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Impactos da evolução genética na nutrição vegetal

Resumo

Palestra realizada por Renato Braga – Pesquisador Sênior da empresa Sakata, durante o IX Abisolo Fórum e Exposição realizado em 2022


Transcrição

Vamos em frente, então, a nossa próxima palestra, a segunda palestra do nosso primeiro painel do nono absolo, palestra Impactos da Evolução Genética na Nutrição Vegetal. Vamos falar de qualidade e nutrição. Convidamos para vir conosco o doutor Renato Braga, pesquisador, sênior da empresa Sacata. Renato é engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Lavras, mestre e doutor em horticultura e genética de plantas pela Unesp. Atualmente lidera o melhoramento das culturas, pimentão, pimenta, tomate, berinjela, quiabo e feijão vagem. Sendo responsável mais de uma centena de cultivares com registro no mapa. Tem experiência global na gestão de projetos de melhoramento de hortaliças. Eu tava lendo aqui, não sei se vocês já deram a salva de palmas pro doutor Renato, mas vamos então repeti-la, se é que já foi. Obrigado, doutor, por ter aceito o nosso convite. Sim, senhor. Obrigado, Gera. Bom dia. Primeiramente, eu gostaria de agradecer a Absolo, ao Gera pela introdução e também a Absolo. Ok. E, Rogério, eu acho que eu tenho 45 minutos para falar, se eu passar, por favor, me dá um toque, me dá uma cutucada, joga uma pedra, faz alguma coisa. Tá bom, obrigado. Eu gostaria de agradecer a Absolus, a diretoria e, principalmente, os organizadores do evento. O evento está muito bem organizado, muito profissional. Eu já tive a oportunidade de participar de muitos eventos mundo afora E esse da Absolo realmente está muito bem organizado. Então, parabéns à diretoria, parabéns aos organizadores, principalmente à Fernanda e ao Kleber, que eu tive contato pessoalmente. Ok? Bom, nós vamos falar sobre impactos da evolução genética na nutrição vegetal. Bom, para falar sobre impactos da genética na nutrição vegetal, eu fiz uma revisão, corri a literatura, fui atrás de trabalhos e a gente tem muito poucos trabalhos correlacionando a genética, o melhoramento e a nutrição. A gente tem alguns trabalhos com aprimoramento de absorção de fósforo, potássio, nitrogênio e também ferro. Os países temperados, eles usam muito plantas, eles fazem muita seleção de plantas para não ter deficiência de ferro, que é muito comum a deficiência de ferro nos solos temperados. Mas os trabalhos são muito poucos, então você não tem muita correlação entre a genética e o sistema radicular e a nutrição de plantas. Isso é relativamente fácil da gente entender. Quando a gente está fazendo o melhoramento de plantas, a gente olha basicamente a parte aérea da planta, a gente olha basicamente o fenótipo. salvando algumas culturas que a gente olha a raiz, como a amendoim, a mandioca. E quando a gente faz essa observação da parte aérea, muitas vezes a gente não faz a avaliação da parte reticular. Isso é fácil de entender. Por exemplo, se a gente está fazendo um trabalho com soja, um hectare de soja tem aí 200 mil plantas, 300 mil plantas, é fácil a gente fazer a avaliação da parte aérea, a gente consegue ver a altura de planta, posição da vagem, número de grãos, velocidade, tamanho da folha, isso é fácil. É tecnicamente possível e economicamente viável. Mas a gente falar que a gente tem que fazer a avaliação do sistema radicular de 200 mil plantas, 300 mil plantas, É tecnicamente possível, a gente consegue fazer isso, mas o trabalho é muito grande, então é praticamente economicamente inviável. Então a gente não faz isso. Então a seleção do sistema radicular, basicamente a gente faz por inferência. A gente trabalha a parte aérea, quando a gente vê que tem um aumento de produção, Evidentemente, a gente infere que a gente tem um sistema radicular muito mais forte, um sistema radicular muito mais produtivo, que está extraindo muito mais nutrientes do solo. Então, é uma forma indireta de fazer a seleção do sistema radicular da nutrição de planta. Alguns casos que eu vou apresentar aqui, a gente faz realmente avaliação do sistema reticular. A gente abre o sistema reticular e a gente