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Fontes de B aplicada via drench em Citros
O Brasil é o maior produtor mundial de laranja, com valor de produção próximo de R$ 28,5 bilhões em 2024 e estimativa de safra de 314,6 milhões de caixas para o ciclo 2025/2026 (Fundecitrus, 2025; IBGE, 2026). Nas últimas décadas, o aumento da produtividade das laranjeiras, impulsionado por mudanças no manejo dos pomares — como o adensamento de plantio e o uso de combinações mais produtivas entre copa e porta-enxerto (Boaretto et al., 2020) — elevou a demanda nutricional das plantas e ampliou a busca por novas formulações e estratégias de fornecimento de fertilizantes.
O boro (B) está entre os micronutrientes que mais limita a produtividade dos citros. Em geral, a aplicação de micronutrientes ocorre sempre associada a outras práticas culturais (tratamento fitossanitário, adubação de base, herbicidas e fertirrigação), devido ao desafio de distribuir pequenas quantidades de fertilizantes (1 a 10 kg ha⁻¹ por aplicação) de forma homogênea.
A expansão do greening (HLB), doença responsável pela erradicação de mais de 50 milhões de árvores (Parra et al., 2022), intensificou as práticas de manejo fitossanitário. Atualmente, recomenda-se a aplicação anual de três a quatro doses de inseticidas sistêmicos via drench, especialmente durante o período de formação do pomar. Essa prática abriu uma oportunidade operacional para o fornecimento de B via solo, utilizando a mesma operação.
Na cultura dos Citros se recomenda a aplicação anual de 2,0 – 3,0 kg ha-1 de B, independentemente da idade do pomar. Em pomares em formação, o fornecimento de B pode ser feito tanto via foliar quanto via solo, contudo, para pomares em produção se recomenda que a aplicação seja preferencialmente via solo, utilizando ácido bórico diluído na calda de herbicidas de duas a três vezes ao ano (Quaggio et al., 2022).
A recomendação da mesma dose de B tanto em pomares novos quanto em produção, se justifica em função da estratégia de aplicação. Em pomares novos quando o micronutriente é aplicado junto à calda de herbicida, ele é distribuído em uma área de 4000 – 6000 m2 ha-1, sendo depositado fora da zona radicular, o que reduz a sua eficiência de aproveitamento pela planta (Figura 1A), o que não ocorre em pomares adultos. Por outro lado, o fornecimento de B via drench (Figura 1B) concentra a aplicação do nutriente mais próximo da zona radicular, o que pode elevar a eficiência de uso e permitir ajustes para redução de doses.
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| Figura 1. Comparação entra a área de cobertura do boro aplicado junto ao herbicida (A) e via drench (B). |
Para realizar ajustes nas quantidades de B a serem a aplicadas via drench, foram instalados dois experimentos em pomares novos com o objetivo de avaliar a eficiência de diferentes fontes de B. No primeiro comparou a eficiência de duas fontes de B em diferentes doses, sendo uma fonte solúvel em água (ácido bórico) e a outra uma suspensão concentrada micronizada (borato de zinco), ambas aplicadas via drench. A dose total de B foi parcelada em três aplicações.
O fornecimento de B via drench elevou os teores do micronutriente nas folhas velhas em função das doses aplicadas. A dose mais alta de B (900 mg planta-1 ano-1), em relação ao tratamento controle, resultou em incrementos superiores a 100 mg kg-1 de B nas folhas velhas (Figura 2). Não foram verificadas diferenças entre as fontes de B no enriquecimento do micronutriente nos teores foliares, indicando que, em condição de cultura perene, uma fonte de menor solubilidade (borato de Zn) pode apresentar desempenho semelhante a uma fonte solúvel (ácido bórico) quando aplicada via solo.”
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| Figura 2. Descrição dos tratamentos e teor de boro (B) em folhas novas e velhas de laranjeiras Valencia. Legenda: Barras seguidas por letras diferentes indicam diferenças entre os tratamentos (Tukey a 5%). |
No segundo estudo foram comparadas três fontes de B (ácido bórico, borato de zinco e B-MEA), sendo que o B-MEA é uma fonte líquida, de alta solubilidade, na qual o B está complexado com uma monoetanoamina. Nesse experimento todas as fontes fertilizantes foram enriquecidas isotopicamente em 10B, permitindo determinar a eficiência de absorção e o destino do nutriente na planta. A dose de B aplicada foi de 300 mg planta-1 ano-1, parceladas em três aplicações via drench. Assim, como no experimento anterior, no segundo experimento também não foram observadas diferenças entre as fontes; a aplicação de B via drench promoveu um aumento de aproximadamente 7% do B na planta derivado do fertilizante. A análise isotópica revelou ainda o padrão de distribuição do nutriente após a aplicação via drench: aproximadamente 40% do B absorvido concentrou-se nas raízes, 30% nas folhas, 20% no caule e 10% nas novas brotações (folhas e flores).
Os resultados da pesquisa contribuem para o aprimoramento das estratégias de manejo de B na citricultura. A aplicação de B via drench é uma alternativa tecnicamente viável e operacionalmente vantajosa para a citricultura moderna, pois, aproveita uma operação já adotada nas fazendas. Somando-se a isso, essa prática permite ajustes nas doses aplicadas. Os resultados ainda demonstraram eficiência equivalente entre as fontes, permitindo flexibilidade de escolha pelo setor.
Rodrigo M. Boaretto
Ricardo S. Teixeira
Raja Y. R. Souza
Maria F. B. Cordaz
Cassio H. Abreu-Jr.
Dirceu Mattos Jr.
2026 - Abisolo

