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Os desafios da nutrição do gergelim nos sistemas de produção brasileiro
Com o aumento populacional, os sistemas de produção agrícola serão cada vez mais explorados para satisfazer a demanda de alimentos nutritivos e funcionais, e matérias-primas, tanto para consumo humano e animal como para fins industriais. No entanto, manter a sustentabilidade nestes sistemas é desafiador.
Considerando as adversidades que ocorrem no setor agrícola impactando os custos de produção, a rotação de culturas e a adoção de práticas, que visam promover benefícios a agricultura, através incrementos aos atributos químicos, físicos e biológicos dos solos, são aspectos de suma importância para o alcance de altas produtividades, garantindo a segurança alimentar e a resiliência dos agrossistemas.
Culturas oleaginosas dentro dos sistemas de produção, são excelentes oportunidades de expansão para o agronegócio, visto os diversos usos e destinos proporcionados através dos produtos gerados, podendo o escoamento ser destinado desde à cadeia alimentícia, cosmética e farmacêutica ao suprimento da matriz energética, com a produção de biodiesel. Entre essas culturas, o gergelim tem se destacado nesse aspecto, visto que suas sementes apresentam índices elevados de óleo (35 a 58%) e proteína (17 a 30%) (Agidew et al., 2021; Antoniassi et al., 2013)
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), na safra 2023/24, a área planta de gergelim foi de 659,9 mil ha com produção de aproximadamente 361,3 mil toneladas, quando comparada ao primeiro levantamento de safra em 2018/19, à área de plantio correspondeu à 53 mil ha, sendo perceptível o expressivo aumento de interesse pela cultura. A região Centro-Oeste representa 64% da produção total, destacando-se o estado do Mato Grosso, sendo considerado o maior produtor, seguido do Pará no norte do País (CONAB, 2025).
O Gergelim é uma cultura pertencente à família Pedaliaceae, sendo uma planta anual, com ciclo variando entre 90 e 120 dias. A semeadura pode ser realizada de forma manual ou mecanizada. Além disso, seu desenvolvimento é favorecido em solos profundos, bem drenados, textura desde franco-arenosa à franco-argilosa, e boa fertilidade natural. O espaçamento utilizado pode variar de 0,4 a 0,6m entre linhas e 0,05 a 0,20m entre plantas, dependendo da cultivar (Beltrão et al., 2013; Arriel et al., 2007).
A demanda hídrica exigida pelo gergelim é baixa, sendo considerada uma cultura rústica, visto sua alta eficiência fotossintética e resistência à seca, seu período de cultivo varia entre a safra e entressafra, além disso seu consórcio com outras culturas, como amendoim, mamona e palma forrageira, permite ainda maior diversificação de renda aos produtores (Arriel et al., 2007, Silva et al., 2013).
Contudo, apesar do cultivo do gergelim ser de fácil manejo, o alcance de altas produtividades e a geração de produtos de qualidade, depende diretamente da nutrição mineral da cultura. O equilíbrio na disponibilidade de nutrientes, por meio de manejo adequado da adubação, é essencial para garantir o desenvolvimento fisiológico ideal das plantas. A nutrição mineral, além de fornecer os elementos necessários para o crescimento vegetal, envolve a compreensão da dinâmica de absorção e interação dos nutrientes no metabolismo vegetal, influenciando diretamente processos bioquímicos essenciais e impactando a sustentabilidade da produção agrícola.
Culturas oleaginosas apresentam uma tendencia de maior demanda nutricional, com destaque para a exigência de nitrogênio (N) e enxofre (S), devido ao papel fundamental desses elementos na biossíntese de aminoácidos, proteínas e enzimas, essenciais para o metabolismo da planta. Além disso, esses nutrientes estão diretamente relacionados à composição e qualidade do óleo extraído, influenciando características como teor de ácidos graxos e estabilidade oxidativa. A adequada suplementação de N e S também impacta a eficiência produtiva ao longo do ciclo da cultura.
No gergelim, alguns estudos demonstram que o balanço da adubação com N e S pode proporcionar ganhos de produtividade e maior crescimento da cultura (Khan et al., 2021; Zeb; Jan, 2021), aumento no teor de óleo (Shilpi et al., 2014) e proteína (Elhanafi et al., 2019). A adubação com boro proporciona maior rendimento de grãos (Akshatha; Rajkumara, 2018, Dey et al., 2023) e maior teor de óleo (Dey et al., 2023).
No entanto, há uma escassez de informações relacionadas a absorção e exportação de nutrientes da cultura, que refletem a realidade dos sistemas de produção em diferentes regiões no Brasil, tornando-se esse aspecto desafiador e de suma importância na utilização de estratégias de adubação, principalmente com a rápida expansão da cultura e a obtenção de produtos de qualidade, visto que o gergelim pode apresentar diferentes respostas relacionadas à adubação, sendo dependentes do ambiente onde está sendo cultivado e cultivar utilizada.

Figura 1. Plantas da cultura de gergelim em desenvolvimento, experimento realizado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) no Sul de Minas Gerais avaliando a interação de N e S na qualidade das sementes.
Maria Ligia de Souza Silva
Amanda Santana Chales
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