consegue ver o sistema reticular e avaliar o sistema reticular. Mas são casos muito específicos. Então não é muito comum a gente ter avaliação de sistema reticular no trabalho de melhoramento de plantas. Bom, eu vou falar um pouco da evolução da genética convencional. Então como que a gente trabalha com a genética convencional para melhorar a nutrição de plantas e para melhorar a produção. Eu vou falar um pouco do melhoramento dos simbiontes, então é um tema muito novo, é um trabalho que está começando, nós estamos no meio desse trabalho, digamos assim, e nós vamos falar também um pouco sobre a genética moderna, o melhoramento moderno. O que a genética moderna está trazendo para a gente? O que a genética moderna está trazendo para a produção, para a nutrição de plantas? Vamos dar uma olhada nisso. Bom, falando do melhoramento convencional, o que ele tem contribuído para o aumento da produção e da nutrição, a gente fala que basicamente a natureza faz esse melhoramento, a natureza sempre fez esse melhoramento. Isso é comum, isso não é uma coisa diferente, uma coisa nova. Aqui nessa figura a gente tem, por exemplo, uma árvore, um tronco de uma árvore e duas mariposas, uma escura e uma clara. Quando o tronco está claro, a mariposa clara fica mimetizada, A mariposa escura aparece, os predadores vão comer a mariposa escura, ela praticamente vai entrar em extinção. Quando o tronco está escuro, por fuligem, por exemplo, de poluição, a mariposa escura vai ficar mimetizada, ela vai sumir, a mariposa clara vai sobressair, os predadores vão comer, essa espécie praticamente vai entrar em extinção. Então a natureza faz o melhoramento há muito tempo. A natureza fez um melhoramento com a gente também. Homo sapiens, nós temos aí, estima-se que nós temos, por exemplo, 2% de Neanderthal no nosso genoma. Lá atrás teve algum cruzamento entre o Sapiens e o Neanderthal e a gente foi fazendo essa seleção. Hoje o Homo Sapiens, ele é predominante no mundo basicamente por uma seleção da natureza. O Homo Sapiens foi lá e matou todos os outros homenídeos que tinham, pronto, sobreviveu a gente. Então a natureza faz essa seleção de forma muito eficiente, sempre fez, há milhares de anos. O que o ser humano faz? O ser humano ele acelera essa seleção natural, ele avança essa seleção natural porque ele precisa fazer isso, é uma necessidade. A gente fala que necessidade faz o sapo pular. E isso é verdade. A população está crescendo, a população precisa de alimento, a gente tem que alimentar a população, a gente tem que produzir mais, mais com menos. E o ser humano vai lá e faz várias técnicas de melhoramento para aumentar a produção, para aumentar a eficiência do uso dos nutrientes que estão no solo. Então, basicamente, o que a gente está fazendo é aumentar a produção, aumentar a quantidade de extração de nutrientes via melhoramento convencional. Isso é muito comum. Bom, basicamente o melhoramento comercial, ele está aí para aumentar a produção, isso a gente precisa fazer. A gente pode fazer um enriquecimento da produção. Então, em vez de apenas aumentar a produção, a gente vai fazer um produto mais rico, mais nutritivo. E a gente pode fazer, que é um pouco novo, mineração de plantas. Então, a gente pode usar a planta para fazer extração de determinados elementos que é um pouco difícil na natureza. Vamos avançar, olhar a produção. Isso é um dado real. Na década de 70, o Pimentão produzia em torno de 40 toneladas por hectare a campo aberto. A maior população é de 20 mil plantas por hectare. Então a gente produzia 40 toneladas por hectare. Hoje a gente produz 140 toneladas por hectare no mesmo hectare, com o mesmo stand, com a mesma população, só que com uma genética melhorada, uma genética melhor. Então a gente tem um impacto muito grande no aumento da produção Claro, a gente está atribuindo a genética, mas a gente fala que não é só a genética. A gente tem a evolução da genética, a gente tem a evolução dos adubos, irrigação, manejo do solo e nutrientes. Então a gente tem uma evolução grande. Tudo evoluindo, a gente chega a um dado como esse. Esse é apenas um exemplo de pimentão, mas isso também aconteceu com