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Microalgas na agricultura

O termo “algas” se refere a uma grande diversidade de organismos fotossintéticos produtores de O2, que contribuem com aproximadamente 50% da produtividade fotossintética do planeta, composta desde espécies com estruturas foliares complexas como as macroalgas marinhas, até espécies microscópicas unicelulares chamadas microalgas.

As microalgas são organismos encontrados como parte do fitoplâncton em quase todas as superfícies aquáticas, em ambientes marinhos ou de água doce, e também terrestres.  São classificadas principalmente considerando sua pigmentação, ciclo de vida e estrutura celular. Estima-se que existam em torno de 800.000 espécies de microalgas, das quais aproximadamente 50.000 espécies são descritas, compondo um grupo altamente diversificado de microrganismos, que inclui cianobactérias (organismos procarióticos, ex. Arthrospira (Spirulina) platensis) e organismos eucarióticos, como as microalgas verdes (ex. Scenedesmus sp., Chlorella sp., Acutodesmus dimorphus, Dunaliella salina), com uma ampla gama de características fisiológicas e bioquímicas.

As microalgas (incluindo cianobactérias) podem ser produzidas de diversas formas, tornando-se fontes de recursos renováveis, pois sua capacidade fotossintética as torna eficientes produtoras primárias de biomassa e de muitos compostos bioativos de interesse, sendo utilizados na indústria de alimentação humana e animal, na indústria de cosméticos, biocombustíveis, entre tantas outras, incluindo de insumos agrícolas.

As pesquisas com o uso agrícola de microalgas não são recentes, entretanto, nos últimos cinco anos tem se difundido, alcançando maior relevância especialmente na Europa, com destaque para Espanha, Itália e Hungria, e também no Oriente Médio, relacionando seus efeitos à promoção do crescimento das plantas, aumento de produtividade e na mitigação dos estresses abióticos, como déficit hídrico e a salinidade. No Brasil, artigos científicos e patentes do uso agrícola de microalgas têm surgido recentemente.

Diversas fontes de origem biológica podem apresentar efeitos definidos de forma genérica como “bioatividade” quando aplicadas às plantas, a exemplo dos extratos de macroalgas, dos fermentados bacterianos ou de leveduras, e dos hidrolisados protéicos, entre outros, que trazem em sua composição um conjunto de potenciais moléculas bioativas. O termo bioatividade está contemplando na recente Instrução Normativa 61 do MAPA, que trata entre outras coisas, do registro de Biofertilizantes.

Nesse sentido, as microalgas têm sido relatadas como fontes de diversas moléculas bioativas, entre elas: poliaminas (putrescina, espermina, espermidina), que são compostos derivados do aminoácido ornitina e apresentam efeito de modular o crescimento e desenvolvimento das plantas; polissacarídeos (união de vários monômeros de carboidratos por ligações glicosídicas) que podem apresentar efeito promotor de crescimento e de mitigar estresses abióticos; L-aminoácidos livres e peptídeos, que absorvidos pelas folhas ou raízes podem ser incorporados ao metabolismo de acordo com as demandas das plantas, ou estimular processos fisiológicos atuando como moléculas sinalizadoras.

Se o uso agrícola de microalgas despertar interesse, pode-se acessar os trabalhos recentes (2015-2021) utilizados para a elaboração desse texto pelos links http://doi.org/ (doi), ou fazer uma busca rápida na web com palavras-chave como “cultivo de microalgas” e “microalgas agricultura”, provavelmente surpreendendo aos que não tem familiaridade com o tema pela grande quantidade de informações disponíveis.

Átila Mórgor

2021 - Abisolo

Palavras-chave:

Microalgas, bioatividade, poliaminas, bioestimulante, fitoplâncton, cianobactérias

Termos de indexação:

Recursos renováveis, compostos bioativos, desenvolvimento das plantas, aminoácidos, microrganismos, características fisiológicas

Referências bibliográficas:

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