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Extrato de algas aliada à adubação: tecnologia de manejo contra estresse térmico
A agricultura tem sofrido com perdas de produtividade devido ao aumento da ocorrência de extremos climáticos, como períodos de estiagem, elevadas temperaturas e alta radiação solar. Nos últimos anos vêm sendo observado um aumento médio de temperatura na região do cinturão citrícola, os quais vêm ocorrendo especialmente nos meses de setembro/outubro, período que coincidem com o florescimento e pegamento das flores. Em outubro de 2020, as temperaturas máximas chegaram alcançar até 43,0 ºC nas regiões norte do estado de São Paulo (INMET, 2020) causando perdas de 30% da produção de frutos em relação à safra anterior.
Em busca de minimizar os danos às plantas causadas por essas condições extremas, o uso de insumos, como os protetores solares (filmes de partículas foliares), biofertilizantes, além de nutrientes, contribuem para às respostas das plantas quanto aos estresses abióticos, como o estresse térmico. A aplicação de bioefertilizantes, como extrato de algas, é colocado como alternativa para amenizar tais efeitos do estresse pela sua ação fisiológica, pois este insumo melhora o metabolismo primário e secundário, e auxilia na absorção de elementos minerais. Além disso, uma planta bem nutrida consegue expressar seu maior potencial fisiológico, promovendo a melhoria das rotas de defesa contra estresse. Desse modo, em condições de estresse abiótico, o incremento na adubação de elemento, como o magnésio (Mg), pode promove a ação de enzimas envolvidas no mecanismo de defesa da planta.
O Laboratório de Nutrição e Fisiologia Vegetal do Centro de Citricultura ‘Sylvio Moreira’ têm obtido resultados com experimentos relacionados à aplicação de extrato de algas (Ascophyllum nodosum) associado ou não a adubação com Mg, avaliando antes e após a imposição de estresse térmico. Plantas de laranja doce (Valencia) foram aclimatadas em câmara de crescimento onde receberam as seguintes aplicações foliares com de sulfato de magnésio, extrato de algas A. nodosum (EA) e a mistura de EA+Mg. As plantas receberam aplicações foliares dessas soluções em período pré-estresse quando a temperatura ambiente foi de 30°C/ 20°C (dia/noite) e em seguida foram submetidas a uma condição com 43°C/ 30°C (dia/noite) por 72h. Avaliações fisiológicas e bioquímicas foram realizadas antes e após o período de estresse.
As avaliações pré-estresse mostraram maior transpiração (figura 1A) para plantas submetidas ao tratamento com Mg foliar, assim como para assimilação de carbono (Figura 1B). No período pós estresse, as plantas do tratamento que receberam pulverizações com EA+Mg transpiraram 20% a mais do que aquelas do tratamento controle, e assimilação de carbono foi aproximadamente 20% maior nesse mesmo tratamento em relação às plantas que receberam apenas Mg. Esses parâmetros nos indicam que o tratamento que associa a aplicação de Mg com EA pode aumentar a capacidade da planta de realizar a manutenção da temperatura foliar, com maior transpiração, arrefecendo a folha e favorecendo outros processos da fotossíntese como a reparação de estruturas que recebem os fótons da luz solar para a realização da parte luminosa da fotossíntese.
A maior taxa de assimilação de CO2 após o período de estresse em plantas pulverizadas com EA+Mg demonstra interação sinérgica entre os benefícios do Mg e as propriedades do EA, que dispõem à planta uma gama de fitormônios, aminoácidos, açúcares e nutrientes. Por isso, plantas deste tratamento foram capazes de assimilar mais carbono no período pós estresse, produzindo mais açúcares como constatado pela quantificação de sacarose no tecido foliar (Figura 1D). Por outro lado, nas plantas pulverizadas apenas com EA foram identificadas maior atividade da Superóxido Dismutase (SOD), enzima que atua no sistema antioxidante da planta, sendo a primeira enzima na cadeia eliminação das espécies reativas de oxigênio.
Portanto, destaca-se que a aplicação foliar de Mg promoveu efeito estimulante às plantas, o que favoreceu o aparato fotossintético, sobretudo em períodos pré-estresse. Por outro lado, o Mg associado ao EA favoreceu ainda o sistema enzimático antioxidante, especialmente em condições de estresse impostas no estudo com o aumento da temperatura do ar ambiente.

Figura 1. Medidas de transpiração (E) (A), assimilação de CO2 (An) (B), unidade da enzima superóxido dismutase (SOD) (C) e quantificação de sacarose (D) em folhas de laranjeira doce em períodos pré-estresse e pós-estresse.
Lucas Giovani P. Bernardi
Erico M. Corneta
Jefferson Rangel
Dirceu Mattos Jr.
Rodrigo M. Boaretto
2022 - Abisolo