soja, aconteceu com milha, aconteceu com arroz. Então a genética, ela vem evoluindo as plantas para que elas produzam cada vez mais e para que elas estejam adaptadas cada vez mais a esse ambiente que a gente está trabalhando. Bom, uma outra forma que a gente usa o melhoramento convencional, e aqui focado na raiz, a gente está olhando bastante a raiz, é o uso da enxertia. Bom, porque que a gente usa a enxertia? Basicamente a gente fala que a gente usa para o controle de patógenos. Então a gente usa o melhoramento para fazer um sistema radicular muito resistente a patógenos. Quando você faz um sistema radicular resistente a patógenos, você tem um stand final uniforme, grande, você não tem perdas de plantas no período do cultivo. Uma outra coisa é que você não precisa gastar com químicos, então você não precisa colocar químicos no solo, então você tem uma economia nessa produção. Esse controle de patógenos, se o patógeno entra na planta e começa a atacar a planta, você tem redução da produção. Então esse controle de patógenos é extremamente importante também para você manter a sua produção. Melhor uso de nutrientes de solo. Esse melhor uso de nutrientes de solo é interessante porque quando você está usando um sistema radicular, eu acho que todos entendem mais ou menos o que é enxertia. Basicamente enxertia é o uso de um sistema radicular de uma planta conectada com uma planta diferente em cima. Então são duas plantas em uma, são duas plantas unidas na mesma planta. Esse sistema radicular, ele é muito forte. Ele é trabalhado para ser muito forte. Ele é trabalhado para ser muito robusto. Trabalhado para produzir bastante. E ele é trabalhado para extrair muito mais nutrientes do solo. Então, aqui sim, a gente faz a seleção, via melhoramento convencional, para fazer sistemas radiculares que extraiam muito mais nitrogênio, fósforo, potássio, incluindo os micros também. Essa extração é interessante, esse sistema articular ele usa, ele trabalha nos dois ranges, ele trabalha tanto na ausência ou na deficiência do nutriente quando tem um solo pobre, um solo ácido e ele trabalha muito bem em um solo quando o solo está com excesso de nutrientes. Às vezes é comum nas pequenas culturas, a gente tem estufa de produtor que está fazendo produção e ele tem lá, a gente já viu por exemplo, estufa com 700 ppm de fósforo. Basicamente o produtor poderia ensacar aquele solo e vender como fósforo. É uma quantidade de fósforo excessiva. E o produtor quer plantar, quer continuar produzindo, quer continuar plantando naquela estufa, naquela área, porque é muito difícil para ele mudar a estufa, é muito custoso, é muito oneroso para ele fazer essa mudança. O que o porto enxerto faz? O porto enxerto trabalha também nesse excesso de elementos. O sistema radicular, como ele é um sistema radicular muito robusto, muito agressivo, ele é capaz de selecionar apenas o que ele precisa. Ele não vai sofrer com excesso, ele não vai sofrer fitotoxidade pelo excesso de nutrientes que está presente no solo. Então a enxertia é interessante porque ela trabalha tanto com a parte de deficiência, pouco nutriente no solo, quanto você tem um excesso de nutriente no solo. Um outro ponto da enxertia é a estabilidade de condições adversas. Bom, condições adversas a gente pode falar excesso de calor ou falta de calor, ausência de calor, muito frio. A gente pode falar falta de água ou excesso de água. A gente pode falar de excesso de EC, um EC muito alto ou um EC muito baixo. E essa estabilidade a gente pode falar também pela interação desses fatores. O que o sistema radicular, esse novo sistema radicular que a gente trabalha via o melhoramento convencional, ele faz? Ele é muito agressivo, ele é muito forte. Então ele tem a habilidade, por exemplo, de trabalhar com uma temperatura muito alta, o que normalmente o sistema radicular convencional não consegue fazer. Ele tem habilidade, e isso a gente faz um melhoramento para que isso ocorra, ele tem habilidade a trabalhar com um EC muito baixo, porque ele consegue extrair nutrientes do solo, mesmo os nutrientes que estão fortemente retidos no solo, o sistema radicular vai lá e consegue extrair. Ele