseguiu um espaço no mercado de trabalho e que não tem a menor formação e a menor condição para conduzir o trabalho que foi atribuído a ele. Eu penso que também isso traz para o jovem um certo desequilíbrio, do jeito que você falou. Porque imaginar que ele está bem posicionado profissionalmente, imaginar que ele já está bem colocado, imaginar que ele está conduzindo alguma coisa bem, sem que aquilo esteja realmente sendo feito, é um grande prejuízo, não só para aqueles que o rodeiam, mas para ele próprio. É, e hoje você tem muito mais jovens sendo formados em universidade no Brasil do que tinha antes. O número de universidades desde o Paulo Renato, lá atrás, o governo FHC, cresceu muito, em várias áreas. E o resultado é que hoje você tem mais gente com formação para competir mais. E isso faz com que, por exemplo, no mercado de trabalho, muita gente não tenha consciência da queda drástica do número de jovens. Porque se tem mais jovens fazendo universidade, que se formou, que foi para qualquer tipo de universidade que tem aí, para procurar emprego. Mas não resta dúvida, quando você falou da população, nós estamos falando de gente. Você tem, normalmente, gente mais arrogante, menos arrogante. Você tem gente mais competente, menos competente. Você tem gente mais inteligente, menos inteligente. Está na moda dizer que todo mundo é igual, mas isso é uma das mentiras que falam por aí. Quem dá aula e quem é responsável, é líder em empresa, sabe muito bem que não é assim. Nem todo mundo é igual, alguns são mais isso, mais aquilo, ou menos isso, menos aquilo. Mas eu entendo que essa arrogância a qual você fez referência, às vezes essa arrogância é um fenômeno mais específico que está muito vinculado, muitas vezes, aos pais. Tem pais por aí que pensam em seus filhos como obra-prima. Olha que ideia idiota. Uma pessoa como obra-prima, que você vai formar ele para ele ser a melhor pessoa da face da Terra. Esse moleque vai tomar remédio, com certeza. A gente percebe que no nosso mercado nós temos muitos jovens. Agora já tem menos gente aqui, mas eu pude notar um número de jovens muito grande aqui nesse auditório durante esses dois dias. E muitos jovens permaneceram conosco aqui até agora justamente para acompanhar essa reflexão, para ouvir a sua reflexão. E a gente conhece você Você sabe disso, a gente conhece você através da televisão, através das suas palestras, dos seus eventos, das suas reflexões, raciocínios, livros, enfim, das suas aulas de faculdade. Eu penso que é um bom momento para essa turma de jovens que permaneceu conosco aqui até agora, para a gente aproveitar a sua capacidade de reflexão, para transmitir um recado, vamos chamar isso de recado final, até porque o nosso tempo já se vai, mas que fosse uma reflexão, um recado, uma reflexão final para essa turma de jovens que está aqui entrando no nosso mercado, começando, ou que já começou há bastante tempo e está caminhando, mas ainda tem uma caminhada longa pela frente. Queria aproveitar, sugar um pouquinho de você nesse finalzinho de palestra para aproveitar o seu conhecimento, de comportamento humano pra gente transmitir pra essa moçada algo que eles pudessem levar pra casa e dizer, no nono absolu eu ouvi o Pondé dizer isso há 20 anos e isso me ajudou na minha formação e por isso hoje eu sou quem sou. Olha, Primeiro, uma coisa bem pontual de uma pesquisa muito recente com alunos que voltaram para a escola, depois da pandemia, voltaram para a escola no sentido presencial, e na escola pública voltaram de fato. Uma das coisas que aqueles alunos e aquelas escolas, aí eu vou dar uns poucos recados, esse é bem pontual, bem prático, Uma das escolas que pontuou melhor no sentido do retorno desses jovens à escola e à universidade foram escolas que têm esses jovens lendo literatura. Parece que estou falando uma coisa louca, não, mas estou falando uma coisa concreta. Tanto que, nas redes sociais, isso cresceu muito durante a pandemia. Clubes de leitura. A leitura de clássicos ajuda muito na vida. Mais do que livros de autoajuda. Ajuda muito. Por quê? Porque são livros que muitos deles escritos há 100, 200 anos ou alguns agora e tal. Eles ajudam porque você percebe que você não está só. E tem problemas que você acha que você está passando, mas pessoas já refletiram sobre isso várias vezes. Então esse é um recado que eu daria, que eu acho importante. Uma outra coisa, também pontualmente falando, é Há algum tempo atrás, isso durante a pandemia, no final de uma palestra daquelas que eram online, um rapaz jovem perguntou para mim assim, Pondé, eu e a minha mulher, recém-casados e tal, eu e minha esposa, ele falou, não minha mulher, minha esposa, que é mais, nós estamos fazendo, nós estamos fazendo planos, projetos, para conseguir ter uma vida equilibrada entre vida de trabalho e vida profissional. Que dica que você nos dá para que a gente consiga fazer esse planejamento dar certo? E eu falei para ele o seguinte, olha, o que eu diria para você é o seguinte, eu tenho certeza que os planos de vocês vão dar certo, vão dar errado. E isso vai ajudar vocês. Porque achar que você vai conseguir planejar, Perfeitamente. Uma vida, para equilibrar a vida profissional e vida de trabalho, quando você está começando as duas coisas, é um remédio seguro para você se frustrar. Porque ninguém consegue planejar as coisas num nível como esse. E aí eu terminaria dizendo o seguinte, eu falei bastante de ansiedade, por conta do que eu escutei aqui no painel e dos jovens e tal, eu diria, a ansiedade Uma das coisas que alimenta a ansiedade é esse desespero de dar certo o tempo inteiro. E nós somos obrigados a dar certo. Você não quer dar certo porque você é um idiota. É porque você tem que dar certo. Então, um recado que eu daria para os jovens, uma coisa que eu sempre discuti muito com os alunos, eu acho que, em grande medida, se você conseguir seguir aquilo que você gosta, há uma chance de não dar tão errado. Fazer o que você gosta na vida. A gente nunca consegue plenamente. Eu não estou falando só de trabalho. Eu sei que tem outras áreas, mas estou falando de trabalho. Fazer o que você gosta é como um trabalho. Em alguma medida, se você gosta em algum nível do que você faz, se aquilo tem significado, seguramente vai ser mais fácil de você atravessar Toda essa história que é a nossa vida. Se você não gosta, a chance de ser pior é grande. Eu sei que nem todo mundo consegue fazer o que gosta. Mas, em alguma medida, acredito que quem se forma em agronomia e vai trabalhar no agro, em alguma medida, deve gostar do que faz. Então, eu acho que isso é uma boa ideia. Os românticos tinham razão nesse sentido. Obrigado. Doutor Luiz Felipe Pondé. Obrigado pela sua presença. Obrigado por ter aceito o nosso convite. Grande abraço, sucesso sempre.

Luiz Felipe Pondé

2022 - Abisolo

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