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Milho: alimento saudável e energia limpa para todos
A safra brasileira de milho vem historicamente avançando, o que acentua o gigantesco potencial alimentício e energético do grão. É de fundamental importância impulsionar a produção nacional tanto do ponto de vista para assegurar o abastecimento doméstico quanto para gerar excedentes exportáveis.
O milho brasileiro vem ganhando espaço na comunidade internacional nos últimos anos graças à ampla oferta que produzimos, bem como pela excelente qualidade do nosso grão. O produtor vem ano a ano incorporando novas tecnologias em insumos – sementes, defensivos, fertilizantes -, maquinário, mão de obra qualificada e mais recentemente adicionando as ferramentas digitais em busca de ganhos contínuos de produtividade.
Além de ser matéria-prima básica para indústria alimentícia e principal insumo para agroindústria de carnes, o milho também passou a ser altamente demandando para fabricação de etanol, o que vem abrindo uma nova fronteira de negócios para toda cadeia produtiva.
Irrigação
Os produtores que estão tendo a oportunidade de investir em sistemas de irrigação vêm observando ganhos contínuos de produtividade em suas lavouras. A irrigação reduz demais o risco climático, principal causa de variações na produção. No Brasil Central, por exemplo, alguns produtores de milho irrigado estão obtendo rendimentos acima de 200 sacas por hectare.
Junto à irrigação, melhores variedades, avanços nas técnicas de manejo, integração-lavoura-pecuária-floresta e incorporação de novos insumos são outros fatores cruciais para o aumento de produtividade e consequente incremento nas mais recentes safras do grão. Exemplo, é o advento da terceira safra no Nordeste, especificamente na região da Sealba [Sergipe, Alagoas e Bahia].
Mercados
2020 foi um ano excelente para o produtor de milho, devido à demanda aquecida, especialmente internacional, e preços remuneradores, turbinados pelo câmbio favorável. O Brasil vem ano a ano se posicionando nos mercados internacionais como fornecedor do milho de melhor qualidade. Na comparação com outros grandes produtores, nosso grão apresenta melhores características nutricionais, que favorecem a conversão alimentar, considerando menor tempo e maior ganho de peso, para produção de proteína animal, seja na suinocultura, avicultura, bovinocultura e também na piscicultura.
Falando da abertura de novos mercados para o milho brasileiro, a China desponta como janela de oportunidade. A gripe suína africana, que nos últimos anos praticamente dizimou o plantel chinês de “fundo de quintal”, fez com que Pequim tomasse a decisão de mudar a estrutura local de produção. Com isso, os chineses passaram a investir na implantação de sistemas altamente tecnificados para fabricação de carne suína, o que inevitavelmente demandará grandes volumes de ração e consequentemente de matérias-primas como milho e farelo de soja.
No ano passado mesmo, a China demonstrou interesse em adquirir mais milho brasileiro, mas faltaram estoques. E, é neste ponto que reside uma de minhas principais preocupações, porque precisamos produzir muito mais, no mínimo, entre a 10% a 15% pelas próximas duas, três décadas, a fim de conseguirmos continuar atendendo com constância o mercado doméstico e a crescente demanda global.
Remuneração
Contudo, esta equação passa, impreterivelmente, por uma remuneração satisfatória para o produtor rural, que a despeito do viés altista para as cotações, enfrenta enormes desafios. Primeiro, porque países concorrentes subsidiam a produção, como, por exemplo, China e Estados Unidos. Segundo, é que o milho em grão, tradicionalmente, tem valor baixo nos mercados internacionais, o que impacta na margem do produtor, que anualmente só vem observando alta nos custos de produção. E terceiro, é que o agricultor nacional sofre com o atual sistema de impostos – assim como todo o setor produtivo – sendo alvo de tributação indireta.
Alysson Paolinelli
2021 - Abisolo