consegue trabalhar também em áreas que tem um EC, por exemplo, de 8, o que é um EC muito alto, uma conditividade elétrica muito alta, mas ele consegue manter essa estabilidade mesmo nesse EC extremamente agressivo. E ele consegue trabalhar num ambiente que tem pouca água ou muita água, excesso de água. Então quando ele é muito agressivo, ele consegue extrair mais água, mesmo que a concentração de água esteja muito baixa no solo. Claro, se você controla o patógeno, se você faz o melhor uso do nutriente, se você tem uma estabilidade em condições adversas, obviamente a gente vai ter uma produção maior. E isso é o que importa pra gente em um melhor uso dos nutrientes. Com isso a gente pode ter também melhor qualidade da produção. Então a gente tem uma produção com os frutos, por exemplo, com mais cheios, com melhor acabamento, mais doces, enchimento de grão muito mais eficiente. Então isso é basicamente o uso da enxertia. A enxertia não é nova, digamos assim. Praticamente 100% da laranja que a gente consome ou fresca ou processada em sucos, por exemplo, vem de plantas enxertadas. Isso é um fato. Então a gente já consome, a gente já usa muita enxertia no nosso dia a dia. Uva, praticamente 100% da uva que a gente consome fresca ou em forma de suco ou em forma de vinho, por exemplo, vem de plantas enxertadas. Pepino, pepino japonês nesse caso. Praticamente 100% das plantas de pepino que são cultivadas hoje no Brasil são utilizadas com a enxertia, com essa técnica de enxertia. E essa técnica ela visa basicamente isso, melhorar o sistema radicular da planta, aumentar a produção, dar mais estabilidade às condições adversas, melhorar a absorção de nutrientes do solo. Isso é uma técnica muito boa, muito interessante, que está sendo muito utilizada. Basicamente a gente está utilizando hoje o melhoramento convencional para fazer isso. Aqui um exemplo numa lavoura de tomate. As plantas, eu estou sem um pointer então fica difícil de mostrar, mas as plantas que estão no início do lado esquerdo são plantas não enxertadas. E as plantas que estão no fundo do lado direito são plantas enxertadas. Então a gente vê a diferença de altura. A parte de cima é a mesma cultivar, mas na parte de baixo são cultivares diferentes. o lado esquerdo é não enxertado, o lado direito é enxertado. Então vocês conseguem observar que na mesma adubação, na mesma irrigação, na mesma área, na mesma produção, a planta que está enxertada ela consegue extrair muito mais nutrientes do solo, ela consegue extrair muito mais água do solo, então ela aumenta a produção, ela consegue fazer uma planta muito mais vigorosa. Para a gente vender a técnica de enxertia para o produtor, Normalmente a gente fala pra ele que ele pode economizar na adubação. O adubo, no caso do tomate, ele representa mais ou menos 20% do custo da produção. Então a gente fala pra ele, se você usar a planta enxertada, você pode reduzir em 20% o uso de adubo. E alguns produtores fazem isso, pra testar, pra ver se realmente a técnica funciona. Com o tempo, o produtor percebe que ele não deve reduzir a adubação. Na verdade, em alguns casos, ele deve aumentar a adubação. Como uma planta extrai muito mais nutriente, tem poder de extrair muito mais nutriente, o que acontece? A produção vai aumentar muito mais. Se ele reduz a adubação em 20%, ele vai ter 20% de aumento de produção. Se ele aumenta a adubação, ele pode chegar a 40% de aumento de produção na mesma área com a mesma quantidade de planta. Então é um aumento muito significativo. O que a gente está falando aqui é usar de forma muito racional o nutriente que está no solo. Então a gente está usando uma técnica de enxertia para explorar muito mais o solo, utilizar muito melhor o nutriente e a água que está disponível. Esse aqui é um outro exemplo de tomate também, esse aqui é na região de Campinas, aqui na região de Campinas. Esse é um produto de tomate bem tecnificado, utiliza moushing, esse plástico branco, essa cobertura. Ele utiliza gotejo, ele utiliza extrator de solo para ver a quantidade de água disponível no solo, para ver a condutividade elétrica. E nós montamos um ensaio nesse produtor. Do lado esquerdo são plantas sem enxertia e do lado direito são plantas com enxertia. Então esses frutos que vocês veem caído aqui no chão é por deficiência de calcio, que a gente chama de fundo preto, vulgarmente a gente chama de fundo preto. Basicamente é o que aconteceu. Apesar do produtor ser muito tecnificado, colocar água na quantidade adequada, ter água no solo, como teve um golpe de calor muito grande, a bomba de destruição não funciona, digamos assim, a planta para, falta cálcio, faltou cálcio, tem a deficiência, a gente começa a ter abortamento de frutos. Isso é muito significativo, isso é uma perda de produção muito grande. Do lado direito, na mesma lavoura, as mesmas condições, a gente tem a mesma cultivar só que enxertada. Então você não tem perda de fruto, você não tem deficiência, você tem um aumento de produção muito significativo. Só para vocês terem uma ideia, esse produtor tem um milhão de plantas de tomate. É comum ele rodar um milhão de plantas de tomate. O custo de produção de cada planta desse produtor especificamente é de R$ 13,00. Então vocês conseguem ver o tamanho do investimento que esse produtor faz. Claro, não é comparado com o investimento de grande lavoura de soja, de milho, mas continua sendo um investimento significativo e é muito importante. Quando ele tem essa perda de produção, que está do lado esquerdo, o prejuízo dele acaba sendo quase que certo. Nesse caso, a gente foi mostrar a tecnologia para ele, E a gente acabou tomando um baita de um puxão de orelha e quase que ele empurrou um boleto pra gente. Ele ficou bravo, ficou assim, por que vocês não falaram antes que essa técnica é muito boa? Então eu produzi muito menos, então eu vou passar a diferença de produção pra vocês porque vocês não me disseram como que era pra produzir. Bom, a empatia diminuiu na hora, evidentemente, mas depois a gente trabalhou um pouco com ele, foi conversando, pelo menos a gente não levou o boleto pra casa e a gente conseguiu vender a técnica de enxertia. Então o produtor saiu satisfeito, sabendo que se ele utilizar essa técnica de enxertia, ele vai ter uma estabilidade de produção muito grande e ele vai ter um aumento da produção. Bom, enriquecimento da produção, o que a gente fala é que a gente pode fazer, por exemplo, produtos nutracêuticos ou superfood, colocando mais nutrientes nesse produto que a gente está produzindo. Se você tem que comer uma maçã, então que coma maçã enriquecida. Se você tem que comer um pimentão, um tomate, então que você coma um tomate, um pimentão enriquecido. já que vai ter que comer e que come uma coisa que faça uma melhor nutrição. Esse nutracêutico, basicamente, é isso. Um produto que é capaz de modular uma função no organismo, capaz de proteger contra o câncer, capaz de proteger contra determinadas doenças ou determinadas deficiências. Então, basicamente, a gente consegue fazer isso via melhoramento convencional. Uma outra forma, via melhoramento convencional, é utilizar a nossa produção como um veículo de moléculas diversas. Então, em vez da gente tomar uma vacina, por exemplo, que é uma coisa relativamente arcaica. A vacina é muito boa, mas o método de aplicação é muito arcaico. A gente toma uma agulhada no braço. A gente pode colocar essa vacina dentro de uma banana, dentro de uma maçã, dentro de um alface e tomar essa vacina de forma normal. Isso via melhoramento convencional. A gente vai falar um pouco do melhoramento moderno e a gente vai ver que o melhoramento moderno vai potencializar muito mais esse uso de moléculas. Mineração de plantas é relativamente novo, a descontaminação de ambientes não é nova, então a gente pode utilizar, por exemplo, algumas plantas para extrair metal pesado de algumas áreas, então isso já ocorre. O que está começando a ocorrer é que a gente tem uma demanda muito grande de alguns elementos que a gente chama de elementos raros. Por exemplo, o nosso celular tem bastante elementos raros. E é difícil você achar esses elementos. Então, via melhoramento convencional, a gente consegue selecionar plantas que consigam extrair, que conseguem extrair mais esses elementos raros e depois, em vez de você ter uma mina para extração de minerais raros, você extrai daquela planta em produção. Então, essa é uma outra forma da gente utilizar o melhoramento convencional na absorção de nutrientes. Bom, agora vamos falar um pouco do melhoramento usando os simbiontes. Até agora a gente estava fazendo o melhoramento de plantas, vamos passar para os simbiontes. Simbiontes basicamente nessa representação a gente tem uma raiz e ao lado da raiz a gente tem uma representação de um fungo fazendo simbiose com a planta. Bom, o que é isso? A gente já está utilizando bastante isso hoje, o professor anterior falou muito sobre isso. A gente está utilizando tanto fungos quanto bactérias para potencializar a absorção de nutrientes de solo. Então isso é relativamente fácil da gente entender. A gente tem o nosso sistema radicular. A gente tem lá uma quantidade de radicelas e a gente coloca, por exemplo, nesse caso dessa figura, um fungo que vai entrar dentro da planta e vai aumentar a quantidade de radicelas. Basicamente ele vai fazer isso, ele vai turbinar a quantidade de radicelas que a gente tem na planta. Com essa turbinada, digamos assim, a planta vai absorver muito mais nutrientes, a planta vai absorver muito mais água, a planta vai conseguir combater, por exemplo, nematóides, Como é uma simbiose, quando a planta sinaliza que ela está sofrendo uma agressão, esse fungo, automaticamente, ele vai tentar combater essa agressão, ele vai tentar combater esse agressor que está tentando entrar na planta e que vai matar a planta que é fonte de sustento desse fungo. É uma tecnologia muito boa, mas a gente tem que ter cuidado. A gente não pode, por exemplo, colocar excesso de bacilos, excesso de elementos, porque eles extraem nutrientes da planta. Então, se a gente errar na dose, ele vai, em vez de aumentar a produção, ele vai reduzir, porque ele vai extrair mais elementos da planta e, em vez de aumentar, ele acaba reduzindo. Então, é uma tecnologia e ela tem que ser usada com cuidado. O que a gente está fazendo agora, via melhoramento, é fazer seleção. A gente já sabe que tem N espécies de bacilos, por exemplo, que a gente pode utilizar. E agora a gente está identificando novas cepas de bacilos. Nós estamos fazendo melhoramento do bacilo. Estamos fazendo cruzamento entre bacilos para que eles fiquem mais eficientes do que já são e utilizem essa nutrição de planta. Esse é só um exemplo. Hoje a gente tem, por exemplo, a absorção de nitrogênio. A gente pode colocar nesse mesmo contaminante, nesse mesmo inoculante, a gente pode colocar ele como absorção de fósforo, por exemplo. Hoje já tem essa tecnologia. Então a gente consegue, além do nitrogênio, a gente consegue colocar o fósforo também. No futuro vai ser o potássio, principalmente os micro-elementos como o boro e o zinco. Então a gente vai ter essa felicidade. A hora que a gente vai fazer uma inoculação, a gente já faz uma inoculação para vários elementos. Bom, vamos falar um pouco do melhoramento moderno, o que a gente tem e o que está acontecendo. A gente fala que ao longo dessa nossa estada aqui no planeta, a gente passou por algumas revoluções. Então, por exemplo, o fogo foi uma revolução. Então, quando a gente aprendeu a trabalhar com fogo, a gente conseguiu dominar os demais hominídeos que tinha na Terra e a gente conseguiu sobressair. A agricultura foi uma revolução. A gente deixou de ser nômade e passou a ser fixo em uma área. Então, foi uma grande revolução. A pólvora foi uma grande revolução também, infelizmente às vezes um ponto negativo. A industrialização foi uma grande revolução, então aumentou muito a produção de bens de consumo. A gente tem também a Revolução Verde, Norman Buller. Foi uma grande revolução, aumentou muito a produção de trigo, por exemplo. Existem estimativas que dizem que o trabalho dele tirou da fome quase um bilhão de pessoas. Então, é um trabalho bem interessante. Todas essas são revoluções. E as revoluções, elas não ocorrem, por exemplo, de um dia pra noite. Não quer dizer que você inventou a máquina a vapor, no dia seguinte toda a Inglaterra vai estar industrializada. Então a gente leva anos e anos pra que isso ocorra. Então a gente leva um período de tempo muito grande pra que essa revolução ocorra. E hoje a gente está vivenciando a revolução da genética. Nós estamos no meio da revolução da genética. Alguns dizem que essa revolução genética ela ocorreu quando Mendel descreveu a base da herdabilidade. Outros dizem que essa revolução começou com a estrutura do DNA decodificada, Watson-Click. Outros dizem que essa revolução começou quando a gente fez o primeiro transgênico. Bom, na verdade não importa muito quando exatamente ela começou. O importante é que ela começou e nós estamos no meio dessa revolução genética. Essa revolução genética pode incrementar muito a produção, pode reduzir muito a fome no planeta e pode ajudar bastante os seres humanos. Vamos falar um pouco sobre isso. Essa revolução a gente começa a falar sobre manipulação da genética. Essa manipulação da genética é basicamente a transgenia. O que é um transgênico? Um transgênico você pega um gene de um ser vivo e coloca num genoma do outro pra um benefício. Isso é um transgênico. Essa é uma tecnologia muito utilizada, mais de 95% da soja, do milho hoje que a gente consome no Brasil é transgênico, então não tem como a gente fugir de consumo de produtos transgênicos. A gente usa bastante produtos transgênicos e a gente vai continuar usando os produtos transgênicos por um longo período. Só que essa é uma tecnologia ultrapassada para a ciência. Essa é uma tecnologia muito antiga. Você pegar um gene de uma espécie e colocar numa outra espécie, além de ser relativamente difícil, Você tem que fazer por biobalística ou com bactérias. Não é fácil, é difícil, é custoso e você corre um risco muito grande de você ter um problema. Você ter um metabólico que vai gerar algum problema para o ser humano no consumo. A gente fala que é o GMO, Organismo Geneticamente Modificado, isto é, está no nosso dia-a-dia, isso é comum. A partir dos próximos anos a gente vai ver soja, milho com melhor extração de nitrogênio, com melhor extração de fóssil, por exemplo, via transgenia. Só que agora o que a gente tem é uma nova tecnologia, que eu coloquei simplesmente aqui como liga e desliga, basicamente é supressão gênica ou silenciamento gênico. Então isso é um novo trabalho, é uma nova tecnologia de manipulação da genética que está sendo utilizada e ela vai ser muito utilizada. Ela basicamente vai ser o nosso dia a dia, a gente vai consumir isso todo dia e em tudo. na nutrição das plantas também. Essa tecnologia é uma tecnologia muito forte, uma tecnologia muito boa e a gente vai utilizar ela. Basicamente o liga e desliga, para vocês entenderem um pouco melhor, é assim, você tem uma planta de soja que ela está contaminada, por exemplo, com ferrugem. Ok, ela está contaminada com ferrugem porque o fungo coevoluiu com a soja durante muitos anos, milhares de anos, e eles encontraram alguns sítios de ligação, o fungo encontrou esse sítio de ligação, ele é capaz de fazer a planta produzir nutrientes para ele e ele consegue se multiplicar, com isso ele acaba reduzindo a produção da soja, por exemplo. O que esse liga e desliga? Os cientistas hoje eles conseguem olhar o genoma da planta, eles conseguem olhar qual a sequência de DNA que aquele fungo utiliza para fazer a ligação com a planta e o que a gente faz é simplesmente desligar esse gene. Então o que acontece? O fungo ele vai enxergar na planta de soja só que ele não vai entender aquilo mais como soja. ele não tem mais o sítio de ligação, ele não vai conseguir colonizar a soja, basicamente desapareceu esse problema pra gente. Então é uma tecnologia muito forte, é uma tecnologia muito boa e ela vai ser muito utilizada. Só que existe um problema nessa tecnologia, ele traz o novo normal e esse novo normal, infelizmente às vezes ele não é bom. A tecnologia da transgenia a gente consegue detectar, então a gente pega um milho e uma soja que é transgênico, a gente faz um teste rápido, a gente consegue detectar se ele é transgênico ou não, a gente consegue fazer essa classificação. Hoje não faz mais sentido porque basicamente tudo é transgênico, então não adianta muito a gente fazer essa classificação, a não ser para aqueles produtores que estão produzindo soja, milho orgânico e querem vender e precisam desse seu. Só que o liga e desliga, Ele é uma manipulação genética, é uma manipulação genética mais simples, porque ele não traz um gene de uma outra espécie para uma outra espécie, ele apenas trabalha dentro do próprio DNA de uma mesma espécie, ele faz o liga e desliga. O problema é que ele não é detectável. Como ele é uma tecnologia nova, ele não é detectável. Então pode ser que a gente esteja comendo milho, uma soja, uma maçã, que já foi geneticamente modificada, via esse liga e desliga, a gente não sabe. Isso não é muito bom, a gente classifica como isso não muito bom, porque apesar de ser uma tecnologia mais limpa, uma tecnologia melhor, uma tecnologia que usa apenas o genoma da própria planta para fazer um trabalho, ainda assim pode ter algum problema no consumo. Então é muito importante que a gente saiba se é ou não trabalhar no transgênico ou esse liga e desliga que a gente está falando. Infelizmente, nós não temos tecnologia hoje para detectar se ele foi manipulado ou não e fica um pouco a critério das empresas fazer essa publicação ou não. A gente tem também, nessa manipulação genética, a gente tem a bioestatística e a inteligência artificial fazendo um suporte muito grande para esse trabalho. Essa revolução da genética, a gente muda o nome. Essa nova tecnologia, a gente fala que não é mais manipulação genética, a gente fala que é edição genética. Edição porque você pega o código, o genoma de uma espécie e edita ele. Você faz pequenas mudanças para que ele, por exemplo, no caso da soja, não seja mais suscetível ao fungo da ferrugem. Então, o novo nome dessa tecnologia é edição genética, edição de genes que a gente está utilizando. Essa edição, que é o liga e desliga, é o novo normal, ela é utilizada o CRISPR-Cas9. O CRISPR-Cas9 é uma tecnologia nova pra gente, foi Nobel em 2020, então é uma tecnologia recém-trabalhada, mas a natureza, assim como a seleção natural, a natureza já usa o CRISPR-Cas9 há milhares de anos. Então, existem algumas bactérias que fazem essa tecnologia de liga e desliga. Essas bactérias, elas são afetadas, por exemplo, por alguns vírus. Essas bactérias tiveram a sabedoria, digamos assim, o know-how de pegar pequenas sequências do RNA desse vírus, colocar dentro do seu genoma e fazer com que isso vire uma tesoura, fazer com que isso vire um corta. Na verdade, quando esse vírus que entra, tenta entrar na bactéria, a bactéria reconhece esse vírus e picota todo o DNA desse vírus e esse vírus não infecta mais a planta. Então o que nós, seres humanos, fizemos foi apenas entender que isso existia na natureza e começamos a utilizar para outros fins. Então basicamente é isso que nós estamos fazendo. Assim como a seleção natural que a natureza já faz, a natureza também fazia essa edição gênica, faz essa edição gênica e nós estamos aprendendo com essa edição gênica e começando a fazer esse trabalho agora. Bom, para concluir, Basicamente a gente fala que a genética ajudou, ajuda e ajudará muito no aumento da produção. Isso é muito bom, você fala uma produção inteligente, o uso racional de nutrientes que estão disponíveis no solo. A gente fala que a gente pode utilizar a genética de diferentes formas para gerar esse impacto na nutrição vegetal e a genética como uma nova revolução. Então isso basicamente nós estamos no meio dessa revolução e essa revolução genética ela está apenas começando e a gente tem muito caminho, tem muito A ciência tem muito trabalho pela frente e isso pode ajudar muito a gente a aumentar a produção. Então a gente pode fazer uma planta que não necessite muito de aporte de nutrientes, uma planta que seja muito mais eficiente no uso dos nutrientes, na extração dos nutrientes. Então isso pode aumentar bastante a produção. Ok? Muito obrigado. Gera. Obrigado. Obrigado, Sr. Renato. em cima da hora, três minutos antes, que é exatamente os três minutos que eu preciso para apresentar o nosso próximo palestrante e nós continuamos com o tempo absolutamente cravado. Absolo, por uma produtividade inteligente.

Renato Braga

2022 - Abisolo

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